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Fitoterápicos: por que você deveria ter cuidado ao se medicar com plantas

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Gabriela Ingrid

Do VivaBem

02/12/2017 04h15

Alternativas à medicina tradicional se popularizam cada vez mais, aumentando a busca por tratamentos naturais, como a fitoterapia. Conhecida como a medicina das plantas, a prática manipula ervas para a cura de doenças e redução de sintomas, sem a combinação de substâncias químicas. Mas apesar de parecer uma prática inofensiva, alguns cuidados são necessários.

A ideia de usar plantas para tratar doenças obviamente não é ruim. Segundo a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, estima-se que aproximadamente 40% dos medicamentos atualmente disponíveis foram desenvolvidos direta ou indiretamente a partir de fontes naturais, como a aspirina, com princípios do salgueiro, e os corticoides, derivados do inhame.

Fitoterapico - iStock - iStock
Irritação gástrica, alergias e toxicidade hepática e renal estão entre os problemas causados pelo uso errado dos fitoterápicos
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“Diferente dos remédios sintéticos, o fitoterápico tem tradição de uso (o que dá embasamento para maior segurança e eficácia), composições químicas complexas (com efeitos geralmente sinérgicos e protetores), e atua geralmente de modo mais suave e com menores efeitos colaterais e adversos”, explica Luis Carlos Marques, farmacêutico e coordenador da Comissão Assessora de Plantas Medicinais e Fitoterápicos do CRF (Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo).

Contudo, ainda assim, Marques afirma que é preciso tomar cuidado. Misturar um simples AAS (ácido acetilsalicílico), usado para impedir a formação de coágulos, com um medicamento fitoterápico para a memória, a base da planta ginkgo biloba, por exemplo, pode levar à morte. Combinar as duas substâncias pode causar hemorragias em várias artes do organismo, como na órbita ocular, ou manchas roxas pelo corpo. No cérebro, as consequências podem ser fatais.

Plantas medicinais - iStock - iStock
Os medicamentos de origem vegetal podem ser obtidos por formas caseiras (chás) ou processos farmacêuticos
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“Como qualquer medicamento, se mal utilizado, pode ser prejudicial”, alerta o farmacêutico. Marques diz que a fitoterapia funciona melhor em quadros preventivos e leves, como má-digestão, insônia e ansiedade, dores em geral, gastrite, ferimentos de pele ou problemas da vesícula biliar (intolerância a alimentos gordurosos). A princípio, não há restrições, salvo doenças graves com risco de vida como pneumonia e câncer --nesses casos um tratamento mais poderoso é indicado. Mas alguns cuidados básicos, como evitar misturar medicamentos e, na ocorrência de alterações, interromper o uso e buscar ajuda, são indicados para evitar problemas maiores. O acompanhamento médico é essencial, assim como informar-se das doses indicadas.

A pedido do UOL, o farmacêutico ainda separou cinco alertas para quem opta pelo tratamento com plantas medicinais:

Anticoagulantes sintéticos

Os fitoterápicos podem alterar de modo expressivo a coagulação sanguínea, podendo levar a hemorragias. Alho, gengibre, salsinha, ginseng e guaco estão entre eles. Por isso é bom evitar a associação dessas plantas a anticoagulantes sintéticos como AAS, warfarina e Xarelto.

Diabéticos, cuidado

Há várias plantas que baixam a glicemia, muito usadas por diabéticos. Mas elas também podem baixar demais a concentração de glicose no sangue, se usadas em altas doses ou junto com medicamentos antidiabéticos sintéticos.

Remédio - iStock - iStock
A fitoterapia é ideal para quadros preventivos como insônia e ansiedade leves e gastrite
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Atente-se as alergias

Há muitas plantas que causam alergia, principalmente as 'margaridas', como camomila, arnica, calêndula, alcachofra. A qualquer sinal de hipersensibilidade, suspenda o uso e consulte um médico.

Fibras x vitaminas

Chia, guar e aveia são usadas para evitar a absorção de açúcar e gordura pelo organismo, prevenindo problemas a diabéticos ou evitando aterosclerose. Porém, essas plantas também atrapalham a absorção de ingredientes úteis à saúde como vitaminas ou medicamentos, se tomados juntos.

Hypericum

Essa planta é a mais famosa por interagir negativamente com vários sintéticos, como anticoncepcionais, digoxina, cafeína, warfarina e ciclosporina. Mas diversas plantas podem também interagir negativamente. Sempre avise o médico sobre qual medicamento você está tomando, antes de começar o tratamento com as plantas.

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