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Tomar café reforçado e fazer só 3 refeições por dia emagrece, diz estudo

Getty Images
Imagem: Getty Images

Thamires Andrade

Do VivaBem, em São Paulo

20/03/2018 15h28

Você já deve ter ouvido que o café da manhã é a refeição mais importante do dia. E um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv (Israel) confirma essa afirmação.

No trabalho científico, apresentado no congresso da Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos, adultos que eram obesos e tinham diabetes tipo 2 perderam mais peso e apresentaram melhor nível de glicose no sangue quando tomaram um café da manhã reforçado diariamente e fizeram apenas três refeições ao dia, em comparação a quem se alimentou seis vezes. 

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"O metabolismo do nosso corpo muda ao longo do dia. Uma fatia de pão consumida no café da manhã leva a uma menor resposta de glicose e engorda menos do que uma fatia de pão idêntica quando consumida à noite", explica Daniela Jakubowicz, principal autora do estudo.

Com isso em mente, ela e sua equipe decidiram descobrir mais sobre como o tempo de ingestão de alimentos influencia a perda de peso e a glicemia.

3 refeições foi melhor do que porções fracionadas

No estudo, os cientistas acompanharam 29 adultos, sendo 18 homens e 11 mulheres. Todos obesos e com diabetes tipo 2. A equipe atribuiu aleatoriamente a cada um dois tipos de dieta que deveriam ser seguidas por três meses.

Um grupo seguiu a "Bdiet", com três refeições por dia: um grande café da manhã; um almoço de tamanho médio e um pequeno jantar. O outro grupo seguiu o "6Mdiet", composta por seis pequenas refeições espaçadas ao longo do dia, além de três lanches.

Os pesquisadores testaram o nível de glicose no sangue a cada duas semanas. Eles também usaram monitoração contínua de glicose para medir o nível global de glicose, bem como picos de açúcar no sangue ao longo do estudo.

Os pesquisadores descobriram que os pacientes adeptos da Bdiet perderam, em média, 5 kg após três meses, enquanto aqueles que seguiram a 6Mdiet ganharam, em média, 1,4 kg.

A fome e os desejos por carboidratos também aumentaram entre os indivíduos no grupo 6Mdiet, mas foram reduzidos significativamente em quem seguiu a Bdiet.

O estudo também revelou que os participantes que aderiram à Bdiet experimentaram uma diminuição significativa no nível global de açúcar no sangue em apenas 14 dias, mesmo quando não apresentaram perda de peso.

De acordo com os pesquisadores, esse achado indica que somente o tempo entre as refeições já pode ajudar no gerenciamento de glicose no sangue, e a perda de peso melhora isso ainda mais.

A equipe conclui que três refeições ao dia pode ser uma estratégia benéfica aos pacientes com obesidade e diabetes tipo 2. "Essas pessoas tiveram melhor perda de peso, menos forme e melhor controle do diabetes com esse tipo de dieta", finalizou Jakubowicz. 

Individualização ainda é o melhor caminho

A nutricionista Clarissa Fujiwara, mestre em ciências pela USP e do departamento de Nutrição da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), concorda com Jakubowicz sobre o impacto do ciclo circadiano (também conhecido como relógio biológico) na alimentação. "O ser humano é um animal de hábitos diurnos e faz sentido que o maior aporte calórico seja feito no início do dia e depois esse consumo vá diminuindo. Nosso organismo não evoluiu para ficar acordado até tarde consumindo um grande número de calorias", explica.

No entanto, como o estudo foi realizado com poucos pacientes, Fujiwara destaca que não dá para bater o martelo que de comer três porções ao dia é melhor do em porções fracionadas. "O importante é individualizar a dieta. Para algumas pessoas, ter três refeições principais bem distribuídas funciona para emagrecer. Enquanto para outras pessoas ter refeições fracionadas faz com que eles consumam alimentos com bons nutrientes, como frutas", fala.

A nutricionista da Abeso não sabe o porquê de os pacientes adeptos da "6Mdiet" terem engordado ao invés de emagrecer, mas suspeita que isso esteja relacionado com o fato de não consumirem os lanches corretamente. "Tem gente que fraciona as refeições, mas acaba optando sempre por lanches de pior qualidade. Fora que esse método deixa as pessoas mais expostas aos alimentos. Ou seja, ao chegar na cozinha em vez de pegar a fruta, a pessoa pode ter consumido outro alimento fora do plano alimentar", diz.

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