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Victor Machado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Entenda o que é o comer emocional e como ele pode estar te atrapalhando

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Victor Machado

Victor Machado é nutricionista, pós-Graduado em nutrição esportiva e em nutrição Comportamental. Atua com foco em comportamento alimentar e é o idealizador da marca Nutrição Sincera, que tem como objetivo passar informações sobre saúde, alimentação e bem-estar por meio do humor.

Colunista do UOL

01/11/2021 12h13

Em tempos de pandemia, além da insegurança alimentar e do aumento da fome, aumentou também a desregulação alimentar no que se refere ao ato de comer emocional. Esse comportamento está relacionado com as emoções dos indivíduos e ocorre quando existe o ato de comer como resposta a um gatilho emocional (e não ao estímulo da fome). E não necessariamente esse gatilho precisa ser tristeza ou raiva: emoções positivas, como alegria e excitação, também podem ativar esse tipo de resposta.

O problema do comer emocional é que ele, muitas vezes, vem acompanhado de um exagero alimentar que traz prejuízos para quem acaba sempre cedendo a essa necessidade de ingerir comida para preencher um vazio emocional.

Fome emocional x fome física

Antes de tudo, precisamos entender a diferença entre fome emocional e fome física. Quem come com base nas emoções não sente o sinal físico de desconforto provocado pela fome, e sim um desejo de comer algo específico para aliviar sentimentos como medo, angústia ou tristeza. Ou, ainda, sente que precisa comer para comemorar alguma data especial e/ou alguma conquista.

Já a fome física acontece quando existem sensações físicas como o estômago roncando ou até mesmo dor de cabeça, fraqueza ou falta de disposição. Repare que, para atender a essas necessidades fisiológicas, o corpo não precisa de nenhum alimento específico, apenas dos nutrientes.

Comer para trazer conforto e abraçar o coração não é um problema, mas começa a se tornar preocupante quando a frequência com que isso ocorre se torna grande.

Durante a pandemia, o comer emocional veio à tona de maneira mais forte pois, além das perdas de entes queridos que algumas pessoas tiveram, muitos também perderam hábitos simples e prazerosos dentro da rotina.

É o caso, por exemplo, de sair para tomar café com amigos ou até mesmo praticar atividade física em grupo e momentos de lazer que foram cancelados devido o isolamento social. E, para compensar isso, como recurso de busca de prazer, o corpo foi em busca de algo que pudesse aliviar essa falta —é aí que, para muitos, entrou a comida.

Outro fator muito predominante em tempos de pandemia é que, por conta desse descontrole emocional, muitos acabaram ganhando peso e, depois, veio o desespero por emagrecer. Isso fez com que algumas pessoas buscassem métodos envolvendo restrição severa, o que pode intensificar o ato de comer emocional, já que qualquer privação excessiva —de sono, sexo, boas relações— traz consequências para todo mundo. E querer se privar de comer tende a intensificar os pensamentos sobre comida que cria um ciclo de comer emocional seguido de culpa e um comer excessivo para aliviar a culpa.

Portanto, o segredo para lidar com o comer emocional é aprender a identificar quais são as emoções que você está sentindo. Não tem problema querer comer para comemorar ou quando se está triste. Mas será que a comida é a única coisa que pode gerar conforto nesses momentos? Às vezes, uma boa conversa com alguém que você ama já é o suficiente para suprir suas faltas emocionais. Pode ser que uma música seja suficiente, ou até mesmo um banho ou qualquer outra forma de autocuidado.

O ideal é que você consiga prestar atenção em você nos momentos em que estiver comendo, seja em excesso ou para aliviar algum sentimento. Observe o que você está sentindo ou o que pode estar incomodando. Dessa forma, fica mais fácil aprender a lidar com os momentos em que a comida surge como válvula de escape para algum sentimento.

Sair do automático e ter autonomia sobre as suas escolhas alimentares é um belo caminho para estar em paz com a comida. Isso vai muito além de apenas fazer uma dieta e tem a ver com entender como e por que você come.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL