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Como o exercício pode ajudar você a manter a saúde mental na pandemia

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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

04/08/2020 04h00

A pandemia do coronavírus e a quarentena contribuíram para que muitas pessoas parassem para repensar sobre o cuidado com a nossa saúde não apenas do ponto de vista físico, mas também mental.

A ciência já revelou que o isolamento social, a instabilidade financeira, a falta de previsões e o medo da covid-19 são alguns dos fatores que podem levar a sintomas depressivos, crises de ansiedade, síndrome do pânico e dificuldades para dormir, que, claramente, reduzem a qualidade de vida de qualquer pessoa. Dados também apontam a tendência a comportamentos sedentários na população durante esse período de quarentena.

É importante traduzir o impacto desses dados, uma vez que o Ministério da Saúde alerta que três a cada 100 mortes registradas em 2017 podem ter sido influenciadas pelo sedentarismo, que está associado ao aumento de muitas doenças crônicas, como infarto, AVC e diabetes, além de problemas respiratórios e psicológicos.

Praticar exercícios físicos regularmente é muito importante para cuidar da saúde do corpo e da mente. Do ponto de vista da manutenção da saúde mental, estudos já comprovaram que doses diárias de exercícios realizados de forma consistente aliviam o estresse, melhoram os distúrbios de sono, a oxigenação cerebral e funcionamento do cérebro. A partir de um ponto de vista biológico, vale destacar que há neurotransmissores liberados com a prática e o corpo se beneficia de forma geral.

Além disso, estudos revelam que o exercício físico estimula o crescimento de novas células do cérebro, ajudando no processo de memória e tomada de decisão e de forma geral, interrompendo o ciclo de pensamentos e emoções negativas.

Diante de todos esses benefícios, para se manter com mais sanidade mental, a dica da ciência é estar sempre em movimento! A meta para quebrar o sedentarismo ainda vale na pandemia: realizar pelo menos 150 minutos de atividade física por semana. Para isso, você pode investir em caminhar dentro de casa, subir e descer escadas e fazer exercícios com o peso do corpo, que podem se somar nessa equação.

Para pensar: nessa quarentena, quanto tempo em média você tem permanecido sentado diariamente?

Lembre-se que quanto mais tempo você permanecer sentado na sua rotina diária, maiores são as chances de estar prejudicando diretamente seu estado de saúde, tanto do ponto de vista físico quanto mental. E claro, procure a ajuda e suporte de profissionais de saúde para tratamento adequado.

E como a saúde mental é muito importante nesse momento em que vivemos, abaixou dou outras dicas que podem ajudar você a manter o equilíbrio:

  • Conecte seu corpo e mente A atividade física aumenta a oxigenação cerebral, elevando a quantidade de endorfinas --substâncias químicas que dão a sensação de felicidade. Dessa forma, não é de surpreender que as pessoas que cuidam da sua saúde com exercícios e uma boa alimentação também tendem a desfrutar de um nível de agilidade mental. Além do mais, uma rotina de exercícios auxiliam na prevenção da depressão, redução do estresse e ter uma visão mais positiva da vida.
  • Inclua exercícios para a mente Exercícios mentais são também superbenéficos, pois, certos exercícios de treinamento em memória, como caça-palavras ou quebra-cabeças, podem aumentar a capacidade de raciocinar e resolver novos problemas.
  • Medite Enquanto o exercício é bom para o cérebro e o corpo, a meditação, em conjunto com outros métodos, é uma maneira alternativa de melhorar a saúde mental, acalmando a mente e permitindo que você resolva problemas de uma maneira mais relaxada.
  • Aprenda a parar um pouco Você pode pensar que realizar multitarefas permitirá que você faça mais coisas ao mesmo tempo, mas na verdade cria mais problemas do que resolve. O foco em uma tarefa de cada vez melhorará sua concentração e o ajudará a ser mais produtivo.
  • Seja positivo A afirmação positiva é uma via para o aumento da proficiência mental. A afirmação, ou falar consigo mesmo de maneira positiva, envolve o fortalecimento de vias neurais para elevar sua autoconfiança, bem-estar e satisfação a um nível superior. Para começar, faça uma lista de suas boas qualidades. Lembre-se de que você não precisa ser perfeito. Defina metas para o que você deseja melhorar e comece pequeno para evitar ficar sobrecarregado.
  • Tente algo diferente Novas experiências também podem colocá-lo no caminho da aptidão mental. Você pode adaptar novas abordagens ao seu dia a dia de várias maneiras, como experimente novos alimentos, tente novas maneiras de realizar tarefas rotineiras, mude o ambiente de trabalho de vez em quando e, quando for sair para o supermercado, por exemplo, teste ambientes diferentes. Pesquisas mostram que manter o cérebro ativo aumenta sua vitalidade. Fazer coisas novas de novas maneiras parece ajudar a reter células e conexões cerebrais. Pode até produzir novas células cerebrais. Em essência, interromper sua rotina pode ajudar a manter seu cérebro saudável.
  • Leitura para relaxar A leitura é ótima para o seu cérebro. Enquanto você lê esta frase, seu cérebro está processando cada palavra, lembrando o significado instantaneamente. Além da mecânica, a leitura ajuda a visualizar o assunto nas páginas à sua frente e a imaginar como as vozes soam no diálogo escrito. Isso também pode ser uma ótima técnica de relaxamento.
  • Aproveite o tempo A aptidão mental não precisa ocupar muito do seu tempo. Passar alguns minutos nele todos os dias pode ajudá-lo a se sentir melhor e a pensar com mais clareza. Lembre-se de que o relaxamento e a visualização são tão importantes em um treino mental quanto as atividades mais energéticas, como exercícios de memória ou jogos.

*Colaboração Dra. Juliana Satake - Fisioterapeuta Especializada pela Unicamp e Dra. Renata Luri - Fisioterapeuta Doutorada pela Griffith Univ. e Unifesp

Referências:

- Acesso em junho de 2020: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/45341-tres-em-cada-cem-mortes-no-pais-podem-ter-influencia-do-sedentarismo

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL