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O que pode ser?

A partir do sintoma, as possíveis doenças


Impingem: contagiosa, micose causada por fungos pode ser prevenida

Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

28/06/2022 04h00

Presente em todo o mundo, a tinha do corpo é uma doença infecciosa causada por fungos que é popularmente conhecida no Brasil como impingem. Os médicos, porém, podem se referir a ela como tinea corporis, tinha, dermatofitose ou micose do corpo.

Caracterizada por lesões na pele que incomodam por sua aparência e coceira, a impingem pode acometer pessoas de todas as idades e gêneros, mas é mais comum entre crianças e idosos, além de pessoas que tenham as defesas do corpo comprometidas em razão de doenças como o diabetes.

Embora possa ser prevenida por meio de cuidados com a higiene e controle de doenças que comprometam o sistema imunológico, a tinha do corpo é considerada altamente infecciosa. Isso significa que, quanto mais cedo ela for diagnosticada e tratada, melhor.

A estratégia de tratamento é simples, relativamente rápida, e envolve o uso de medicamentos tópicos (creme, pomada, spray) ou sistêmicos (comprimidos).

Entenda o que é impingem

Este é um termo popular utilizado para nomear a micose do corpo, uma infecção superficial da pele. Os médicos também se referem a essa doença como tinha do corpo, tinha, dermatofitose do corpo ou tinha corporis.

A depender das várias regiões do corpo que aparece, ela terá outros nomes. Confira:

  • Pé de atleta, intertrigo ou frieira - a área acometida é a região situada entre os dedos do pé;
  • Coceira do jóquei, micose da virilha ou tinha cruris - a parte afetada é a virilha;
  • Tinha do couro cabeludo ou tinea capitis - aparece na cabeça (especialmente em crianças);
  • Tinha ungueal ou onicomicose - o problema afeta as unhas.

Por que isso acontece?

A impingem é uma infecção causada por fungos. Na maioria das vezes são microrganismos conhecidos como dermatófitos (Trichophyton, Epidermophyton ou Microsporum).

Posso pegar impingem de outra pessoa?

Sim. A tinha é considerada uma doença altamente infecciosa, e pode ser transmitida diretamente por meio do contato de pessoa a pessoa, com o solo (terra ou areia —embora seja menos comum ) e animais (cão, gato, porco, gado, aves, peixes), ou indiretamente, através do uso de roupas (toalhas, lençóis) e objetos contaminados.

Quem precisa ficar mais atento?

A tinha do corpo pode acometer homens, mulheres e até crianças de todas as faixas etárias. Apesar disso, a literatura sobre a doença revela que nem todas as pessoas são suscetíveis a ela, e pode estar presente uma predisposição familiar ou genética que se manifestará, ou não, a depender das condições do sistema de defesa do corpo e ambientais.

Isso explica por que o principal fator de risco é a presença de alguma doença que comprometa o sistema de defesa do organismo (imunossupressão). Um exemplo é o diabetes.

Conheça outras situações que podem facilitar o aparecimento da infecção:

  • Sudorese e calor em excesso
  • Umidade relativa do ar
  • Uso de roupas apertadas
  • Pele muito oleosa
  • Profissões que promovem a umidade das roupas
  • Obesidade
  • Linfoma e leucemia
  • Síndrome de Cushing
  • Idade avançada
  • Compartilhamento de roupas e objetos
  • Andar descalço
  • Higiene precária
  • Ser criança

Saiba reconhecer os sintomas

A maioria das pessoas apresenta lesões na pele, em especial na região do pescoço, tronco ou extremidades (mãos e pés):

  • Placas avermelhadas ou rosadas (mas a depender da cor da pele, ela pode ter outros tons: parecer prateada, por causa da descamação, ou ter contornos mais escuros e por vezes menos perceptíveis)
  • Formato bem definido, em geral é redonda ou oval
  • Expansão do centro para a periferia
  • Bordas de cor mais viva que o centro
  • Crescimento lento
  • Coceira intensa
  • Descamação

Quando é a hora de procurar ajuda médica?

Os especialistas consultados afirmam que toda alteração da aparência normal da pele deve ser avaliada por um médico, e desaconselham a automedicação. Isso porque é comum que as pessoas façam uso de corticoides sem orientação médica, o que não só mascara outras enfermidades como piora a tinha.

"Ao se automedicarem, as pessoas têm a falsa impressão de cura das lesões, porque ele rapidamente reduz a irritação e a coceira. O problema é que esse tipo de fármaco não combate os fungos. O resultado é que as lesões pioram, e é comum que, quando o paciente chega ao médico, o quadro já tenha avançado muito", observa a dermatologista Vivianne Lira da Camara Costa, integrante do corpo clínico e do grupo coordenador da residência médica em dermatologia do HUOL-UFRN.

Soma-se a isso o fato de que os sintomas da impingem podem se confundir com outras doenças como a dermatite atópica ou de contato, a pitiríase, a psoríase e até mesmo quadros iniciais de lúpus eritematoso sistêmico, entre outras. Assim, somente o profissional da área da saúde seria capaz de fazer essa diferenciação para indicar-lhe o melhor tratamento.

O médico treinado para examiná-lo é o dermatologista, mas se você for usuário do SUS (Sistema Único de Saúde), em geral, quem faz o primeiro atendimento é o clínico geral ou o médico de família, que também estão habilitados à avaliação e eventual encaminhamento ao especialista, caso seja necessário.

Como é feito o diagnóstico?

Na hora da consulta, o médico ouvirá a sua queixa, levantará seu histórico pessoal e familiar de saúde e realizará o exame físico para a identificação das lesões. Em geral, o diagnóstico se baseia nessas informações e, assim, ele é denominado diagnóstico clínico.

O dermatologista Egon Daxbacher, coordenador do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da SBD, diz que quando há dificuldade de diferenciar as lesões, ou se trate de quadros de repetição, o pedido de exame micológico é essencial.

"Trata-se de um raspado da pele que permite a visualização do microrganismo por meio do microscópio. Além disso, podemos solicitar a cultura desse material feita em laboratório, que leva mais tempo, mas acompanha o seu crescimento. Essas medidas permitem identificar o tipo de fungo e melhor direciona o tratamento", completa o especialista.

Como é feito o tratamento?

O objetivo é combater a infecção, e a estratégia terapêutica variará, a depender da extensão das lesões.
Caso a lesão seja pequena, além de orientações sobre medidas de higiene, são prescritos medicamentos antifúngicos tópicos (creme, pomada, spray), e que podem ser o suficiente para resolver o problema.

Já quando a doença atinge áreas mais extensas, o tratamento tópico não traz o resultado esperado, ou quando o paciente tem as defesas do corpo reduzidas, a indicação é a terapia sistêmica (por via oral), por vezes combinada com a tópica. O tipo de antifúngico utilizado corresponderá ao tipo de fungo identificado. A explicação é de Roberto Bueno Filho, médico dermatologista da USP de Ribeirão Preto.

"Espera-se que de 7 a 10 dias o paciente já apresente melhora, mas o tratamento deve ir além, geralmente por mais 1 semana. A ideia é garantir a eliminação de todos os fungos e prevenir que o problema se torne crônico", acrescenta Bueno Filho.

Quais são as possíveis complicações?

Elas são raras, assim como é difícil que os fungos invadam a corrente sanguínea. Apesar disso, o principal problema é o desconforto de ter lesões persistentes e coceira que, em geral, incomoda muito o paciente.

Uma vez tratada, a impingem pode voltar?

Sim. E as condições para que isso aconteça são a falta de controle dos fatores de risco (diabetes descontrolado, sudorese, exposição a calor, umidade, uso de roupa apertada etc.), descuido no tempo do tratamento (falta de adesão a ele), problemas no sistema de defesa do corpo e resistência aos medicamentos utilizados.

Dá para prevenir?

Sim. Para evitar que a impingem se apareça, adote as seguintes medidas:

  • Mantenha as doenças ou condições que reduzam as defesas do corpo sob controle;
  • Capriche na higiene pessoal, especialmente quando tiver de utilizar banheiros públicos, piscina, praia e academia. Nesses ambientes, prefira estar calçado;
  • Mantenha a pele limpa e seca, especialmente nas dobras do corpo;
  • Use roupas e sapatos confortáveis;
  • Evite ficar com roupa úmida ou molhada por tempo prolongado, especialmente em regiões mais quentes e durante o verão;
  • Procure não compartilhar roupas e objetos durante quadros de tinha ou de pessoas que apresentem a doença.

Fontes: Egon Daxbacher, dermatologista e coordenador do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia); Roberto Bueno Filho, médico dermatologista do HCFMRP-USP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo); Vivianne Lira da Camara Costa, dermatologista integrante do corpo clínico e do grupo coordenador da residência médica em dermatologia do HUOL-UFRN (Hospital Universitário Onofre Lopes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte), que integra a rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares). Revisão médica: Roberto Bueno Filho.

Referências: SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia); Yee G, Al Aboud AM. Tinha Corporis. [Atualizado em 2022 Abr 30]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK544360/.

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