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O que pode ser?

A partir do sintoma, as possíveis doenças


Balanite e balanopostite: causa mais comum é a falta de higiene no pênis

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

14/06/2022 04h00

Balanite e balanopostite são doenças inflamatórias do pênis. A primeira acomete a glande, conhecida popularmente como a "cabeça" do pênis; a segunda é definida como uma inflamação conjunta que acomete a glande e o prepúcio, ou seja, a pele que recobre o órgão.

Consideradas relativamente comuns, essas enfermidades podem se manifestar em homens de todas as idades. A balanopostite é mais frequente entre meninos e adultos com fimose, e chega a acometer de 12% a 20% do grupo masculino em todas as faixas etárias. Pessoas com diabetes e fimose, porém, estão mais propensas a terem esses processos inflamatórios.

Esses quadros variam em intensidade e, por vezes, a boa higiene local tende a aliviar sintomas como dor, coceira, vermelhidão e inchaço, e pode, em alguns casos, até resolver o problema.

No entanto, inflamações mais intensas podem requerer tratamento com antibióticos e/ou antifúngicos específicos, além do controle de enfermidades relacionadas, como o diabetes. Tudo isso, porém, pode ser prevenido com higienização diária, controle da umidade local e o uso de camisinha.

Entenda o que é balanite e balanopostite

O pênis pode ser acometido por inflamações seja na glande (cabeça), seja no prepúcio, a pele que recobre esta região.

Quando esse processo inflamatório se manifesta na "cabeça" do órgão, ele é chamado de balanite; quando isso acontece no prepúcio, ele é definido como postite.

Pode acontecer de a inflamação aparecer na glande e no prepúcio ao mesmo tempo. Nesses casos, a enfermidade é denominada balanopostite.

Por que isso acontece?

Entre os adultos, a causa mais comum dessas inflamações é a falta de higiene local. Nas crianças, na maioria das vezes, a origem decorre de uma infecção bacteriana.

Apesar disso, essas doenças podem estar relacionadas às seguintes situações:

Doenças inflamatórias da pele (como por exemplo, a dermatite de contato)
Infecções bacterianas ou fúngicas (por Candida albicans, Staphylococcus aureus, Streptococcus, bactérias anaeróbicas e infecções sexualmente transmissíveis)
Traumas
Viroses (HPV)
Fimose
Uso de determinados medicamentos (anti-inflamatórios não esteroidais, sulfa, barbituratos, entre outros)
Lesões pré-cancerígenas e câncer de pênis (mais raramente)
Exposição a substâncias irritantes ou que causam alergias (sabonetes mais agressivos)

"Um fator de risco importante é o diabetes", fala o urologista André Biondi Ferraz, médico assistente da Clínica Urológica do HU-UFPI. "Essas doenças, muitas vezes, decorrem de uma alteração nas defesas do corpo, e tal mudança favorece a colonização e a infecção por agentes patogênicos como a Candida albicans. Em algumas situações, elas serão o primeiro sintoma do diabetes, diagnóstico antes desconhecido pelo paciente", completa o especialista.

Quem precisa ficar atento?

Balanite e balanopostite podem aparecer em homens de todas as idades. Entre os pequenos, elas são mais frequentes no período de 2 e 5 anos, dada a presença de fimose ou problemas com a higiene local. Já nos adultos, as situações que aumentam a chance de ter essas inflamações são:

Diabetes
Impossibilidade de exposição da cabeça do pênis (fimose)
Imunossupressão consequente ao uso de medicamentos por pessoas com transplante ou em quimioterapia
Desnutrição
Presença de neoplasia (câncer)

Saiba reconhecer os sintomas

As manifestações mais comuns da balanite e da balanopostite são as seguintes:

Dor
Coceira
Rubor (vermelhidão)
Inchaço
Secreção com mau cheiro
Choro inconsolável (entre crianças pequenas)
Mudança de odor local
Estreitamento do canal da uretra (estenose)
Dor ao urinar
Pequenas feridas ou lesões na pele
Cicatrização
Fissuras (rachaduras)
Bolhas, vesículas

Quando devo procurar ajuda médica?

Essas inflamações podem variar em intensidade. Portanto, em alguns casos, maior atenção com a higienização pode solucionar o problema. Apesar disso, o quadro pode ser mais intenso e os sintomas vão evoluir.

Caso os sintomas persistam, piorem e ainda sejam acompanhados por febre, cansaço e mal-estar, é preciso procurar um médico.

O especialista indicado para avaliá-lo é o urologista ou o dermatologista, mas se não houver acesso a estes especialistas em sua região, um generalista (clínico geral) pode examiná-lo e fazer o devido encaminhamento, se for o caso.

Como é feito o diagnóstico?

Na hora da consulta, o profissional ouvirá a sua queixa, levantará seu histórico de saúde e fará o exame físico. O diagnóstico é feito com base nesses dados, por isso é chamado de diagnóstico clínico.

