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Roberto Trindade

Você já tem um médico da família para chamar de seu?

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Imagem: iStock
Roberto Trindade

Professor universitário e médico da família e comunidade na Zona Leste de São Paulo, Roberto Trindade é formado pela Escuela Latinoamericana de Medicina, em Cuba. Possui especialização em pediatria clínica pelo CAEPP (Centro de Apoio Ensino e Pesquisa em Pediatria‎) e em medicina da família e comunidade pela SBMFC (Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade)

Colunista do VivaBem

10/09/2020 04h01

A Medicina de Família e Comunidade não é uma especialidade que trata de um grupo de doenças específica ou de um órgão determinado. Somos comprometidos em primeiro lugar com a pessoa, esteja esta doente ou não.

Procuramos entender como nossos pacientes experimentam o adoecimento e suas consequências. Os sentimentos a respeito do problema, as ideias sobre o que está errado, a limitação nas atividades e expectativas quanto ao que podemos fazer são explorados, permitindo um atendimento personalizado e compartilhado com o paciente, que assume o papel central no cuidado —não sua doença.

Atendemos desde a vida intrauterina (durante o Pré-Natal) até os últimos momentos da vida. Nossos pacientes crescem e se desenvolvem sob nossos cuidados, fortalecendo o vínculo conosco e com a equipe de saúde.

Esta relação, construída ao longo do tempo e a cada encontro, tanto com a pessoa quanto com sua família e vizinhos, é de suma importância para o sucesso deste acompanhamento. Cada encontro com as pessoas que atendemos é uma oportunidade de estreitar esse laço, de prevenir doenças e promover saúde.

Falando em encontro com as pessoas, não fazemos isso somente nos consultórios: encontramos estas pessoas também em suas casas e em outros ambientes da comunidade. Conhecer o ambiente em que as relações das pessoas se desenvolvem nos ajuda a entender o contexto e as complexidades de cada indivíduo. Ao conhecer o ambiente que as pessoas vivem podemos planejar ações que visem o bem-estar desta coletividade.

Depois de ler até aqui você pode estar pensando: "Legal. Um médico que me acompanha durante toda a vida, busca me entender além da doença e ainda me visita em casa! Mas se eu ficar realmente doente, ele vai me encaminhar para o especialista?". Essa é uma pergunta bastante comum. E eis aqui um diferencial: podemos lidar com até 90% dos problemas de saúde. E quando for realmente necessário um encaminhamento ao especialista, este será feito de forma mais qualificada. Nem toda dor de cabeça precisa de um neurologista, por exemplo. Com isso, evitamos intervenções desnecessárias, sejam elas para diagnóstico (exames), sejam para tratamento, que geram risco à saúde das pessoas.

"Ótimo. Então, se eu precisar, o médico da família me encaminha a outro especialista. Mas, se vou passar com outro médico, esse acompanhamento por toda a vida não existe!". Existe, sim! Mesmo que você esteja em acompanhamento com um especialista, o médico de família continuará acompanhando você e tudo o que está fazendo.

Para nós, o conceito de "alta médica" não existe: estaremos sempre com você e com sua família, coordenando o cuidado que foi compartilhado com outra especialidade. De igual forma, compartilharemos o seu cuidado com outros profissionais da área da saúde (fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, para citar algumas) sempre que seja importante para o seu bem-estar físico e mental.

Termino com duas frases que resumem nossa atuação e valores:

"Fui a tantos lugares nos últimos meses para tratar da minha saúde, preciso de alguém que junte tudo!" (relato de uma paciente em uma sala de emergência - Barbara Starfield)

"Estarei lá quando precisar de mim. Vou me esforçar para te entender na sua própria história, oferecer cura se eu puder; tentar aliviar sua dor, sempre oferecer conforto, fazer o meu melhor para não te expor a nenhum mal. E você precisa saber que seus segredos estão seguros comigo." (Anna Stavdal)

E você, já tem um médico de família para chamar de seu?