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Paola Machado

O que as emoções têm a ver com a saúde do corpo? Entenda a relação

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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

15/12/2020 04h00

Ao longo desse ano, muito se falou sobre temas relacionados à saúde abordando-se o cuidado do ponto de vista físico e mental da população. Em 2017, o Brasil já liderava como um país extremamente ansioso, e 2020, mostrou ser apenas um gatilho predispondo a população a transtornos mentais.

Os transtornos ansiosos mais citados são fobia social, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno do pânico e agorafobia.

É esperado, como resposta natural a momentos de ansiedade, mudanças em ativações cerebrais, alteração em padrões de pensamentos e respostas fisiológicas do corpo. Em indivíduos com transtorno de ansiedade, essas alterações são muito mais elevadas e exacerbadas afetando diretamente a qualidade de vida da pessoa.

Medo, estresse, ansiedade e excesso de informação

Ao longo da vida, aprendemos a nos comportar socialmente e a controlar emoções e sentimentos. Em cada sentimento, há diferentes sistemas cerebrais envolvidos.

Entre emoção e sentimento, existe uma cadeia complexa de reações eficiente e eficaz que responde em centésimos de segundos.

Diferença entre sentir e agir

Você mesmo já deve ter feito isso em algum momento do seu dia, apesar da tristeza ou ansiedade, se comportou como se estivesse alegre e tranquilo.

Mascarar o sentir e o agir, requer —física e mentalmente— doses extras de energia. Frente à ansiedade, o corpo gera uma resposta ansiosa e se prepara interna e externamente para se defender, a pressão física e mental pode conduzir o corpo à fadiga e à tensão constante.

Como já abordei na coluna diversas vezes, muitos profissionais de saúde relatam que observaram um aumento de casos de queixas de dores, ou até de piora do prognóstico em pacientes nesse ano de 2020.

Por isso, vale entender de que forma a saúde mental pode ter influenciado o bem-estar do corpo físico dos brasileiros.

Todas as pessoas estão expostas a situações ansiosas, o que difere é a capacidade de controlá-la de um ponto de vista externo. A resposta de luta e fuga frente aos estímulos leva a ansiedade, alterando a cognição e tensionando todo o corpo. Essas reações são em sua maioria automáticas, e há uma tendência de afetar o sistema musculoesquelético.

Quando há ansiedade intensa ou por longos períodos, ocorre uma ativação física permanente que gera prejuízos físicos e mentais, e o corpo passa a entender como se vivesse sob pressão e perigo constante.

Será que você sabe a diferença entre um sentimento e uma emoção?

Compreender o sistema nervoso autônomo e as mudanças homeostáticas associadas às emoções e aos sentimentos é importante para se reconhecer e conhecer melhor. Há muitas palavras que usamos ao longo da vida como se fossem sinônimos, mas que diferem em seu real conceito:

  • sensações: fenômenos puramente perceptivos e corporais gerados por um estímulo interno ou externo;
  • emoções: conjunto de respostas químicas e neurais do corpo, que surgem quando o cérebro recebe um estímulo externo. São instintivas, passageiras, mutáveis e dependem de aspectos psicológicos e fisiológicos;
  • sentimentos: em resposta à emoção e diz respeito a como a pessoa se sente diante daquela emoção. Subjetiva, acessível apenas a própria pessoa.

De um ponto de vista fisiológico, a ansiedade é quando, na presença da ameaça, o corpo se porta de maneira adaptativa se preparando internamente para luta ou fuga:

  • Alterações de bases neuronais
  • Alteração da pressão sanguínea
  • Alteração da frequência cardíaca e respiratória
  • Ativação de músculos
  • Aumento da tensão corporal

Um aviso físico de que algo não está bem

Como o corpo reage a uma resposta ansiosa frente a um estímulo e como enfrentá-la, tudo ocorre de forma inconsciente e automática.

Estudos já revelaram os efeitos prejudiciais do estresse, das emoções negativas e do domínio simpático do sistema nervoso autônomo na tensão e na piora das dores. Por isso, para contrabalancear é preciso desenvolver habilidades de enfrentamento de ansiedade e redução de tensão.

O autoconhecimento para acessar essas sensações pode auxiliar no entendimento do próprio corpo e o manejo da ansiedade deve ser feito com o respaldo de profissionais de saúde. Diferentes recursos podem ser usados para melhorar sua relação com sua saúde e qualidade de vida.

*Colaboração de Juliana Satake, fisioterapeuta especializada em saúde da mulher pela Unicamp e Renata Luri, fisioterapeuta doutorada pela Unifesp (Clínica La Posture)

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