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Paola Machado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Será que a poluição pode estar prejudicando sua saúde? Sim! Entenda como

Fábio Vieira/Fotorua/Estadão Conteúdo
Imagem: Fábio Vieira/Fotorua/Estadão Conteúdo
Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

30/03/2021 04h00

A poluição atmosférica é composta por uma mistura de partículas e gases. As principais fontes emissoras de poluentes são os carros, indústrias e usinas.

Em São Paulo, por conta das restrições e isolamento da população, pudemos apreciar um céu mais aberto, menos carros nas ruas e um céu mais estrelado. Além disso, quem vivia reclamando de rinite, infecções e alergias respiratórias, se beneficiou muito com a maior qualidade do ar.

Um estudo epidemiológico revelou que cerca de 3,4 milhões de óbitos globais se associam à poluição do ar com o desenvolvimento ou agravamento de doenças respiratórias, cardiovasculares e infecciosas.

O que as partículas causam

Os efeitos da poluição no corpo são causados principalmente pelas partículas poluentes suspensas no ar:

  • As partículas grossas ficam retidas no nariz e na garganta, e geram incômodo ou irritação nos olhos e narinas.
  • As mais finas afetam internamente o trajeto todo do trato respiratório.
  • A poluição pode causar dores de cabeça, cansaço e queda da concentração. Não há níveis de concentração de poluentes seguros para nossa saúde. Por isso, quanto menos poluído o ar, melhor.

Alguns fatores influenciam a qualidade do ar, como:

Condições meteorológicas: determinam uma maior ou menor concentração dos poluentes;

Baixa umidade e pouco vento: dificultam a dispersão da concentração de poluentes;

Dias mais ensolarados: tendência ao aumento da concentração do ozônio.

A exposição a poluentes atua de forma aguda e crônica —ao longo do tempo— em quem vive na maioria das cidades brasileiras. Os poluentes ao longo dos anos levam a danos em todos os sistemas do corpo, impactando o sistema respiratório devido à inflamação e disfunção do mecanismo de defesa mucociliar.

Eles causam irritação da mucosa nasal e infecções do trato respiratório, predispondo a lesões e ao câncer de pulmão. Portadores de morbidades e doenças cardíacas, quando expostos, ainda têm maior risco de desenvolver arritmia cardíaca, angina e até infarto.

Impacto da poluição durante o exercício

É importante levar em consideração o impacto da poluição do ar, já que quando se faz um exercício, naturalmente respira-se um maior volume expondo o corpo de forma mais intensa aos poluentes.

O exercício aeróbico, por exemplo, pode levar a uma maior deposição de partículas nos pulmões em relação ao repouso, predispondo ao desenvolvimento de doenças respiratórias e cardiovasculares. Além de expor todo o organismo à toxicidade de poluentes. Então, de fato, saiba que se exercitar se expondo à poluição afeta a saúde de quem se exercita ao ar livre.

Aí vocês podem se perguntar:

"Em tempos de covid-19, sei que é melhor me exercitar na rua. Mas se a poluição faz mal, melhor ser sedentário?"

Jamais! Não use a poluição como desculpa para não se movimentar. É sempre melhor se exercitar do que ser sedentário.

O ACSM recomenda que a atividade física de intensidade moderada seja mantida no período de quarentena, o que garante mais saúde.

Em um período de reclusão, a população tende a adotar um comportamento sedentário e mais ansioso. Essa rotina se associa ao aumento do peso corporal em crianças, adultos e idosos e maior risco de mortalidade cardiovascular e depressão.

Por isso, se manter ativo trará diversos benefícios, combatendo o sedentarismo! Esse texto não visa restringir a realização dos exercícios físicos ao ar livre, mas apenas conscientizar e dar opções para você escolher fazer uma prática com menos riscos de exposição a poluentes.

Dicas para exercitar-se ao ar livre

Se você corre, caminha ou pedala na rua, você pode reduzir a exposição à poluição. Para isso, basta evitar fazer exercícios em horários com elevada concentração de poluentes. Mas como? Veja 4 dicas:

  • Fuja de vias movimentadas em horários de pico, pois você irá inalar altos níveis de poluentes prejudiciais à sua saúde.
  • Fuja de vias entre prédios altos: os poluentes ficam presos em vias com prédios em ambos os lados e com escassos espaços para corrente e circulação das partículas.
  • Fuja de vias com muitos semáforos: toda vez que o carro desacelera, para, avança e acelera novamente, há uma maior emissão de partículas poluentes.
  • Evite horários com muito sol: acredite, infelizmente quando está aquele sol maravilhoso, calor e um céu azul, o ar tende a estar mais poluído do que em dias chuvosos e com ventania.

*Colaboração Juliana Satake, fisioterapeuta sócia da La Posture e Dra. Renata Luri, fisioterapeuta doutorada pela Unifesp

Referências:

CUISSI, Rafaela Campos. Efeitos da poluição atmosférica no sistema respiratório de indivíduos praticantes de exercício físico aeróbio em ambiente aberto e fechado. 2014. 75 f. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Tecnologia, 2014.

FERREIRA, Maycon Junior et al . Vida Fisicamente Ativa como Medida de Enfrentamento ao COVID-19. Arq. Bras. Cardiol., São Paulo , v. 114, n. 4, p. 601-602.

Jacobs L, Nawrot TS, de Geus B, et al. Subclinical responses in healthy cyclists briefly exposed to traffic-related air pollution: an intervention study. Environ Health. 2010;9:64.

Patterson R, McNamara E, Tainio M, de Sá TH, Smith AD, Sharp SJ, et al. Sedentary behaviour and risk of all-cause, cardiovascular and cancer mortality, and incident type 2 diabetes: a systematic review and dose response meta-analysis. Eur J Epidemiol. 2018;33(9):811-29.

Tanaka C, Reilly JJ, Tanaka M, Tanaka S. Changes in weight, sedentary behaviour and physical activity during the school year and summer vacation. Int J Environ Res Public Health. 2018 May 4 ;15(5)pii:E915.
World Health Organization. (WHO) WHO Director-General's opening remarks at the media briefing on COVID-19.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL