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As 4 famosas desculpas dos sedentários e como você pode driblá-las

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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

28/07/2020 04h00

A ciência já comprovou cientificamente os benefícios da prática da atividade física na melhora da qualidade de vida e bem-estar. Mas se essa informação bastasse, não haveriam sedentários no mundo, não é mesmo?

Saiba que há 4 famosas desculpas criadas para si que usamos para não romper com o mau hábito de ser sedentário.

Pesquisadores descrevem o hábito como um processo construído a partir de uma informação que se torna um estímulo ao seu cérebro sobre o rotina a ser construída com o objetivo de buscar alguma recompensa, a própria rotina construída a partir de ações consistentes e a recompensa que trará uma sensação positiva faz seu cérebro repetir e memorizar o processo como um novo hábito.

As desculpas são como obstáculos mentais que podem te impedir de inserir a atividade física na sua rotina. Confira para ver se você já usou alguma delas:

"Trabalho muito, não tenho tempo para me exercitar"

Para quem não tem uma atividade física inserida na rotina, alguns relatam que dedicar minutos para isso os fará perder tempo. Saiba que nosso cérebro não gosta de mudanças e prefere naturalmente o comodismo. Enquanto seu cérebro não estiver acostumado a essa nova função ou rotina, é natural bater aquela preguiça, mas sempre foque na recompensa e na sensação final já que será renovador! Dedicar esse tempo para si fará você ganhar muito mais disposição e foco para render mais. Estudos mostram que após a prática de exercício físico há uma redução dos níveis de fadiga física e mental, e aumento dos níveis de energia e produtividade.

"Não é minha prioridade nesse momento"

Enquanto você não se condicionar a pensar na atividade física como uma prioridade na sua vida, você certamente nunca encontrará maneiras de ajustá-la em sua rotina. Mude seu mindset primeiro, isso é, queira mudar por você e comece aos poucos. Começar aos poucos significa estabelecer para si metas que sejam tangíveis e possíveis. A atividade física como um estilo de vida facilita o autocuidado e pode, ao longo do tempo, evitar o uso de medicamentos desnecessários para regular os níveis hormonais de estresse e ansiedade. A atividade física pode ser o seu melhor remédio de saúde e bem-estar!

"Não gosto de nenhum exercício físico"

A falta de motivação parece te boicotar...Saiba que se você nunca fez nenhum tipo de atividade física, o ideal é começar devagar e sempre com a orientação de um profissional qualificado que irá te ajudar durante todo o processo de adaptação. Após os exercícios, você naturalmente sentirá a atuação dos hormônios do bem-estar, por isso muitas pessoas podem até ficar com preguiça antes de entrar na aula, mas logo saem do exercício bem-humoradas e com a sensação única de dever cumprido, por isso, não desista!

"Não tenho idade para isso"

Muita gente acredita que é impossível mudar hábitos quando são mais velhos. Mas saiba que é nessa fase que os níveis hormonais caem drasticamente, principalmente a serotonina, responsável pelo humor e pelo sono, portanto, não há fase melhor para se exercitar do que essa! É importante seguir a recomendação de iniciar e começar o exercício físico sempre com orientação de um profissional da área da saúde.

Superei as desculpas? E a pergunta que não quer calar: Qual o tipo de atividade física devo fazer?

O importante é escolher uma atividade física orientada que você goste, não adianta iniciar uma prática buscando bem-estar se você não se identifica com ela, com as pessoas ou se você se sente inseguro ou desconfortável no ambiente. Principalmente, nesse momento atual que vivenciamos medos e incertezas no retorno às atividades físicas.

Há diversos tipos de atividades que você pode escolher e cada uma pode te beneficiar de uma forma diferente, com um foco diferente. Por exemplo, os estudos confirmam uma maior resposta neurofisiológica e comportamental em exercícios aeróbicos (correr, nadar, andar de bicicleta), já os resistidos levam a um aumento maior da circulação sanguínea e maior oxigenação cerebral, enquanto exercícios como ioga e pilates podem favorecer a saúde física e psicológica.

Mas mais importante que pensar na escolha da modalidade focando apenas no possível objetivo final, é entender que qualquer exercício realizado dentro de uma rotina no seu dia a dia é a melhor opção —independente de qual atividade for.

Se após essas 4 dicas para driblar as desculpas, você ainda não se convenceu, comece a ler mais e se informe sobre as maravilhas que o exercício pode fazer por você no seu dia a dia.

*Colaboração Dra. Juliana Satake fisioterapeuta especializada pela Unicamp e Dra. Renata Luri fisioterapeuta doutorada pela Griffith University

Referências:

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL