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Paola Machado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Polifagia ou hiperfagia: quando o excesso de fome pode ser um problema

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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

17/06/2021 04h00

A fome é a sensação fisiológica na qual o corpo percebe que necessita de alimento para manter suas atividades inerentes à vida. Ou seja, o aumento no apetite é uma resposta normal do organismo, que ocorre quando realizamos atividades extenuantes, exercícios intensos ou ficamos muito tempo sem nos alimentar.

Entretanto, um aumento intenso no apetite ou na fome, que não desaparece, não importa o quanto você coma, pode ser um sinal de que há algum problema acontecendo no seu organismo. Polifagia ou hiperfagia são os termos médicos usados para fome excessiva ou extrema, sendo diferente do aumento de apetite após o exercício ou outra atividade física ou pelo jejum, por exemplo, pois, nesses casos, seu nível de fome volta ao normal depois de se alimentar. Na polifagia a fome não passa. Dessa forma, a causa subjacente de sua polifagia precisa ser tratada.

Algumas condições podem desencadear a polifagia, sendo elas:

  • Hipoglicemia Durante o dia, é natural que ocorra oscilações na glicemia (nível de açúcar no sangue). De acordo com o Center for Disease Control and Prevention (CDC), quando a glicemia fica abaixo de 70 mg/dL, há hipoglicemia (comum em pessoas com diabetes tipo 1). Dentre os sintomas de hipoglicemia estão tontura, taquicardia, dores de cabeça, nervosismo ou ansiedade, incapacidade de se concentrar, tremor, suor etc.
  • Hipertireoidismo A tireoide é uma glândula que produz hormônios que controlam muitas funções do corpo. Uma das funções dos hormônios da tireoide é controlar o metabolismo, de modo que seu apetite pode ser alterado. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o hipertireoidismo é uma das doenças mais comuns da tireoide. É caracterizado por uma produção exagerada de hormônios pela tireoide — T3 e T4 — ou por uma ingestão exagerada destes hormônios. Os sintomas incluem suor, taquicardia, fraqueza muscular, nervosismo, perda de cabelo, diarreia, dificuldade em dormir etc.

  • Síndrome pré-menstrual (TPM) As mudanças nos hormônios associadas ao ciclo mensal da mulher podem deixá-la com muita fome logo antes de começar a menstruar. Picos de estrogênio e progesterona e diminuição da serotonina podem levar a desejos intensos por alimentos mais calóricos. Os sinais e sintomas da TPM incluem irritabilidade e mudanças de humor, inchaço, gases, fadiga e diarreia.

  • Diabetes O diabetes tipo 2 é uma das doenças crônicas mais comuns em todo o mundo e, se não for tratada de forma adequada, pode levar a consequências negativas à saúde, como retinopatia (com potencial perda da visão), nefropatia (levando à falha renal), neuropatia periférica (risco de úlceras nos pés e amputações). Além do mais, pode causar polifagia. Resumidamente, quando você se alimenta, seu corpo transforma o alimento em energia (glicose). Em seguida, ele libra um hormônio chamado insulina para levar a glicose da corrente sanguínea para as células. As células então usam essa glicose para energia e funções normais do corpo. Se você tem diabetes, seu corpo não consegue produzir insulina (tipo 1) ou não a usa adequadamente (tipo 2). Portanto, a glicose permanece na corrente sanguínea por mais tempo e as células não têm a energia que precisam para funcionar corretamente. Quando isso acontece, suas células sinalizam que você deve continuar se alimentando para que possam obter a glicose de que precisam, resultando em uma fome excessiva.

  • Estresse Quando você está estressado, seu corpo libera uma grande quantidade de um hormônio chamado cortisol. O cortisol é liberado pelas glândulas supra-renais. Sua produção aumenta em resposta a situações de alerta e, ao cessar o momento de tensão, os níveis de cortisol retornam ao normal. Um estudo publicado em 2015 mostrou que nosso corpo metaboliza mais lentamente sob ação do estresse. O estresse também pode ter outros sintomas físicos, como falta de energia, dores inexplicáveis, insônia, resfriados frequentes e dor de estômago.

  • Sono comprometido Não dormir o suficiente pode tornar mais difícil para o corpo controlar os níveis de hormônios que regulam a fome. Além de sentir muita fome, você pode ingerir alimentos mais calóricos. Além disso, a qualidade do sono também é importante — veja o texto sobre apneia. Se você não consegue dormir, também pode notar sonolência diurna, mudança de humor, problemas de memória e dificuldade de concentração.

Se você sentir fome extrema, sede excessiva ou micção excessiva, consulte um médico para fazer um teste de diabetes. Quaisquer dois desses sintomas podem indicar diabetes. Você também deve conversar com seu médico se tiver sintomas de qualquer uma das outras causas possíveis de polifagia ou se sua fome estiver afetando negativamente sua vida diária. Se a polifagia for causada por uma doença subjacente tratável, o tratamento dessa doença reduzirá sua fome. Manter um estilo de vida saudável, ter bons hábitos de sono e dieta saudável também pode ser muito útil no controle da fome excessiva.

Referências:

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL