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Estudo aponta que máscaras evitaram surto de covid-19 em salão de beleza

A pesquisa acompanhou dois cabeleireiros que atenderam clientes enquanto estavam com covid-19 - Getty Images
A pesquisa acompanhou dois cabeleireiros que atenderam clientes enquanto estavam com covid-19 Imagem: Getty Images

Da AFP, em Washington

14/07/2020 17h06

Dois cabeleireiros americanos que usaram máscaras enquanto estavam infectados com o coronavírus não transmitiram covid-19 a quase 140 clientes que atenderam ao longo de vários dias, informou um estudo divulgado hoje.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças, que divulgou o relatório, afirmou que a descoberta traz mais peso à medida universal de proteção do rosto como forma de conter a propagação do vírus.

Em 12 de maio, um profissional de cabelos (cabeleireiro A) apresentou sintomas respiratórios em um salão de beleza em Springfield, Missouri, e continuou atendendo clientes até 20 de maio, quando recebeu o resultado positivo para covid-19.

O cabeleireiro A ignorou os conselhos médicos para se isolar após o teste em 18 de maio.

Um segundo profissional (cabeleireiro B), que teve contato com o primeiro, apresentou sintomas em 15 de maio e também continuou trabalhando até 20 de maio, quando o cabeleireiro A obteve seu resultado. O cabeleireiro B testou positivo dois dias depois.

Só então o salão fechou por três dias para desinfecção, enquanto as autoridades de saúde do Condado de Greene rastrearam contatos e identificaram um total de 139 clientes atendidos pelos dois profissionais infectados.

O restante da equipe também ficou em quarentena por duas semanas. Durante suas interações com os clientes, os dois profissionais usavam máscaras: o cabeleireiro A usou uma cobertura de algodão de duas camadas, enquanto o cabeleireiro B usou uma cobertura de algodão de duas camadas ou uma máscara cirúrgica.

Mesmo quando A apresentava sintomas, os dois interagiram entre si sem máscaras nos intervalos entre os clientes.

Todos os 139 clientes foram monitorados quanto a sintomas pelas duas semanas seguintes, e testes lhe foram oferecidos cinco dias após a exposição.

Nenhum dos 67 testados obteve resultado positivo, e nenhum dos que recusaram os exames relatou sintomas nos 14 dias seguintes, quando receberam mensagens de texto diárias perguntando sobre sua saúde.

Os clientes eram mais ou menos equilibrados em termos de gênero, e suas idades variavam de 21 a 93, com média de 52. A maioria usava máscaras durante todo o período de seus atendimentos, que variaram de 15 a 45 minutos.

Os clientes usaram principalmente máscaras de pano ou cirúrgicas, enquanto cerca de 5% usaram do tipo N95.

Os cientistas acreditam que, embora grandes gotículas emitidas por pessoas quando tossem ou espirram sejam as principais responsáveis pela disseminação de covid-19, gotículas menores liberadas durante a fala comum também são potencialmente perigosas.

Isso é particularmente importante porque as pessoas podem espalhar o vírus inconscientemente nos dois a três dias antes de desenvolverem sintomas ou nos casos assintomáticos.

Os autores do relatório do CDC concluíram: "A adoção generalizada de políticas que exijam coberturas faciais em ambientes públicos deve ser considerada para reduzir o impacto e a magnitude de novas ondas da covid-19".

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