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Potência máxima: como turbinar o desenvolvimento do cérebro do seu filho

Denis Freitas/VivaBem
Imagem: Denis Freitas/VivaBem

Cristiane Capuchinho

Colaboração para o VivaBem

09/09/2019 04h00

Os primeiros anos de vida são essenciais para o desenvolvimento do nosso cérebro e deixam marcas para toda a vida. Na primeira etapa da vida, as conexões entre neurônios estão se formando rapidamente, conforme os estímulos recebidos pela criança.

A criança tem um processo muito intenso de modificações celulares e modificações de estruturas cerebrais principalmente durante o primeiro e segundo ano de vida, quando você tem um pico de crescimento da massa encefálica e também de diferenciação das células Marília Bezerra, pediatra do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) e neuropediatra da Rede D'Or

Estima-se que mais de um milhão de novas conexões são criadas a cada segundo na primeira infância, de acordo com o Centro de Desenvolvimento infantil da Universidade de Harvard. E essa mudança pode ser vista em exames de imagens, que mostram redes neuronais muito mais complexas aos dois anos que no momento do nascimento.

Nesse período da vida, oferecer estímulo adequado e afeto são fundamentais para o desenvolvimento das capacidades sensoriais, como visão e audição, da linguagem e das funções cognitivas superiores. São essas as bases que permitirão mais tarde o aprendizado do seu filho, por exemplo.

"É comum os pais acharem que talvez neste momento ainda não é preciso dar tanto estímulo ou talvez eu não preciso falar tanto com meu bebê porque ele nem fala, mas é um momento de essencial importância", comenta Bezerra. "Digamos que temos um cérebro com certa capacidade biológica, se ele tiver os estímulos certos, ele vai alcançar o máximo de sua capacidade. No entanto, se você não tem um ambiente favorável e os estímulos necessários, você não consegue desenvolver toda a capacidade que o cérebro teria."

Para cada idade, há atividades mais adequadas para o desenvolvimento da criança. No entanto, algumas regras básicas indicam o melhor caminho nessa construção cerebral.

  • Denis Freitas/VivaBem

    Fale com a criança olhando nos olhos

    "Ah, mas meu filho ainda é muito pequeno, ele não entende." Os estímulos do mundo desenvolvem simultaneamente capacidades diferentes do sistema nervoso da criança. A audição do bebê começa a ser desenvolvida ainda dentro do útero e continuam a ter um processo rápido de desenvolvimento nos primeiros anos de vida, assim como as funções superiores, como a linguagem. "Mesmo que ela não entenda o que está sendo dito, ela tem a percepção de que você está utilizando a fala para se comunicar e dos diferentes tonalidades de voz, o que aumenta o interesse dela na produção da fala e na linguagem", esclarece Bezerra. Além do interesse pela linguagem, a exposição a fonemas diferentes especializa o cérebro da criança a distinguir certos sons específicos da língua materna ou de outra língua com a qual ele tem contato desde cedo, permitindo assim que mais tarde ele desempenhe perfeitamente sua comunicação oral.

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    Brinque com objetos de diferentes tamanhos, formatos e cores

    Brincar é uma das maneiras que a criança usa para experimentar o mundo, objetos e sua relação com outras pessoas. Desde os primeiros meses de vida, a criança desenvolve capacidades motoras e cognitivas ao explorar sensorialmente diferentes objetos. E, nesse caso, quanto mais estímulos diferentes, melhor. "Para uma criança pequena, você mostrar objetos de formas diferentes, de cores diferentes, tudo isso já vai ajudá-la a desenvolver a capacidade visual e espacial", exemplifica Bezerra. É importante permitir que a criança experimente os objetos, para entender com diferentes sentidos aquilo que ela está vendo. Entre seis e nove meses, o bebê já pode segurar objetos e ser estimulado a fazer o exercício de passar o brinquedo de uma mão para a outra. A partir dos nove meses, brincar com seu filho com objetos pequenos, como tampinhas ou bolinhas de papel, vai ajudá-lo a desenvolver o movimento de pinça (pegar com dois dedos), tão importante para a coordenação motora mais refinada. É sempre importante frisar que objetos lúdicos não precisam ser brinquedos, qualquer objeto serve para brincadeira. Experimente, por exemplo, usar tampas de potes de plástico de diferentes cores e formatos com seu filho.

