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O que pode ser?

A partir do sintoma, as possíveis doenças


Dor nos ossos é sintoma de doença musculoesquelética; mais comum é fratura

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

08/03/2022 04h00

Os ossos são recobertos por uma fina membrana chamada periósteo. Como nela existem nervos, essas estruturas do corpo podem doer, o que é considerado uma das principais queixas das doenças musculoesqueléticas.

Quando o sintoma se manifesta, em geral a sensação dolorosa é descrita como profunda, penetrante ou contínua, imprecisa e de baixa intensidade.

A dor nos ossos pode acometer qualquer pessoa, independentemente da idade, mas é mais comum em indivíduos idosos, especialmente as mulheres. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), 20% a 33% da população mundial tem algum tipo de dor musculoesquelética, incômodo que pode ser persistente ou recorrente, e ainda atrapalhar o sono, a prática das atividades diárias, bem como a saúde mental e a vida profissional.

Embora a dor nos ossos seja um sintoma menos frequente do que as dores musculares e articulares e, na maioria das vezes, se relacione com algum tipo de fratura, ela também pode decorrer de tumores. Esta é a razão por que os médicos sugerem que a manifestação jamais seja ignorada.

Tal decisão poderia atrasar o diagnóstico e agravar o sintoma, tornando-o crônico. Aliás, uma intervenção rápida e especializada aumenta as chances de solução ou controle do problema.

O que é dor nos ossos?

Ela é definida como uma sensação dolorosa ou desconforto em um ou mais ossos, e na maioria das vezes é descrita pelos pacientes como uma dor profunda, penetrante ou contínua, e também surda, ou seja, ela é imprecisa e de baixa intensidade.

"Embora todas essas características relatadas pelos pacientes sejam subjetivas, em boa parte dos casos, não se trata de uma dor óssea propriamente dita, mas, sim, dores em algumas das partes moles ao redor do osso, como o periósteo, as inserções musculares, as cápsulas e ligamentos que existem nas articulações, que com ela se confundem", explica o ortopedista Marco Antonio Pedroni, professor da Escola de Medicina da PUC-PR.

Quais são as causas mais comuns da dor nos ossos?

Uma fratura causada por algum acidente ou estresse (sobrecarga mecânica sobre o osso) é considerada a causa mais frequente desse sintoma.

Além disso, a dor nos ossos pode decorrer das seguintes situações:

  • Infecções (como a osteomielite), mas podem ser outras como os abcessos
  • Inflamações (epicondilite, periostite)
  • Perda da densidade óssea (osteoporose)
  • Uso/carga excessivos
  • Doenças reumatológicas (artrite reumatoide, artrose etc.)
  • Tumor nos ossos (benignos e malignos)
  • Metástase (avanço do tumor para os ossos --câncer de próstata, pulmão, mama)
  • Falta de suprimento sanguíneo
  • Leucemia
  • Uso de determinados medicamentos (como os estimuladores de fatores de colônias de granulócitos, como o filgrastim).

Quem precisa ficar atento?

As dores musculoesqueléticas podem acometer todas as pessoas, em qualquer idade, inclusive crianças e adolescentes, mas são mais frequentes em idosos. A partir dos 60 anos, o problema é mais comum entres as mulheres.

Além disso, algumas condições aumentam o risco para o problema. Confira alguns exemplos:

Quando é a hora de procurar ajuda médica?

Alessandra Sousa Braz, professora de Reumatologia da UFPB, adverte que toda dor deve ser considerada um sinal de alerta.

"Se ela não passa depois de 7 a 15 dias, ou mesmo 4 semanas, o quadro deve ser avaliado por um médico, principalmente quando houver histórico familiar de doenças relacionadas ou mesmo doença pessoal prévia. Após 1 mês, a dor já é considerada subaguda e, passados 3 meses, é tida como crônica. Nesse caso, buscar ajuda médica é obrigatório", esclarece a especialista.

Os profissionais habilitados para essa avaliação são o clínico geral (generalista), o ortopedista ou o reumatologista. A depender do diagnóstico, esses especialistas poderão encaminhá-lo para um oncologista.

Como é feito o diagnóstico?

Na hora da consulta, o médico vai ouvir sua queixa, levantará seu histórico de saúde e ainda fará o exame físico. Este visa identificar alguma fratura ou pistas dela, como o desalinhamento de ossos, sensibilidade no local ou algum outro elemento que possa sugerir a presença de algum tumor.

Para confirmar a suspeita diagnóstica podem ser solicitados exames laboratoriais, além dos de imagem. "De modo geral, para a maioria dos diagnósticos, a radiografia é o suficiente. No entanto, a depender do quadro, a tomografia, a ressonância magnética, assim como o ultrassom poderão ser úteis", esclarece o ortopedista Guilherme Finardi Godoy, docente do curso de medicina da FOB-USP.

Quando há suspeita de metástase, o oncologista poderá acrescentar à radiografia outros exames mais sofisticados como a biópsia, exames de sangue específicos (a depender do quadro), cintilografia óssea, além da tomografia e ressonância magnética. A investigação extrapola a queixa para identificar outros focos de lesões que já podem estar presentes, mas não doem.

Como a dor nos ossos é tratada?

O tratamento dependerá da causa da dor. Isso significa que se a origem do problema é uma fratura decorrente da osteoporose, por exemplo, a estratégia terapêutica visará controlá-la.

A regra geral, para aliviar a dor musculoesquelética, é adotar as seguintes medidas:

  • Educação do paciente sobre sua condição e as formas não farmacológicas de controle da dor. Isso inclui atividade física na medida para você, repouso, gelo no local;
  • Uso de medicamentos como anti-inflamatórios (nas inflamações); antibióticos (infecções); analgésicos e até hormônios;
  • Terapias complementares como acupuntura, massagem e técnicas de relaxamento, além de fisioterapia, entre outros.

E quando a dor nos ossos decorre de um tumor?

Nem sempre a dor óssea em pacientes oncológicos sinaliza metástase. Portanto, caso um paciente com câncer tenha dor moderada ou ela se relacione a outros problemas médicos, o incômodo poderá ser tratado com analgésicos simples (dipirona, paracetamol, etc.).

Ademais disso, na oncologia, a dor óssea geralmente é localizada e intensa e, nesse caso, ela é controlada por meio de analgésicos mais fortes como os opioides (codeína, tramadol, etc.) e com o apoio de uma equipe multidisciplinar especializada em cuidados paliativos.

A oncologista clínica Marcelle Goldner Cesca, do A.C.Camargo Cancer Center (SP), explica que um dos objetivos do tratamento oncológico é oferecer qualidade de vida para esses pacientes, o que é mais fácil com essa atuação conjunta.

"O paciente não deve ter receio de usar esse tipo de medicação, porque o que se busca é prevenir que a dor se torne crônica, quadro que poderia levar à depressão e/ou alguma incapacidade."

A médica acrescenta que, para além desses recursos, outra estratégia possível é a radioterapia e procedimentos como a neurocirurgia.

Os perigos da automedicação

Os especialistas advertem que a automedicação deve ser evitada. Analgésicos e anti-inflamatórios têm efeitos colaterais, e podem levar a sobrecargas hepática, renal ou gastrointestinal.

Mesmo após o atendimento médico, se os sintomas persistirem, é preciso retornar ao médico para investigação mais profunda do quadro. Na presença de algum outro sintoma associado ou doença recente, essa providência é ainda mais importante.

Fontes: Alessandra Sousa Braz, médica reumatologista do HULW (Hospital Universitário Lauro Wanderley), que integra a rede Ebserh (Empresa Brasileira da Serviços Hospitalares) e professora de reumatologia da UFPB (Universidade Federal da Paraíba); Guilherme Finardi Godoy, médico ortopedista, docente do curso de medicina da FOB-USP (Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo); Marcelle Goldner Cesca, oncologista clínica do A.C.Camargo Cancer Center (SP); Marco Antonio Pedroni, médico ortopedista, professor da Escola de Medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) e presidente da SBQ (Sociedade Brasileira do Quadril). Revisão médica: Marcelle Goldner Cesca.

Referências: El-Tallawy, Salah N et al. "Management of Musculoskeletal Pain: An Update with Emphasis on Chronic Musculoskeletal Pain." Pain and therapy vol. 10,1 (2021): 181-209. doi:10.1007/s40122-021-00235-2.

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