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Paola Machado

Como o exercício ajuda a turbinar a libido da mulher

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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do VivaBem

11/08/2020 04h00

Muitas mulheres têm relatado a diminuição da libido nesses últimos meses de quarentena. Algumas atribuem isso à rotina de conviver tão próximos aos parceiros(as), outras à preocupação gerada pela pandemia. Mas será que esses fatores podem, de fato, influenciar a vida sexual das mulheres?

A libido é uma palavra derivada do latim que significa desejo. Na mulher, é considerada parte do ciclo sexual feminino, sendo peça importante para as relações afetivas, prazerosas e para a manutenção da saúde e do bem-estar. A queda da libido pode ser a perda de interesse sexual de forma geral ou apenas em relação ao seu parceiro(a). Essa redução do desejo está relaciona a diferentes aspectos, que vão desde questões biológicas (como idade), até crenças e o estado emocional.

Entenda as bases biológicas da libido da mulher

Você sabia que há uma relação direta entre o desejo sexual e os níveis hormonais do nosso corpo? Ao longo da vida, é natural que ocorram aumentos e diminuições da libido por diferentes motivos, sejam eles biológicos, sejam químicos, que podem ocorrer como efeito colateral do uso de medicamentos —ou mesmo, uma combinação desses diferentes motivos.

A testosterona (hormônio "sexual), a oxitocina (considerada o "hormônio do amor ou da felicidade") e a dopamina (que se relaciona às emoções e funções cognitivas) possuem papel de destaque para a resposta da libido durante o ciclo sexual. A fisioterapeuta Juliana Satake, especializada em Saúde da Mulher pela Unicamp, destaca que, "além dos aspectos físicos, é preciso considerar o estado mental e emocional da mulher. É importante destacar que esses fatores influenciam e são influenciados diretamente por respostas e sensações corporais''. Um exemplo claro: pense no quanto o estresse ou a ansiedade podem mudar completamente sua libido, sua sexualidade e seu prazer.

Como o exercício pode ajudar na libido

#Dica1 - Escolha uma atividade que você gosta

Estudos relatam que pessoas fisicamente ativas podem ter melhor qualidade de vida sexual. A atividade física contribui para uma melhora na circulação sanguínea e liberação de neurotransmissores que interferem na libido, além de melhorar a autoestima. Existe uma atividade ideal? Não. Procure a atividade física que gosta de fazer e traga prazer. Pode ser pilates, ioga, natação, corrida, bike, musculação, dança...

#Dica2 Não exagere

Nem pouco, nem muito. Exagerar no exercício físico pode comprometer sua libido! O cansaço extremo provocado pelo treino pode fazer você dispensar outras atividades, como o sexo, por conta do esgotamento físico. Os benefícios da atividade física na libido ocorrem com apenas 10 minutos de exercício aeróbico, por exemplo. Se conseguir, adicione à equação mais 10 minutos de treinamento de força para exercitar grandes músculos, fazendo exercícios como agachamento, flexão de braços e prancha, para você ter ainda mais disposição! E, claro, não subestime o poder das atividades que unem corpo e mente, como ioga e pilates.

#Dica3 Exercite a sua pelve e melhore o tônus muscular vaginal

Para que a prática sexual seja prazerosa e satisfatória, estruturas na região da pelve e o conjunto de músculos do assoalho pélvico (MAP) devem estar em seu perfeito estado, para que possam desempenhar o seu papel e funções durante a prática sexual. Estudos têm demonstrado a eficácia de aumentar a conscientização dos músculos do assoalho pélvico e fortalecê-los para alterar positivamente a qualidade de vida sexual feminina, a autoimagem e o desempenho sexual.

Os exercícios de fortalecimento do períneo são chamados de Kegel e foram inicialmente desenvolvidos para corrigir a frouxidão vaginal sem cirurgia. Os benefícios envolvem o aumento da circulação sanguínea da região, ganho de força, alongamento e coordenação perineal, o que contribui para aumentar o desempenho sexual e evitar a incontinência.

#Dica4 Contraia, mas relaxe! O poder da massagem perineal

Calma, não se assuste! Não se trata de uma massagem sensual nem erótica. Assim como outras musculaturas, o assoalho pélvico também pode ficar tenso, o que pode ser decorrente de algum processo cirúrgico, trauma, dor pré-menstrual ou por uma rigidez da musculatura perineal. Nesses casos, a massagem na região perineal é uma excelente opção para tratamento e alívio de dores e contraturas. Pontos gatilhos e rigidez perineal podem desencadear disfunções sexuais, perda da libido, diminuição do prazer e insatisfação durante a relação sexual, afetando a qualidade de vida. Recomenda-se não fazer essa massagem sozinha, procure sempre um profissional de saúde para avaliação e orientação.

#Dica5 Pratique o autocuidado!

O autocuidado é uma palavra em alta e lembre-se que ela não se resume apenas a ter uma rotina de skincare. O autocuidado é melhor representado como fazer o que te dá prazer e te faz bem. Você pode se dedicar a ler um livro, a meditar ou até a assistir a seu filme preferido. A ideia é melhorar a relação com você mesma e se cuidar! Ter momentos de autocuidado traz benefícios para sua saúde mental, regulando os níveis hormonais relacionados ao estresse, o que pode naturalmente melhorar sua libido.

Lembre-se que a sexualidade feminina é uma forma de expressão da própria personalidade, manifestada por trocas de amor, carinho e sedução, que permeiam todos os momentos da vida de uma mulher. Por isso, manter a saúde física e emocional em dia é importante para reencontrar a satisfação e o prazer sexual. Procure um profissional de saúde para acompanhamento.

*Colaboração das fisioterapeutas especializadas em Saúde da Mulher (Obstetrícia e Uroginecologia) pela UNICAMP Juliana Satake e Angela May e da fisioterapeuta Doutorada pela Unifesp Renata Luri

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