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O que pode ser?

A partir do sintoma, as possíveis doenças


Bicho geográfico: confira suas causas, sintomas e tratamentos

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Leonardo Costas

Colaboração para VivaBem

05/07/2022 04h00

Quem mora no litoral ou costuma viajar para praias, já deve ter ouvido falar do bicho geográfico. Também chamado de larva migrans cutânea, é uma infecção causada pelo solo contaminado das fezes de cães e gatos infectados pelo parasita. Desenvolvem-se em forma de larvas em locais quentes e úmidos, como a areia.

Qualquer pessoa pode ter o problema, mas ele costuma se manifestar mais em crianças, já que elas ficam mais sentadas nas praias e nos parques.

Quando cachorros ou gatos evacuam na terra ou areia, os ovos da larva, presentes nos intestinos destes animais, são liberados. Em contato com o solo quente, as larvas se desenvolvem e ficam lá. Ao entrarem em contato direto com a pele, penetram, causando a doença.

A seguir, você confere as principais dúvidas sobre bicho geográfico, sintomas, formas de tratamento e quais são os fatores de risco.

Bicho geográfico: o que é, causas e tratamentos

Quais as partes do corpo mais afetadas pelo bicho geográfico?

São os pés e as nádegas, pois a pessoa senta ou pisa onde tem a larva. Mas qualquer local da pele pode desenvolver bicho geográfico, ou seja, mãos, antebraços e pernas. Há risco até de quadros de disseminação, pois se o indivíduo deitar no gramado ou na areia e ter contato com a larva, pode desenvolver o problema nas costas, por exemplo.

Quais os principais sintomas da doença?

A pessoa sente coceira intensa e as lesões se caracterizam por trajetos sinuosos rosados com edema, podendo formar bolhas. Com o passar dos dias, a larva vai fazendo um caminho (1 a 2 centímetros por dia), que é parecido com um mapa geográfico. Daí vem o nome da doença.

Como é feito o diagnóstico?

Pelo exame físico, com quadro clínico de coceira, lesões sinuosas formando trajetos nas áreas de maior contato com solo, como pés e nádegas. O histórico do paciente também é avaliado.

Quais riscos à saúde o bicho geográfico causa?

O maior risco seria a infecção secundária, por bactérias (como a erisipela), pois a pessoa tem uma coceira intensa e pode machucar a pele, com risco de deixar cicatrizes se não for tratado adequadamente. Em pessoas bem alérgicas, pode haver quadros de alergia com tosse e falta de ar, pela liberação de toxina das larvas.

Existe transmissão de uma pessoa para outra?

Não. A transmissão é feita pelas fezes dos animais que estejam infectados pelo parasita, principalmente cães e gatos (sobretudo os que vivem nas ruas), que contaminam o solo.

Além da areia, é possível se contaminar em outro tipo de solo?

Sim. Gramados, tanques de areia, quintais, parques, escolas, quadras de esportes. Todos estes locais podem abrigar o parasita, caso estejam contaminados com fezes de animais. Além disso, há o agravante das chuvas, que facilitam a disseminação das larvas no solo. Por isso ocorre o aumento dos casos de bicho geográfico nos períodos chuvosos.

Como tirar o bicho geográfico da pele?

Não se retira o bicho geográfico manualmente. Somente se faz com tratamento medicamentoso antiparasitário e, muitas vezes, usa-se compressa de gelo, que diminui o inchaço e ajuda a matar a larva. Não dá para tirá-la, pois ela fica profundamente no tecido subcutâneo.

É possível tirar o bicho geográfico com pinça, por exemplo?

Não se deve tentar retirar as larvas de forma caseira com pinça ou outros métodos. Isso pode levar a infecções bacterianas, dermatites de contato, ferimentos e cicatrizes.

Quais os tratamentos indicados para problemas com bicho geográfico?

Compressas de gelo e antiparasitários indicados por um dermatologista, que pode ser usado na forma de pomada ou comprimidos. A escolha vai depender da gravidade de cada caso e da idade do paciente.

Há riscos para quem opta por tratamentos caseiros?

Sim. Além de ineficazes, tratamentos caseiros podem levar a dermatites de contato, infecções bacterianas e queimaduras.

Há como se prevenir do bicho geográfico?

  • A prevenção se faz com o uso de calçados, evitando contato dos pés com solos contaminados, além da recomendação de não sentar em terrenos arenosos. Ao ficar por um período longo nestes locais, procure cobrir com toalha ou esteira.
  • Lavar os pés com água corrente depois de andar descalço na praia ou superfícies que possam abrigar ovos de bicho geográfico para tentar matar as larvas com temperatura fria.
  • Manter boas medidas de higiene, como lavar sempre bem as mãos.
  • Evitar passear com seus bichos de estimação em praias e parques, mas se levar, recolha suas fezes e descarte em local adequado.
  • Cuide para seus animais sejam antiparasitados, com uso de vermífugos, para evitar a doença.

Fontes

Silvana Coghi, dermatologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo; Vivianne Lira da Camara Costa, dermatologista do Huol-UFRN (Hospital Universitário Onofre Lopes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte) ligado à rede Ebserh; e Leonardo Abrucio Neto, médico dermatologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

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