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A pílula anticoncepcional realmente aumenta o risco de depressão?

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Gabriela Ingrid

Do VivaBem

01/03/2018 16h29

Com frequência, estudos alertam sobre os possíveis efeitos colaterais do uso contínuo do contraceptivo hormonal. De dores de cabeça e espinhas à trombose e ao câncer, as reações à pílula ainda são pouco pesquisadas e acabam assustando muitas mulheres. Um dos efeitos que entram nessa lista controversa é o aumento do risco de depressão.

Por si só, a menstruação já altera o humor das mulheres, mas algumas experimentam sérios problemas mentais que as pessoas supõem ser causados pelo anticoncepcional, incluindo suicídio. Mas será que todas que tomam o medicamento devem se preocupar com o distúrbio mental?

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Um novo estudo, publicado no periódico Contraception, afirma que esse risco não existe. Os pesquisadores analisaram 26 trabalhos científicos com pesquisas de mais de 30 anos e concluíram que as pílulas não têm relação com o desenvolvimento de depressão em mulheres de qualquer idade.

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Apesar da incidência de depressão ser maior na usuária da pílula do que em quem não toma o anticoncepcional, ainda é um número muito baixo
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"Com base em nossas descobertas, esse efeito colateral não deve ser um receio para a maioria das mulheres, e elas podem se sentir à vontade sabendo que estão fazendo uma escolha segura", disse Brett Worly, ginecologista obstetra e principal autora do estudo.

De acordo com Zsuzsanna Ilona Katalin Jármy Di Bella, da Comissão Anticoncepção da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), na prática, as mulheres que sofrem bastante com a TPM, sentindo irritabilidade, depressão e tristeza antes do ciclo, melhoram com o uso hormônio. "Isso porque nivelamos a ovulação e o corpo dela passa a ter menos progesterona circulando nessa fase do ciclo —a progesterona é o hormônio que poderia facilitar a depressão", explica.

De qualquer forma, esse assunto ainda é bem controverso. A médica brasileira explica que há dois estudos dinamarqueses, um com 1 milhão de mulheres e outro com 500 mil, que mostram que mulheres mais jovens são propensas a ter um risco um pouquinho maior de sofrer depressão se utilizarem contraceptivos orais de hormônios combinados.

"O segundo mês de uso da pílula costuma ser o pico de diagnósticos de depressão, de acordo com as pesquisas, porém, apesar da incidência ser maior na usuária da pílula do que em quem não toma o anticoncepcional, ainda é um número muito baixo: 1,23%", esclarece

A autora do trabalho científico divulgado nessa semana concorda que a possibilidade de ter depressão é maior em adolescentes —e também em mulheres grávidas —, mas ela associa o aumento do risco a outros fatores, não ao efeito da pílula.

Para sustentar sua afirmação, Worly tem o apoio de outro estudo recente, publicado no dia 19 de fevereiro, pela Universidade Cornell, nos Estados Unidos. De acordo com os cientistas, meninas que menstruam antes dos 12,5 anos possuem maior propensão à depressão. Isso porque quando elas se "tornam mulheres" em uma idade precoce, sua maturidade emocional e mental "desajusta" o desenvolvimento físico.

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Na prática, mulheres que sofrem bastante com a TPM, melhoram com o uso hormônio
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As pessoas tratam as meninas como se fossem mais velhas, mesmo que ela ainda sejam crianças e prefiram brincar com brinquedos do que pensar em garotos. Isso pode levá-las a se sentirem intimidadas, assediadas e alvo de fofocas na escola.

E não é só depressão. Meninas que menstruam mais cedo ainda são mais propensas a ter ansiedade, desenvolver distúrbios alimentares e enfrentar problemas com o uso de álcool e drogas.

Bella alerta que os estudos são poucos e ainda não confirmaram nada, mas os números, mesmo que baixos, existem. "O ideal é a própria mulher ficar de olho em seu corpo. Se ela começar a usar a pílula e observar que está com sintomas negativos, mais triste, com comportamento diferente, deve alertar o médico. As incidências são pequenas, mas não são zero."

O ideal seria que as pílulas combinadas usassem o hormônio estrogênio natural. Na grande maioria dos anticoncepcionais produzidos hoje o estrogênio é sintético. "Com ele natural, mais próximo do hormônio feminino, os efeitos colaterais são reduzidos", diz Bella. Entretanto, apesar de circularam há cerca de cinco anos no Brasil, essas pílulas ainda são pouco utilizadas e produzidas em baixa escala.

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