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Victor Machado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Para emagrecer, não elimine tudo de uma vez

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Victor Machado

Victor Machado é nutricionista, pós-Graduado em nutrição esportiva e em nutrição Comportamental. Atua com foco em comportamento alimentar e é o idealizador da marca Nutrição Sincera, que tem como objetivo passar informações sobre saúde, alimentação e bem-estar por meio do humor.

Colunista do UOL

07/06/2021 04h00

As principais causas para as restrições severas através da dieta são a busca pelo emagrecimento e a tentativa de se encaixar em um padrão de imagem corporal imposto socialmente. Esses fatores envolvem a eliminação de grupos alimentares como os de alta densidade calórica e os ultraprocessados.

Além desses, muitas vezes alimentos in natura são excluídos simplesmente por serem considerados inapropriados para quem deseja emagrecer. Dentre eles, podemos citar o grupo dos carboidratos, carnes com cortes mais gordurosos e, às vezes, até frutas consideradas com alto índice glicêmico (velocidade que o nível de açúcar aumenta no sangue após a ingestão de um alimento).

Tudo bem que alimentos ultraprocessados estão envolvidos diretamente com o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão e obesidade. Mas, esse é apenas um dos fatores dentre outras causas relacionadas como fatores ambientais, genética e o comportamento envolvido no consumo desses alimentos.

Por isso é importante a educação nutricional para entender melhor do que se tratam esses alimentos industrializados, além de discernimento para entender a influência da mídia para consumo dos mesmos.

Muitas vezes, tratar o alimento como se fosse apenas "lixo" ou algo proibido pode não facilitar a adesão de consumo equilibrado dos mesmos. Para algumas pessoas, o fato de um alimento ser chamado de "veneno", mas ao mesmo tempo ser algo que ela gosta muito e não consegue parar de comer, pode ser o suficiente para piorar a relação que elas têm com a comida por trazer uma sensação de fracasso na tentativa frustrada de não consumir consumi-los mais.

Sendo assim, é importante melhorar a relação com a comida e entender que talvez esses alimentos possam fazer parte da vida dessa pessoa, desde que ela consiga ter equilíbrio para consumir quantidades que estejam dentro de um limite considerado saudável.

Entenda que isso não é um incentivo a consumir alimentos ultraprocessados, com excesso de açúcar e outros condimentos. Mas se trata de um convite para entender que cada um tem a sua história com determinados alimentos.

Melhorar a relação com os alimentos pode ser um caminho mais interessante do que tentar eliminar tudo de uma vez só, porque alguém famoso falou na internet que faz mal. Entenda primeiro qual a sua história e a importância que esse alimento tem na sua vida, saiba quais as consequências do excesso e tenha compromisso de cuidar da saúde sem necessariamente precisar de rigidez para isso.

Em relação aos alimentos in natura, que muitas vezes são excluídos da alimentação, qual seria o embasamento para isso? Uma celebridade que falou que low-carb é a melhor dieta do mundo ou um famoso que posta foto do corpo nas redes sociais atribuindo esses resultados a sua alimentação?

Mas a pergunta que realmente importa é: isso faz sentido para você? Se alguns desses alimentos como batata, cuscuz, tapioca, pão ou arroz fizeram parte da sua alimentação e representam algum valor afetivo, por que excluir por causa de um influenciador digital?

São apenas alimentos e, só porque a exclusão desses alimentos deram resultados estéticos para alguém, não quer dizer que essa seja a forma correta de se alimentar.

Ao invés de tentar eliminar todos os carboidratos, tente observar se o consumo não está acontecendo de forma exagerada na sua vida. Observe também se eles são consumidos sozinhos ou acompanhados de outros alimentos fontes de proteínas ou gorduras boas.

Um prato de arroz branco com feijão, uma fonte de proteína como carne, frango, peixe ou ovo, além de uma porção de vegetais não tem o mesmo impacto de um prato composto apenas de arroz.

Portanto, tente se concentrar em entender como é a composição da sua alimentação como um todo e a frequência do consumo de carboidratos. Não se trata apenas de eliminar porque alguém falou, mas de entender como está a sua alimentação.

Isso envolve olhar para dentro, se conhecer e se responsabilizar pelas próprias escolhas alimentares. Ter um profissional de nutrição e de psicologia pode ajudar bastante nesse processo.

Entenda também quais são as razões para esse emagrecimento. Não tem problema nenhum querer emagrecer, mas isso não precisa acontecer a qualquer custo e com base no sofrimento.

Escolher um caminho tranquilo de acordo com as suas limitações faz com que o processo do emagrecimento seja prazeroso e assim você não precisa eliminar todos os alimentos que gosta sem uma razão ou por más influências.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL