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Paola Machado

Cacau tem ação antioxidante e anti-inflamatória, e ajuda a reduzir pressão

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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

17/07/2020 04h00

O superalimento de hoje é o cacau, fruta altamente nutritiva que contém elevada concentração de compostos bioativos. A qualidade e a disponibilidade destes importantes elementos de nutrição variam de acordo com o tipo e qualidade da colheita, o local de cultura, o tipo de processo (fermentação, secagem e torrefação), enfim, inúmeros fatores podem gerar um alimento de maior ou menor teor nutritivo, porém mesmo com todas estas oscilações, é fato que o cacau tem lugar garantido como superalimento e pode te ajudar na prevenção de várias doenças.

Devemos sempre lembrar que estes benefícios são potencializados por um conjunto de atitudes que resultam em uma vida mais ativa e saudável.

A origem do cacau é diversa: amostras de Gana são ricas em epicatequina; nas provenientes do México e da Venezuela encontramos derivados de ácido cafeico, e quando a procedência é do Equador, Madagascar e México encontramos a galocatequina.

Todas são substâncias chamadas de polifenois e representam uma classe de produtos naturais bastante abundante no reino vegetal, na maioria das vezes encontrados em frutas, legumes e cereais.

Quando o assunto é cacau, cerca de 12 a 18% do seu peso líquido é composto por polifenois e inúmeros são os benefícios descritos na literatura relacionados a este composto funcional, sendo os de maior destaque a sua função antioxidante, a redução na pressão arterial e a sua ação anti-inflamatória.

Os aspectos positivos e que justificam o consumo do cacau de maneira frequente em nossa alimentação são respaldados em dados científicos.

A redução nos níveis de pressão acontece, por exemplo pela capacidade que os polifenois apresentam de melhorar a biodisponibilidade e ação da enzima oxido nítrico sintetase, o que terá como consequência melhor ação de vasodilatação, além da redução na ação das espécies reativas de oxigênio (ou radicais livres), de forma secundária.

Outro mecanismo descrito na literatura é a inibição na ação da enzima conversora de angiotensinogênio, substância diretamente relacionada a "ativação" do processo de vasoconstrição e possível elevação da pressão arterial.

Além dos efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e hipolipidêmicos demonstrados pelo cacau, muitas publicações enfatizaram seus benefícios potenciais na redução da hiperglicemia e melhora na ação da insulina, sendo este último aspecto diretamente relacionado aos indivíduos com obesidade central e presença da Síndrome Metabólica.

Não temos uma dose padrão ou que possibilite o benefício em todos os campos aqui descritos, mas estudos sugerem que o consumo em torno de 1 colher de sobremesa rasa ou cerca de 50 gramas de chocolate com 70% de cacau poderão associar-se aos benefícios descritos anteriormente, sendo que os resultados aparecem em média após 15 dias de consumo.

Outro importante nutriente que encontramos nos grãos e na polpa do cacau são as fibras. Este nutriente contribuirá de forma conjunta com a redução no risco cardiovascular pela redução na concentração de lipoproteína de baixa densidade (LDL). A presença de fibras também enaltece o efeito pro e prebiotico do alimento, uma vez que melhora a flora intestinal do indivíduo que o consome frequentemente na forma de polpa batida como um creme sem ser peneirada ou in natura.

Temos outros nutrientes em maior proporção no cacau como magnésio, cobre, potássio e ferro, sendo que estes importantes minerais exercem papel de proteção cardiovascular, entre outras funções essenciais e não menos importantes.

Incluir o cacau na sua alimentação pode ser na forma de fruta in natura, como mencionado anteriormente, ou também em sua forma de pó sem nenhuma outra adição, porém um limitante é o seu gosto amargo que pode ser neutralizado por algumas associações:

  • associe o cacau em pó a frutas secas e oleaginosas como tâmaras, damascos, macadâmias, castanhas e nozes consumindo este preparado com frutas no café da manhã ou no lanche da tarde ou ainda com iogurte/leite;
  • misture um pouco de alfarroba para adoçar o preparado e diminuir a quantidade de cafeína, adicionando em bolos, cookies, e até em leite como fazemos com os achocolatados tradicionais.

Outro grupo de componentes presente no cacau é o das teobrominas, sendo seus principais representantes a cafeína e a metilxantina, conhecidos por seu efeito estimulante (via ativação de sistema nervoso central).

Referências bibliográficas

Cocoa and Dark Chocolate Polyphenols: From Biology to Clinical Applications. Thea Magrone, Matteo Antonio Russo and Emilio Jirillo. Frontiers in Immunology. 2017 Jun 9; 8:677.

Cocoa, Blood Pressure, and Vascular Function. Valeria Ludovici, Jens Barthelmes and Isabella Sudano. Frontiers in Nutrition. August, 2017.

Methylxanthines enhance the effects of cocoa flavanols on cardiovascular function: randomized, double-masked controlled studies. Roberto Sansone, Javier I Ottaviani, Ana Rodriguez-Mateos, Yvonne Heinen, Dorina Noske, Jeremy P Spencer, Alan Crozier, Marc W Merx, Malte Kelm, Hagen Schroeter, Christian Heiss. Am J Clin Nutr.2017 Feb;105(2):352-360.

Antioxidant and antiplatelet activity by polyphenol-rich nutrients: focus on extra virgin olive oil and cocoa. Lorenzo Loffredo, Ludovica Perri, Cristina Nocella, Francesco Violi. Br J Clin Pharmacol. 2017 Jan;83(1):96-102.

Cocoa Flavanols: Natural Agents with Attenuating Effects on Metabolic Syndrome Risk Factors

Maria Eugenia Jaramillo Flores. Nutrients. 2019 Mar 30;11(4):751.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL