PUBLICIDADE

Topo

Victor Machado

Ovo sobe o colesterol ruim? Não é bem assim! Saiba mais sobre esse alimento

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto
Victor Machado

Victor Machado é nutricionista, pós-Graduado em nutrição esportiva e em nutrição Comportamental. Atua com foco em comportamento alimentar e é o idealizador da marca Nutrição Sincera, que tem como objetivo passar informações sobre saúde, alimentação e bem-estar por meio do humor.

Colunista do UOL

25/01/2021 10h18

Antigamente era bem comum acreditar que os alimentos de origem animal ricos em colesterol tinham a capacidade de aumentar os níveis de colesterol sanguíneo.

Sendo assim o ovo, por ser um desses alimentos, foi bastante injustiçado, sendo muitas vezes recomendando evitar o seu consumo, dando preferência a alimentos industrializados com a presença de gordura vegetal. Hoje sabemos que na verdade a maior parte do colesterol do organismo é produzido pelo fígado.

Os ovos, que passaram por altos e baixos na ciência, indo de mocinho a vilão ao longo dos anos, demonstram um efeito benéfico na nossa saúde cardiovascular, pois a maioria dos estudos não encontraram diferenças no aumento das frações de colesterol, tanto no LDL, que é vulgarmente chamado de colesterol ruim, nem no HDL que é considerada a fração boa do colesterol.

Já em outros estudos que apontaram aumento do colesterol pelo consumo de ovos, foi observado que o HDL aumentava mais que o LDL, além de ter sido observado que na verdade são as partículas de HDL que aumentam com esse consumo.

Isso indica um fator de proteção, já que um colesterol com alta taxa de HDL, ou seja, com alta densidade, não oxida facilmente nas nossas artérias. Ao contrário do colesterol de baixa densidade.

Reparem que isso não tem a ver apenas com o fato de consumir o ovo inteiro, mas, sim, com os antioxidantes e os carotenoides presentes na gema. Portanto, o excesso de gordura saturada não é indicado por ter uma relação com doenças cardiovasculares.

Apesar dos estudos utilizarem uma média de 3 a 4 ovos por dia, precisamos levar em consideração que esse consumo deve ser observado de forma individual, já que em um dia podemos comer outras fontes de proteínas com a presença de gordura, como carne bovina e queijo. Lembrando também que quando falamos de uma pessoa ovolactovegetariana (que só consome proteínas dos lácteos e dos ovos) a quantidade ideal acaba modificando também.

No fim das contas, ovos são nutritivos e fazem parte de um hábito alimentar saudável por serem uma fonte fácil de proteínas e pelo seu aporte de vitaminas e minerais, portanto podem ser consumidos diariamente.

Ao contrário do que já foi incentivado pela indústria, consumir alimentos ultraprocessados, ricos em gordura hidrogenada, como a margarina e os óleos refinados, é justamente o oposto do que buscamos quando priorizamos a saúde do nosso colesterol.

Até hoje temos no mercado margarinas que dizem no rótulo que são "amigas do coração" por serem de origem vegetal, mas que são ricas em gordura trans, sendo assim um alimento de péssima qualidade para saúde vendido sob a ideia de uma mentira descarada.

Nesse caso é importante ter em mente que caso esses ultraprocessados façam parte da sua alimentação, não precisa se desesperar, mas reflita se é possível melhorar seus hábitos alimentares com a inserção de alimentos mais naturais de tal forma que você consiga priorizardescascar mais e desembalar menos.

Sendo assim, o básico da nutrição funciona: priorizar o consumo de frutas e vegetais por serem fontes de fibras, vitaminas e minerais.

Além disso, o consumo de ovos se torna indicado por ser um alimento completo que contém as vitaminas do complexo B e também as vitaminas A, D e E, que são importantes para que as células do nosso organismo funcionem de forma regulada.