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Paola Machado

REPORTAGEM

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Posso consumir alimentos congelados? Sim! Aprenda dicas práticas

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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

18/11/2021 04h00

Muitos são os motivos que nos levam a comer, comemos não apenas para fornecer energia e nutrientes ao nosso organismo, mas para suprir outros aspectos importantes como os ambientais, biológicos, fisiológicos, psicológicos, cognitivos, ideológicos, culturais e socioeconômicos (como renda, escolaridade e preço dos alimentos), porém, por sua complexidade e multifatoriedade, este ainda é um assunto pouco estudado.

Uma pesquisa realizada por Moraes (2021) conseguiu identificar, entre mais de 400 pessoas, que o principal fator de motivação para a escolha de determinado alimento está relacionado às preferências, ou seja, comer o que se gosta, aos hábitos aos quais nos condicionamos, a sensação de fome e também a preocupação com a saúde.

A "Brasil Food Trends 2020", importante levantamento na área da Nutrição e Alimentação, revelou que a conveniência e praticidade constituem duas das cinco tendências internacionais de consumo de alimentos industrializados. A pesquisa cita ainda que "a comida de conveniência (convenience food) é considerada como um novo hábito alimentar gerado pela vida moderna." Associado a isto, ocorre o estímulo pela grande variedade de alimentos industrializados e congelados que temos à nossa disposição.

Ao longo das décadas, o perfil alimentar do brasileiro foi se transformando e se voltarmos na história, mais especificamente na época da Revolução Industrial, conseguiremos identificar que a partir deste momento as mulheres ganharam o mercado de trabalho, e com isto, a partir de então, ficaram menos disponíveis às tarefas domésticas; na atualidade este é um cenário que permanece.

Hoje em dia, muitas pessoas fazem jornada de trabalho dupla, às vezes tripla, contribuem com a renda familiar de maneira importante e quase sempre não contam com ajuda para executar as atividades domésticas, inclusive cozinhar, portanto a praticidade por vezes torna-se uma necessidade.

No caminho intermediário entre a utilização de alimentos in natura e os industrializados estão as comidas congeladas. Esta categoria de produto se encaixa no aspecto da conveniência e acredite, pode ser nutritivo também, mas para isto alguns fatores precisam ser considerados.

Muitas pessoas acreditam que no processo de congelamento ocorrem perdas nutricionais, o que é uma verdade, porém estas perdas acontecem durante toda a cadeia produtiva do alimento. Quando falamos em cadeia produtiva, estou me referindo ao plantio, cultivo, colheita, armazenamento e chegada até as nossas casas, mas um importante aspecto a ser considerado é o quanto de perda aconteceu e o quanto poderia ter sido evitado.

Pensando nisso, muitas empresas de congelados optaram pelo processo de ultracongelamento, o que de fato é mais interessante por minimizar as perdas nutricionais mencionadas anteriormente, principalmente das vitaminas do complexo B e a vitamina C.

Outro cuidado que precisa ser tomado é sobre a escolha da empresa que prepara as refeições congeladas: opte pelas empresas com estrutura industrial, pois certamente terão maior processo no controle de qualidade e preservação de nutrientes; escolha também aquela empresa de refeições congeladas que conte com a assessoria de um profissional nutricionista para garantir maior equilíbrio das preparações.

Uma dica para você colocar em prática é escolher um dia da semana para preparar a maior parte dos alimentos e congelar para os próximos dias.

Tenha em mente que o equilíbrio é sempre a melhor opção então, se for possível intercale o consumo das refeições congeladas com preparações frescas e feitas no dia; outra dica para manter a qualidade nutricional e o frescor dos alimentos é trabalhar com frutas, verduras e legumes da época, já que são mais acessíveis física e financeiramente.

Para descongelar de forma correta os alimentos, você deverá:

- Para molhos e cremes: colocar em panela e descongelar em fogo baixo;

- Frutas congeladas ou polpas devem ser consumidas como sorvete ou batidos para fazer suco e não deixar descongelando em refrigerador;

- Alimentos ou preparações congeladas: retire do congelador de um dia para o outro, e deixe descongelando em temperatura controlada (no refrigerador), pelo período entre 12 a 24 horas. Para melhor controle do processo, coloque o alimento nas prateleiras intermediárias ou mais baixas do refrigerador.

Para congelar de forma correta os alimentos, você deverá:

- Você pode congelar verduras e legumes já limpos e picados, após a técnica do branqueamento (processo que consiste na imersão do alimento em água fervente, ocorrendo o cozimento por um curto período, e em seguida esfriados imediatamente em um recipiente com água gelada). Desta forma basta retirá-los e aquecer brevemente para consumir;

- Após o preparo dos alimentos, deixe-os perder a temperatura por aproximadamente 15 minutos após o preparo e coloque no refrigerador. Quando estiverem totalmente frios, leve-os para o congelador em potes de vidro ou saquinhos plásticos;

- Uma vez descongelados, os alimentos não deverão ser congelados novamente portanto, planeje-se.

No mais, faça sempre o seu melhor e procure manter regularidade nas escolhas, pois isto sim é o que faz a grande diferença.

*Colaboração da nutricionista comportamental Samantha Rhein (Unifesp)

Referências:

- MORAES, Jéssica Maria Muniz. Porque as pessoas comem o que comem? Comparação das motivações para comer entre dois contextos socioeconômicos díspares no Brasil. 2017. Dissertação (Mestrado em Nutrição em Saúde Pública) - Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017. doi:10.11606/D.6.2018.tde-31012018-090233. Acesso em: 2021-11-12.

- Prati, P; Henrique, C.M. A interferência da praticidade e da conveniência na industrialização dos alimentos. http://www.aptaregional.sp.gov.br/