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Victor Machado

Qual a verdade sobre o leite? Saiba o que é mito e o que é verdade

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Victor Machado

Victor Machado é nutricionista, pós-Graduado em nutrição esportiva e em nutrição Comportamental. Atua com foco em comportamento alimentar e é o idealizador da marca Nutrição Sincera, que tem como objetivo passar informações sobre saúde, alimentação e bem-estar por meio do humor.

Colunista do UOL

16/11/2020 04h00

O leite tem um status de alimento completo na nossa vida desde a infância, sendo conhecido como o principal fornecedor de cálcio para a formação óssea. É considerado um alimento capaz de prevenir a osteoporose e também uma fonte de proteínas para o crescimento e demais funções do nosso organismo, como a reparação de tecidos musculares. Porém, há cerca de 10 anos vem dividindo opiniões de profissionais de saúde e consumidores sob a imagem de vilão por ser categorizado como um alimento altamente inflamatório para nosso organismo. Mas será que o leite, que era tão querido, mudou mesmo de lado?

Primeiro, precisamos esclarecer que não existe alimento vilão. Nem leite, nem pão, nem mesmo o açúcar. Podemos chamar de vilão o antigo inimigo do Batman, o Coringa. Alimentos apenas são alimentos e não podemos generalizar que são superalimentos nem vilões para todo mundo, pois cada organismo reage de um jeito diferente para cada alimento que consome. Portanto, não existe verdade absoluta na nutrição.

Quando pensamos nos processos inflamatórios do leite estamos falando da presença das proteínas específicas dos lácteos: caseína e betalactoglobulina. Essas, por sua vez, podem ter um alto peso molecular dentro do intestino e, dependendo de como estiver a saúde intestinal da pessoa, podem agravar uma situação, com a presença de sinusite, o agravamento da asma ou o aparecimento de espinhas, por exemplo. Nesses casos, estamos falando de pessoas que reagem de forma alérgica ao leite.

Se você sente algum sintoma como os citados nas reações alérgicas, a solução seria utilizar as fontes vegetais, como os extratos de amêndoas, coco, arroz, inhame e as castanhas em geral. Outra solução seria avaliar os laticínios em que a caseína está mais hidrolisada (quebrada) dentro do alimento. Sugestões são: ricota, cottage, queijos brancos em geral.

No caso da intolerância à lactose, a pessoa já apresenta um grande desconforto intestinal, que pode soltar ou prender demais o intestino, podendo também apresentar muitos gases. E isso acontece porque alguns organismos não apresentam a enzima lactase, que quebra a lactose dentro do intestino. Sendo assim, aqueles que consomem lácteos sem a presença de lactose e que não apresentam nenhuma reação alérgica podem continuar consumindo os alimentos derivados do leite tranquilamente, desde que na versão sem lactose.

Caso você não apresente nenhum dos sintomas apresentados acima e o leite ou outros derivados fizerem parte da sua rotina, não tem problema continuar o consumo desses alimentos. Lembrando sempre da moderação, da variedade de alimentos e das outras fontes de proteínas, como carnes, peixes, ovos, leguminosas.

Existe uma falácia sobre o leite não poder ser consumido por seres humanos, pois dizem que somos os únicos mamíferos que consomem leite na fase adulta e que não somos bezerros. Bom, é importante lembrar que também somos os únicos mamíferos que utilizam a internet e as redes sociais.