Quando houver dúvidas sobre a origem das inflamações, o médico poderá solicitar exames complementares para identificação dos agentes infecciosos (cultura, pesquisa bacteriológica, exames para identificação de ISTs), doenças autoimunes não diagnosticadas, e até mesmo biópsia para investigar a presença de lesões pré-cancerígenas.

Como é feito o tratamento?

Ele dependerá da causa das inflamações, mas o objetivo do tratamento é aliviar os sintomas e cessar o processo inflamatório.

As estratégias que os médicos podem adotar são as seguintes:

Orientações sobre higiene e cuidados locais
Tratamento de condições predisponentes (fimose, diabetes, por exemplo)
Medicamentos (tópicos e orais [antibióticos, antifúngicos, corticoides de baixa potência], a depender da gravidade do quadro)
Cirurgia (nos casos em que haja diagnóstico de fimose)

Quando o tratamento é efetivo, espera-se que em 2 ou 3 dias haja redução dos sintomas. Em 1 ou 2 semanas e, no máximo, em 30 dias, a recuperação deverá ser completa.

Possíveis complicações

Embora raro, pode haver agravamento das inflamações com progressão para áreas próximas, inclusive regiões mais profundas da pele.

"Entre aqueles que têm inflamações repetidas, uma possível complicação é a cicatrização do prepúcio, o que impede a adequada exposição da glande (fimose), principalmente quando o pênis está ereto", esclarece o urologista Francisco Kanasiro, integrante do Departamento de Urogeriatria da SBU e chefe do Grupo de Disfunções Miccionais, Urodinâmica e Uretra do Hospital Santa Marcelina (SP).

Por que alguns pacientes não respondem ao tratamento?

A não resposta ao tratamento pode decorrer de vários fatores, como a não identificação correta da causa, a falta de adesão às orientações médicas e à terapia, bem como a manutenção do possível fator desencadeante das inflamações, como por exemplo, o diabetes de difícil controle ou a presença do prepúcio quando já houve indicação de remoção (circuncisão). A explicação é de Carlos Augusto Fernandes Molina, professor do Departamento de Cirurgia e Anatomia da FMRP-USP.

"Definir a causa das inflamações, educar o paciente sobre a importância de realizar o tratamento correto, bem como do controle sistêmico adequado (como manter a glicemia sob controle) ou local (com a remoção do prepúcio que recobre a glande do pênis) são as soluções para esses casos", completa Molina.

O que é balanite xerótica obliterante?

Trata-se de uma doença inflamatória crônica que acomete a glande e o prepúcio. Ela se apresenta por meio de manchas pálidas ou avermelhadas, branqueamento ou vermelhidão da glande, do prepúcio e do sulco coronal, além do espessamento da glande e do prepúcio.

Por vezes, pode aparecer um anel —semelhante a uma cicatriz— na ponta do prepúcio, quadro que pode impedir a sua retração, e que pode se transformar em uma fimose e também levar a ereções dolorosas. Os médicos também podem se referir a essa enfermidade como líquen escleroso.

A doença pode evoluir para o estreitamento da uretra, o que geraria dificuldades para urinar, jato fraco e retenção da urina.

Balanopostite e balanite são doenças transmissíveis?

Os especialistas consultados afirmam que, a princípio, essas enfermidades não são transmissíveis. No entanto, algumas ISTs podem se apresentar com quadro semelhante de dor, vermelhidão, secreção, bolhas ou úlceras no pênis. Essa é a razão pela qual esses sintomas não devem ser desprezados e devem motivá-lo a procurar o médico para fazer o correto diagnóstico e indicar o tratamento adequado.

Dá para prevenir?

Sim, e a melhor forma de prevenção é caprichar na higiene local. Para fazer isso, basta expor a glande e lavá-la com água e sabão todos os dias, inclusive após as relações sexuais. Manter a região seca e livre de umidade também reduz, e muito, a chance de ter uma inflamação local. Lembre-se de lavar as mãos antes de urinar e após tocar seu pênis.

Outra providência preventiva é usar camisinha. A medida reduz o risco de ter uma IST como a gonorreia e o HPV.

Fontes: André Biondi Ferraz, urologista membro da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) e médico assistente da Clínica Urológica do HU-UFPI (Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí), que integra a rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) e também do HILP (Hospital Infantil Lucidio Portela) em Teresina; Carlos Augusto Fernandes Molina, professor do Departamento de Cirurgia e Anatomia da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo); Francisco Kanasiro, médico urologista especialista pela SBU e integrante do Departamento de Urogeriatra da mesma instituição; é também chefe do Grupo de Disfunções Miccionais, Urodinâmica e Uretra do Hospital Santa Marcelina (SP). Revisão médica: André Biondi Ferraz.

Referências: REIS, Rodolfo B. et al. Guia rápido de urologia - GRU, SBU-SP. Lemar. São Paulo. 2012. Disponível em https://sbu-sp.org.br/admin/upload/manual_gru_completo.pdf; Perkins OS, Cortes S. Balanoposthitis. [Atualizado em 2022 May 8]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK553050/.

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