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    Deixe a criança explorar

    Permitir que a criança faça novas descobertas e explore novos lugares é importante desde os primeiros meses. Bezerra, comenta que é frequente ver casos de crianças com atraso no desenvolvimento da parte motora porque ela não é colocada no chão ou não é permitido a ela que pegue um brinquedo. "Os pais, na tentativa de proteger a criança de alguma lesão, impedem que ela se desenvolva bem. Vemos isso que chegam com queixa de ser muito molinha e, conversando com os pais, vemos que não estão sendo dadas as condições para desenvolver a musculatura, para desenvolver a coordenação motora." Desde o primeiro mês, a criança deve ser colocada de bruços por períodos curtos para que faça exercícios com o pescoço. A partir do segundo mês, já é possível colocar objetos na frente dela para fazê-la tentar pegar ou se movimentar em direção a eles. Para esse tipo de "exercício", o melhor lugar é o chão --protegido por um tapete, coberta ou toalha. Já com um ano, é interessante fazer exercícios como o de se afastar da criança por períodos curtos para que ela aprenda a não ter medo da ausência dos pais.

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    Tenha livros e conte histórias

    Inclua a criança no mundo dos livros desde cedo e conte histórias. Ler em voz alta ativa regiões do cérebro associadas à compreensão narrativa e criação de imagens mentais, mostra pesquisa publicada pela Associação Norte-Americana de Pediatria. Além da história em si, a experiência com o objeto livro faz com que a criança associe a leitura a uma coisa divertida, a um momento lúdico. Com esse intuito, há livros de todo o tipo: livros de plástico podem ser levados para o banho, livros de tecido podem ser deixados com a criança sem a preocupação de que ela o coloque na boca. Na hora de contar uma história, fazer diferentes vozes e dar nuances na entonação ajudam a criança a perceber diferentes situações do mundo.

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    Tempo de tela não vale

    O pai que nunca ligou o celular ou a televisão na frente do filho para tentar entretê-lo enquanto faz alguma outra coisa que jogue a primeira pedra. Muitos escolhem programas que mostram letras, números e contam histórias, na expectativa de que o programa seja educativo. Para esses, a neuropediatra tem uma má notícia: o tempo gasto diante da tela não vale como estímulo para o cérebro. "A criança vai desenvolver sua intenção de se comunicar quando ela interage com pessoas e não com a tela. É a interação com o mundo que faz ela se desenvolver." Tudo bem se quiser deixar aqueles minutinhos do banho a criança de frente para uma tela, mas o importante é também dedicar uma parte do seu dia para interagir tranquilamente com a criança --neste momento, o melhor é você também desligar seu celular.

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    Acompanhe os marcos do desenvolvimento

    Para acompanhar o desenvolvimento cognitivo e motor do seu filho, a Caderneta de Saúde da Criança, distribuída pelo Ministério da Saúde a todas as crianças no momento de seu nascimento, é uma ferramenta de grande importância. Além de trazer atividades apropriadas para cada idade, a caderneta traz testes para checar o desenvolvimento do pequeno. O teste pode ser feito na avaliação com um médico, mas também podem ser realizados pelos pais, com anotações sobre a idade que a criança alcançou cada marco do desenvolvimento. "Eu estimulo meus pacientes a anotar a idade em que seus filhos começaram a fazer cada uma das atividades, assim, de um lado o pai percebe como é progressivo o desenvolvimento e o médico consegue ter mais informações sobre a criança durante toda a vida dela", indica a neuropediatra. Leia mais

Fonte: Fontes: Daniel dos Santos, pesquisador de desenvolvimento socioemocional na primeira infância da Faculdade de Economia e Administração da USP Ribeirão Preto; Marília Bezerra, neuropediatra do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, da Unirio; "O Impacto do Desenvolvimento da Primeira Infância sobre a Aprendizagem", do Núcleo Ciência pela Infância (https://www.fmcsv.org.br/pt-BR/biblioteca/o-impacto-do-desenvolvimento-na-pi-sobre-a-aprendizagem/); "A Science-Based Work for Childhood Policy", do Centro de Desenvolvimento infantil da Universidade de Harvard (https://46y5eh11fhgw3ve3ytpwxt9r-wpengine.netdna-ssl.com/wp-content/uploads/2016/02/Policy_Framework.pdf)

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