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Victor Machado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Protocolos de limpeza hepática realmente funcionam?

Getty Images
Imagem: Getty Images
Victor Machado

Victor Machado é nutricionista, pós-Graduado em nutrição esportiva e em nutrição Comportamental. Atua com foco em comportamento alimentar e é o idealizador da marca Nutrição Sincera, que tem como objetivo passar informações sobre saúde, alimentação e bem-estar por meio do humor.

Colunista do UOL

19/04/2021 04h00

Sabemos que as dietas detox são muito populares na internet. Existem aquelas que se baseiam na utilização de sucos, sopas ou alimentos específicos para estimular a liberação de toxinas pelo organismo. E normalmente estão relacionadas com a promessa de longevidade, emagrecimento e, até mesmo, com a cura de algumas doenças crônicas.

Dentre os métodos de destoxificação, uma receita conhecida como "Protocolo de Limpeza Hepática" surge com a proposta de eliminar cálculos biliares do fígado e da vesícula sem a necessidade de cirurgia. Através da combinação de limão, azeite, sulfato de magnésio e suco de maçã.

A presença do suco de maçã se da por conta do ácido málico existente na fruta e, em alguns protocolos é orientada a ingestão desse ácido puro para elaboração da receita.

Esse método de limpeza foi retirado de um livro do autor alemão Andreas Moritz e, além dos ingredientes mencionados, consiste em uma semana com longos períodos de jejum e restrições alimentares incluindo carnes, laticínios e alimentos ricos em gorduras.

Um fato interessante é que o ácido málico, de fato, tem relação com a eliminação de toxinas pelo fígado, mas quando consumido em excesso pode provocar diarreia e náuseas.

A orientação para consumi-lo puro nos protocolos de limpeza é argumentada por alguns gurus da internet como uma estratégia para não ingerir a frutose da maçã.

É importante lembrar que a maçã é rica no ácido cafeico que está relacionado com a prevenção de Alzheimer, rica em pectina que é uma fibra interessante para quem tem colesterol elevado, além de auxiliarem o organismo contra a inflamação.

Além de o protocolo de limpeza hepática até o momento ser duvidoso, a população também é induzida a não comer frutas, que são importantes para saúde, por um simples terrorismo nutricional.

O que prova a mentira desse método é um artigo publicado pela revista cientifica The Lancet em que foi comparada a composição química de cálculos biliares e dos cálculos expelidos no protocolo e, estas "pedrinhas verdes" por sua vez são apenas resíduos da reação química provocada entre o contato do azeite com o ácido cítrico do limão.

Sendo assim, o protocolo de limpeza hepática não elimina nenhuma "pedra" e também não apresenta benefícios comprovados para a saúde.

Não custa nada lembrar que o básico funciona... Comer vegetais, frutas, hortaliças e não depender de nenhum protocolo específico para ter saúde. Alimentação e bem-estar não tem nada a ver com "pílula mágica", protocolo de limpeza milagroso ou estratégias mirabolantes.

Ao invés de consumir azeite em um suco, você pode adicionar nos vegetais ou até mesmo no preparo de alguns alimentos. Como foi dito anteriormente, não há problema nenhum em inserir a maçã na sua alimentação e, de forma alguma ela pode te inflamar por causa da frutose. Ao contrário — o consumo de maçã auxilia na redução da inflamação.

Se quiser consumir suco de limão também não tem problema, e não precisa fazer jejum se não houver nenhuma indicação clinica para isso. E não há motivos para ingerir sulfato de magnésio se você não está passando por convulsões ou por arritmias cardíacas.

Portanto, se quiser consumir os alimentos do protocolo, faça isso de forma convencional e sem misticismo. Pois esse método de limpeza não funciona.

Cuidar da saúde é mais simples do que você imagina e envolve se sentir bem com o seu corpo, ter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física sem esquecer da hidratação. Assim, nenhum cálculo vai aparecer na sua vesícula ou rim e você provavelmente não vai precisar de cirurgia ou protocolo milagroso de internet.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL