PUBLICIDADE

Topo

Paola Machado

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Dor perto do osso do bumbum: entenda as possíveis causas e como tratá-la

iStock
Imagem: iStock
Conteúdo exclusivo para assinantes
Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

07/09/2021 04h00

Essa região em torno do osso do bumbum (que pode ser o ísquio, sacro e cóccix), corresponde à pelve, a popular bacia, o quadril do nosso corpo. Uma informação relevante é entender que o quadril é uma articulação estável com diferentes estruturas além dos ossos que a compõem, tais como, ligamentos, músculos e tendões.

Se você não caiu de bumbum no chão ou sofreu algum trauma ou acidente recente que justifique sua dor nesse momento, vale a pena investigar seu quadro. Lembre-se que a dor é sempre um sintoma e sinaliza que alguma dessas estruturas pode estar sobrecarregada.

Por isso, a dor no bumbum pode surgir em distintos componentes do quadril: pode ser mais localizada no osso do cóccix, que fica no finalzinho da coluna, um pouco acima do bumbum (próximo à região anal), ou ser localizado entre os ísquios ou em torno dele, numa região difusa do bumbum ou mais lateralmente próximo ao encaixe no acetábulo com o fêmur.

Vale dizer que qualquer pessoa pode desenvolver dores no glúteo, mas fatores como idade, algumas atividades repetitivas, esportes com movimentos específicos e até a gestação podem predispor a sobrecargas.

Pensando-se na causa da dor pode ser decorrente de uma compressão do ciático, uma hérnia de disco, contratura muscular, síndrome do piriforme, coccidínia. Vou abordar rapidamente cada uma delas:

- Ciático: O nervo conhecido como ciático, o isquiático, é considerado o mais longo do nosso corpo, sendo também calibroso. Se estende desde a parte posterior do quadril, desce por trás da coxa e dos joelhos até alcançar o dedão do pé. Por ser longo, este nervo pode ser acometido na coluna ou em qualquer outro ponto do seu trajeto. Quando afetado pode levar a dores na região baixa de coluna, quadril que se estende até o pé (bumbum, coxa e lateral da perna). A dor pode ser descrita como profunda. A pessoa que sofre com essa dor pode relatar: ''A dor parece ser no osso do quadril''.

- Contratura: Um ponto gatilho miofascial é um nódulo palpável e extremamente sensível localizado nos músculos tensos que pode causar dor. Estima-se que esses pontos, popularmente chamados de nós, estejam entre a principal causa de dor em cerca de 85% das pessoas com disfunções musculoesqueléticas, e se relacionam com sintomas de dores, espasmos, rigidez e fraqueza muscular. A pessoa pode relatar que a dor pode ser referida (sentida) na região do quadril e do glúteo, mas o ponto ativo principal pode não estar necessariamente localizado nessa região.

- Síndrome do Piriforme: Ocorre quando o nervo ciático é comprimido por um pequeno músculo do bumbum, chamado de músculo piriforme. Essa dor representa um tipo de síndrome glútea profunda que leva a uma neuropatia pela compressão do nervo ciático que já citamos logo acima. Representa até 6% dos casos de dor ciática e lombar. A pessoa com essa síndrome pode apresentar dor e relatar sensação anormal como queimação, dormência ou coceira na lombar, virilha, períneo, região do quadril, coxa, panturrilha ou pé. A pessoa tende a piorar na posição sentada.

- Coccidínia (dor no cóccix): Nesse caso, geralmente as mulheres são mais afetadas, em parte, pela ação hormonal. Na gestação e no parto há a abertura de pelve mudando e estressando a região com o reposicionamento sacral e pélvico. A pessoa relata dor em pontada e sensibilidade na área do cóccix. A pessoa tende a piorar o quadro durante atividades como levantar e sentar ou quando permanece parada por muito tempo em uma mesma posição. Pode se queixar de dores para evacuar ou ter relações sexuais.

Pensando no corpo de forma mais global, isso é, entendendo o corpo como um todo, especialistas explicam que a dor que muitas vezes é sentida em uma área pode ser decorrente de um problema que se iniciou em outra região do corpo, então é necessário que cada caso seja avaliado individualmente para seja tratada a causa e não apenas amenizado o sintoma.

Neste texto foi abordado apenas algumas possíveis causas dessas dores em torno dos ossos na região do glúteo, mas apenas a avaliação médica e funcional determinarão seu diagnóstico.

O que se pode observar em comum em todos esses casos é que, geralmente, a inatividade física, permanecer na posição sentada por muito tempo ou atividades como pedalar, situações específicas como a gestação de uma mulher, podem estar relacionadas ao desconforto. O importante é observar os sintomas e caso eles sejam recorrentes ou atrapalharem sua rotina, buscar por atendimento médico adequado.

Papel da prevenção de dores

Em todos os possíveis casos, é importante que seja feito um trabalho global de fortalecimento, em especial de músculos que estabilizam o quadril e a orientação adequada para as atividades do dia a dia.

Combater o sedentarismo é a chave para qualquer prevenção de dores e doenças crônicas, já que a inatividade física se relaciona intimamente com a fraqueza muscular e todos esses quadros que podem gerar dores no corpo.

Faça sempre exercícios mediante liberação médica, com prescrição adequada de carga e de indicação. Treine sob orientação de um profissional de educação física e trate com seu fisioterapeuta.

*Colaboração de Renata Luri, fisioterapeuta, doutora pela Unifesp e sócia na Clínica La Posture e Juliana Satake, fisioterapeuta na Clínica La Posture, pós-graduada pela Unicamp

Referências:

  • Cass SP. Piriformis syndrome: a cause of nondiscogenic sciatica. Curr Sports Med Rep. 2015 Jan;14(1):41-4.
  • Hernando MF, Cerezal L, Pérez-Carro L, Abascal F, Canga A (2015) Deep gluteal syndrome: anatomy, imaging, and management of sciatic nerve entrapments in the subgluteal space. Skeletal Radiol 44:919-934
  • Hopayian K, Danielyan A. Four symptoms define the piriformis syndrome: an updated systematic review of its clinical features. Eur J Orthop Surg Traumatol. 2018 Feb;28(2):155-164.
  • Hof JJ, Kliot M, Slimp J, Haynor DR (2008) What's new in MRI of peripheral nerve entrapment? Neurosurg Clin N Am 19:583-595.
  • Jankovic D, Peng P, van Zundert A. Brief review: piriformis syndrome: etiology, diagnosis and management. Can. J. Anaesth. 2013; 60:1003Y1012.
  • Michel F, Decavel P, Toussirot E, et al. Piriformis muscle syndrome: diagnostic criteria and treatment of a monocentric series of 250 patients. Ann. Phys. Rehab. Med. 2013.
  • Miller TA, White KP, Ross DC. The diagnosis and management of piriformis syndrome: myths and facts. Can. J. Neurol. Sci. 2012; 39:577Y583.
  • Nielsen, et al. Excessive progression in weekly running distance and risk of running-related injuries: an association which varies according to type of injury. JOSPT. 2014.
  • Vassalou EE, Katonis P, Karantanas AH. Piriformis muscle syndrome: Across-sectional imaging study in 116 patients and evaluation of therapeutic outcome. Eur Radiol. 2018 Feb;28(2):447-458. doi: 10.1007/s00330-017-4982-x. Epub 2017 Aug 7.