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Blog da Sophie Deram

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

'Segue o Guia': associação lança campanha para promover o Guia Alimentar

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Sophie Deram

Sophie Deram é uma nutricionista franco-brasileira, autora do best-seller ?O Peso das Dietas?, palestrante, pesquisadora e doutora pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) no departamento de endocrinologia. Defende a importância do prazer de comer para a saúde e a ideia de comer melhor e não menos. Sophie não acredita nas dietas restritivas e no ?terrorismo nutricional?. Desenvolve programas online para transformar a relação das pessoas com comida e ensina profissionais de saúde sobre nutrição que alia ciência e consciência.Leia mais no site da Sophie Deram: https://www.sophiederam.com/br/

Colunista do UOL

20/04/2022 04h00

A Asbran (Associação Brasileira de Nutrição) lançou a campanha "Segue o Guia". O objetivo é contribuir para que profissionais de saúde do SUS (Sistema Único de Saúde) aprendam a usar o Guia Alimentar para a População Brasileira e tornem as recomendações contidas nesse documento acessíveis a todos.

Eu apoio o Guia Alimentar, que foi lançado em novembro de 2014 e já está na sua segunda edição. Ele é pioneiro e elogiado no mundo inteiro.

Fiquei muito lisonjeada e honrada por ter sido convidada pela presidente da Asbran, Ruth Guilherme, para apoiar o Guia nessa campanha, juntamente com Gisele Bortolini, do Ministério da Saúde, e Élido Bonomo, presidente do CFN (Conselho Federal de Nutricionistas).

Entenda mais sobre ela e conheça melhor nosso Guia:

A campanha "Segue o Guia"

A campanha "Segue o Guia" deve durar o ano todo de 2022 e foi lançada pela Asbran no dia 11 de abril, em parceria com a Opas (Organização Pan-americana da Saúde) e a CGAN (Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição).

A campanha é voltada principalmente para equipes atuantes na Atenção Primária à Saúde, do SUS. Estão previstas a realização de oficinas, debates e a publicação de materiais que contribuam para que os profissionais aprendam a usar o Guia no dia a dia e tornem suas recomendações aplicáveis a toda a população.

Em 2014, o Ministério da Saúde, com apoio da Opas e em parceria com o Nupens/USP (Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo), lançou uma segunda edição, substituindo as primeiras diretrizes oficiais para a alimentação dos brasileiros.

Essa edição mais recente do Guia é elogiada no mundo inteiro e passou por consulta pública, sendo uma construção democrática que contou com a participação de muitos setores da sociedade. Ele tem a saúde e a alimentação como direitos humanos básicos e configura-se como uma das mais importantes estratégias de promoção da alimentação saudável.

Além disso, está de acordo com o preconizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) por meio da Estratégia Global para a Promoção da Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde, bem como com a nossa Política Nacional de Alimentação e Nutrição, que busca a promoção da alimentação adequada e saudável.

O Guia Alimentar está alinhado com o Método Sophie

Com isso, o Guia traz uma regra de ouro: "Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados". Ele é pioneiro em incentivar o consumo de comida fresca e caseira. Assim, o Método Sophie, o método de atendimento que desenvolvi para profissionais de saúde, assim como todo o meu trabalho, está alinhado a esse documento tão importante para a promoção da alimentação saudável.

Um dos pontos mais inovadores do Guia é ter como base a classificação Nova, que considera a influência do processamento de alimentos na saúde das pessoas e categoriza os alimentos em:

  • In natura ou minimamente processados: os alimentos in natura são aqueles que saem da natureza e chegam até a nossa mesa sem passar por processamento. Temos como exemplos as frutas, sementes, folhas, verduras, legumes, carnes, leite, ovos. Enquanto os minimamente processados são aqueles que necessitam de algum grau de processamento até chegarem ao consumidor, como o trigo, que é moído antes de ser transformado em farinha, os feijões, que são secos e embalados, ou o leite pasteurizado.
  • Ingredientes culinários: são as gorduras como azeite, óleos vegetais, manteiga, além do açúcar e sal, utilizados em pequenas quantidades para temperar os alimentos e transformá-los em deliciosas preparações.
  • Alimentos processados: passam por processamentos que incluem a adição de sal, açúcar ou gordura, como as compotas de frutas, legumes em conserva e queijos. Devem ser consumidos com moderação no preparo de refeições.
  • Alimentos ultraprocessados: são alimentos que geralmente contêm muito pouco da matéria-prima inicial e apresentam uma grande quantidade de aditivos alimentares, além de gorduras, açúcares e sal. É o caso dos refrigerantes, bebidas lácteas, sucos de caixinha, salsichas e cereais matinais. Quem deseja comer melhor pode começar reduzindo os processados.

Mas não é só isso. Para além de considerar o processamento dos alimentos, o Guia é uma fonte de informações confiável, acessível e de fácil compreensão, que busca a autonomia das pessoas e a promoção da saúde.

Ele não foca na perda de peso, nem propõe uma forma padronizada ou correta de se alimentar, já que as possibilidades de preparo e combinações de alimentos saudáveis são inúmeras. Em vez disso, incentiva o consumo de alimentos de melhor qualidade, cujas produção e distribuição produzam menor impacto no meio ambiente, promovam justiça social e façam parte da cultura das pessoas.

10 passos para uma alimentação adequada e saudável

Para você conhecer um pouco mais do Guia Alimentar para a População Brasileira, trago aqui os 10 passos para uma alimentação adequada e saudável, que se constituem como um verdadeiro resumo dos cinco capítulos contidos nesse documento. Confira:

  1. Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação.
  2. Utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias.
  3. Limitar o consumo de alimentos processados.
  4. Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados.
  5. Comer com regularidade e atenção, em ambientes apropriados e, sempre que possível, com companhia.
  6. Fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in natura ou minimamente processados.
  7. Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias.
  8. Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece.
  9. Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora.
  10. Ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais.

Segue o Guia!

Bon appétit

Sophie Deram