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Paola Machado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Perguntas que ajudam você a identificar um transtorno de imagem corporal

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Imagem: iStock
Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do VivaBem

19/04/2021 04h00

Provavelmente você já ouviu falar em ilusão de ótica, né? Ela "engana" nossa mente e altera a realidade, distorcendo aquilo que realmente estamos vendo e mudando nossa percepção em relação a uma imagem.

Para muitos, a ideia da ilusão de ótica é similar ao que ocorre em vários distúrbios, em especial nos casos dos distúrbios de imagem corporal como a vigorexia e anorexia —respectivamente, quando a pessoa se enxerga muito mais fraca ou gorda do que realmente está.

A imagem corporal é definida como a maneira pela qual a nossa mente interpreta o próprio corpo, dentro de sua autopercepção e padrões. Este conceito reflete a precisão com que percebemos o nosso corpo, o seu real tamanho e forma, mas também recebe interferência forte do nosso grau de satisfação e felicidade com relação à forma física e como nos comportamos frente a estas percepções.

No campo da nutrição e da saúde mental, os transtornos de imagem corporal têm se tornado um problema cada vez mais frequente, por vezes pela prática regular de dietas muito restritivas, por causa da imposição de um padrão de beleza que tende a ser associado também ao sucesso, poder e aceitação social.

Vivemos num mundo que supervaloriza a imagem corporal por meio do culto aos corpos magros, longilíneos, definidos ou fortes, muito mais do que a saúde de forma essencial, ou a qualidade de vida. Muitos de nós pagamos um alto preço na tentativa de se "encaixar" neste padrão, por vezes inviável para a grande maioria, alimentando subliminarmente e persistentemente uma mensagem de inadequação, fracasso ou incapacidade que serve, para muitos, como gatilho no desenvolvimento destes transtornos, ou num primeiro momento, o desenvolvimento de comportamentos de risco.

A anorexia nervosa e a bulimia nervosa geralmente ocorrem de forma associada e são caracterizadas por um padrão de comportamento alimentar gravemente disfuncional, motivado pela obsessão e um controle patológico do peso corporal. Outro transtorno cada vez mais frequente é a vigorexia, definido pela preocupação de não ser suficientemente forte e musculoso em todas as partes do corpo.

Muitos estudos associam a percepção de imagem corporal com a autoestima, amor-próprio e a satisfação pessoal. Logo, quando esta condição clínica é diagnosticada, vem acompanhada da necessidade real de uma avaliação profissional mais detalhada e feita por profissionais especializados, que trabalhem especificamente com estas condições, já que ela pode mascarar ou acompanhar problemas e condições de maior abrangência e complexidade.

O primeiro passo para você reconhecer se está em uma situação de risco ou precisa de auxílio especializado pode ser verificado respondendo as perguntas a seguir. Portanto, convido você a fazer estas perguntas a você mesmo e respondê-las para que tenha "pistas" em seu direcionamento. Topa?

  • Fico apavorada(o) com a ideia de estar engordando?
  • Corto os meus alimentos em pequenos pedaços?
  • Costumo comer alimentos dietéticos?
  • Faço regimes para emagrecer?
  • Sinto desconfortos após comer doce?
  • Conto calorias de tudo o que como, inclusive quando não estou de dieta?
  • Costuma seguir dietas de forma rigorosa?
  • Meus hábitos alimentares atrapalham a sua vida?
  • Come moderadamente em frente aos outros e em compensação exagero quando estou sozinho?

Se você respondeu sim para grande parte destas questões, vale a pena uma conversa com um nutricionista, psicólogo ou psiquiatra para melhor aconselhamento. É importante reforçar que esta identificação não quer dizer que você tenha qualquer transtorno, mas sim que é necessária uma conversa mais atenta e com o olhar direcionado às suas reais necessidades.

Responda de maneira legítima e não se engane. O maior beneficiado será você.

*Colaboração da nutricionista comportamental Samantha Rhein (Unifesp).

REFERÊNCIAS:

SAIKALI, Carolina Jabur et al. Imagem corporal nos transtornos alimentares. Rev. psiquiatr. clín., São Paulo, v. 31, n. 4, p. 164-166, 2004

CAMARGO, Tatiana Pimentel Pires de et al . Vigorexia: revisão dos aspectos atuais deste distúrbio de imagem corporal. Rev. bras. psicol. esporte, São Paulo , v. 2, n. 1, p. 01-15, jun. 2008

Segheto, et al., Análise dos Instrumentos de Avaliação da Imagem Corporal. Fit Perf J | Rio de Janeiro | 8 | 3 | 204-211 | mai/jun 2009.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL