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Dr. Kalil

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Epidemia de obesidade até 2030: entenda riscos e como mudar este cenário

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Imagem: iStock

Colunista do UOL

16/05/2022 04h00

O Atlas Mundial de Obesidade de 2022, divulgado recentemente, traz dados alarmantes: em 2030, o Brasil deverá ter cerca de 30% de adultos obesos. Também em 2030, a projeção é de que o número de pessoas obesas no mundo chegue a 1 bilhão.

A obesidade é fator de risco para doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte no Brasil e no mundo - a exemplo de infarto e AVC -, e doenças como hipertensão (pressão alta) e diabetes.

Os dados preocupam também em relação aos jovens brasileiros: em 2030, a prevalência de obesidade deverá ser de 22,75% entre crianças de 5 a 9 anos e de 15,71% entre crianças e jovens de 10 a 19 anos.

Um fator que merece muita atenção é o consumo de ultraprocessados - como refrigerantes, bolachas recheadas e salgadinhos. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicado no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, por exemplo, indicou que o alto consumo desse tipo de produto pode aumentar em 45% o risco de obesidade em adolescentes.

É preciso lembrar que o acúmulo de gordura abdominal alerta para o risco de entupimentos em artérias, dificultando o desempenho adequado do coração e de outros órgãos. Células de gordura podem formar placas nas artérias; e são essas placas que podem obstruir a passagem do sangue e ocasionar infarto, AVC e outras doenças.

Pessoas com sobrepeso (caracterizado pelo excesso de peso, mas numa faixa anterior à que se classifica como obesidade) já têm risco de ter taxas de glicemia, triglicérides, entre outras, alteradas - o que aumenta o risco de doenças.

Mudar esse futuro que se desenha exige ações imediatas. E isso significa não apenas incentivar, mas ampliar campanhas sobre alimentação saudável e a importância de praticar atividades físicas.

Também é preciso compreender que a condição tem múltiplos fatores envolvidos. Por isso, abordagens sociais e psicológicas também são importantes.