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Diante da pandemia, estoque para a produção de cloroquina diminui

Diante da pandemia, estoque para a produção de cloroquina diminui - Getty Images / iStockphoto
Diante da pandemia, estoque para a produção de cloroquina diminui Imagem: Getty Images / iStockphoto

Mateus Vargas

Brasília

22/05/2020 12h48

O estoque de insumos farmacêuticos para a produção de medicamentos à base de cloroquina e hidroxicloroquina caiu diante da pandemia da covid-19. Mesmo sem eficácia comprovada contra o vírus, as drogas passaram a ser recomendadas de forma ampla a pacientes da doença pelo Ministério da Saúde após pressão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Sem somar a demanda pela covid-19, ainda não estimada, são consumidos 35 milhões de comprimidos desses medicamentos por semestre no Brasil, incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS) e a rede privada.

As drogas são indicadas para tratamento de doenças crônicas, como lúpus e artrite reumatóide, além da malária. As informações constam em documento enviado na semana passada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ao Ministério da Economia, obtidos pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

Em abril, a agência informou à equipe econômica que havia cerca de 8,9 milhões de comprimidos dessas drogas estocados. Na atualização enviada em maio, são cerca de 11,6 milhões de unidades. A soma considera diferentes apresentações de medicamentos, como sulfato de hidroxicloroquina 400 mg e difosato de cloroquina 150 mg. Segundo a Anvisa, como as empresas aumentaram o estoque do produto acabado, o insumo para a fabricação caiu.

Incentivado por Bolsonaro, o laboratório do Exército produziu 1,25 milhão de comprimidos entre os dois informes da Anvisa. A instituição estava com o estoque zerado até o fim de março e sem material para embalar o medicamento. O Comando do Exército não informou estimativas de novas entregas.

O Ministério da Saúde prometeu reforçar o envio da cloroquina aos estados e municípios. A pasta informou na quarta-feira já ter distribuído 2,93 milhões de comprimidos apenas para uso contra a covid-19 - 1,46 milhão de unidades estão no estoque do ministério.

O governo estima que os comprimidos já entregues servem para 163,8 mil pacientes da covid-19. A pasta deseja entregar até agosto mais 6,7 milhões de unidades, estimadas para cerca de 375,6 mil pessoas.

Principal fornecedora do material para a formulação da droga ao Brasil, a Índia restringiu as suas exportações de insumo farmacêutico. O chanceler Ernesto Araújo afirmou, pelo Twitter, que o Brasil receberá uma tonelada desse produto após negociação com o governo indiano. Bolsonaro chegou a conversar no começo de abril com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para receber um carregamento do insumo.

Para advogados, médicos e gestores de saúde, o esforço do governo federal para ampliar a prescrição da cloroquina, imposto por Bolsonaro, ocorre à margem das regras do SUS. A criação de protocolo com diretrizes de tratamento tem um rito próprio na rede pública, que considera principalmente a comprovação da eficácia da droga e a viabilidade econômica para a distribuição do produto.

"Não tem viabilidade. Não existe medicamento suficiente para caso leve da covid-19. O Ministério da Saúde está incentivando uma prática médica que vai colocar mais gente em risco", afirmou Daniel Dourado, médico, advogado sanitarista e pesquisador da USP.

Segundo o último informe da Anvisa, a Apsen Farmacêutica tem o maior estoque do produto no Brasil. São 8,32 milhões de comprimidos. A Cristália informou ter 1,3 milhão de unidades estocadas da droga. Depois do Exército, o quarto maior estoque é da EMS/Germed. São 675 mil comprimidos. A Anvisa informou que a Sanofi-Aventis reduziu o estoque de 180 mil para 16 mil comprimidos.

A Fiocruz reduziu o estoque de 3 milhões para 27 mil comprimidos. O laboratório público foi o principal fornecedor do governo para o programa de tratamento de malária e, também, para pacientes da covid-19.

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