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Paola Machado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Zinco é importante para a imunidade e controle do peso; veja quanto ingerir

Camarão é uma das fontes de zinco - iStock
Camarão é uma das fontes de zinco Imagem: iStock
Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do VivaBem

08/04/2021 04h00

O zinco é um mineral essencial para o funcionamento de centenas de enzimas em nosso organismo. O micronutriente está relacionado a diversos processos importantes para a nossa saúde, incluindo o acúmulo de gordura corporal, controle de peso e a resistência insulínica (que pode levar ao diabetes tipo 2). Ele ainda participa da expressão genética, função imune, síntese proteica, cicatrização, crescimento e desenvolvimento.

O zinco também é necessário para o paladar e do olfato, já que uma das enzimas essenciais para que esses sentidos funcionem adequadamente depende desse nutriente.

De acordo com Cozzolino (2018), "o conteúdo de zinco no organismo humano varia de 1,5 a 2,5 gramas, distribuído entre órgãos, fluidos e secreções. A maior parte do mineral (>95%) encontra-se na massa livre de gordura, principalmente nos compartimentos intracelulares. O músculo esquelético e ossos possuem as maiores quantidades de zinco, ao passo que, no sangue, apenas 0,2% ou aproximadamente 3,5 mg do mineral está no plasma".

O zinco é encontrado naturalmente em uma ampla variedade de alimentos vegetais e animais. As principais fontes alimentares são ostras, camarão e outros frutos do mar, carnes (bovinas, frango, fígado), gérmen de trigo, grãos integrais, castanhas, cereais, legumes e tubérculos.

Quanto ingerir

tabela quantidade de zinco - Paola Machado - Paola Machado
Imagem: Paola Machado

Sinais de deficiência

Embora a deficiência grave de zinco seja rara, pode ocorrer em pessoas com mutações genéticas raras, bebês que mamam no peito cujas mães não têm zinco suficiente, pessoas com dependência de álcool e qualquer pessoa que esteja tomando certos medicamentos supressores do sistema imunológico.

Os sintomas de deficiência severa de zinco incluem crescimento e desenvolvimento prejudicados, maturidade sexual retardada, erupções cutâneas, diarreia crônica, cicatrização prejudicada de feridas e problemas comportamentais.

Sintomas de toxicidade

Assim como a deficiência de zinco pode causar complicações de saúde, a ingestão excessiva pode gerar efeitos colaterais negativos. A causa mais comum de toxicidade do zinco é o excesso de zinco suplementar, que pode causar sintomas agudos e crônicos.

Os sintomas de toxicidade incluem: náusea e vômito, perda de apetite, diarreia, cólicas abdominais, dores de cabeça, função imunológica reduzida, diminuição dos níveis de colesterol "bom" (HDL). A ingestão excessiva de zinco também pode causar deficiências de outros nutrientes. Por exemplo, a alta ingestão crônica de zinco pode interferir na absorção de cobre e ferro.

Zinco e controle de peso

Estudos epidemiológicos em humanos demonstram que a baixa ingestão e a baixa concentração sanguínea de zinco podem estar associadas ao aumento na prevalência de obesidade, incluindo o aumento no acúmulo de gordura na região abdominal.

Além disso, a deficiência de zinco pode agravar distúrbios metabólicos provenientes da obesidade e do excesso de peso. A baixa concentração de zinco no sangue pode promover o aumento da resistência insulínica, o que consequentemente facilita o acúmulo de gordura corporal, bem como dificulta o processo de emagrecimento. Além disso, o aumento nas concentrações de insulina no sangue também se associam a reduzida concentração de uma proteína chamada Zinco-alfa 2 Glicoproteína (ZAG).

Esta proteína é secretada pelas células de gordura do tecido adiposo e pode estar relacionada ao controle do peso. Estudos recentes mostram que a ZAG foi identificada como uma proteína capaz de reduzir a gordura corporal, pois é capaz de inibir o processo de lipogênese (acúmulo de gordura), aumentar o gasto energético e promover uma leve atenuação na atrofia muscular.

Por apresentar também relação direta com vários fatores relacionados ao metabolismo do tecido adiposo, sugere-se que a reduzida expressão de ZAG no organismo humano esteja diretamente relacionada ao excesso de peso. Estudos científicos conduzidos em humanos já demonstram que esta proteína apresenta uma associação negativa com o IMC, ou seja, quanto maior o IMC menor a sua concentração.

Portanto, pessoas com excesso de peso tendem a apresentar expressão reduzida desta enzima. Além disso, uma alimentação rica em gordura pode reduzir as concentrações circulantes desta glicoproteína. Ainda é importante mencionar que a deficiência de zinco também pode aumentar o estresse oxidativo e promover uma resposta inflamatória, o que agrava o risco de ocorrência de doenças crônicas em humanos.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL