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Campanha contra o tabagismo debate riscos ambientais do tabaco

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Fernando Maluf

Diretor associado do Centro Oncológico da BP - Beneficência Portuguesa de São Paulo, membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein e fundador do Instituto Vencer o Câncer. É formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde hoje é livre-docente.

Colaboração para VivaBem

23/05/2022 15h58

A OMS (Organização Mundial da Saúde) escolheu debater, no Dia Mundial Sem Tabaco deste ano, no próximo 31 de maio, os riscos ambientais que esta indústria causa, que vão além dos problemas à saúde que a medicina já discute há tanto tempo.

O uso do tabaco em suas diversas apresentações mata mais de 8 milhões de pessoas todos os anos por várias doenças, e o câncer —especialmente o de pulmão— é uma delas. Não custa, no entanto, repetir que o cigarro é o agente carcinogênico mais relevante e é a principal causa de mortes prematuras evitáveis no mundo.

E não causa apenas o câncer de pulmão, mas também está associado a tumores de cabeça e pescoço, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo do útero e leucemia.

O tema "Tabaco: Ameaça ao Nosso Meio Ambiente" amplia a conscientização sobre a questão pública do tabagismo e reforça que os prejuízos não ocorrem apenas para a saúde humana, mas também para os recursos naturais e alguns ecossistemas de nosso planeta.

O mais grave é perceber que, nas últimas décadas, o perfil dos tabagistas têm se modificado. Isso ocorreu não só no Brasil, mas globalmente. Da mesma forma, os riscos à saúde ligados ao tabagismo atingiram prioritariamente camadas da população com menos acesso aos cuidados de saúde.

Um estudo publicado recentemente no Journal of National Cancer Institute reuniu dados de 14 milhões de pessoas nos países nórdicos e avaliou a associação entre a diminuição do nível socioeconômico da população com o aumento da incidência de câncer de pulmão, dos tipos adenocarcinoma, carcinoma epidermoide e tumor de pulmão de pequenas células.

Os pesquisadores perceberam que quanto menor o poder aquisitivo do cidadão, maior era o risco desses três tumores, tanto no sexo masculino quanto no feminino.

Aparentemente, a questão socioeconômica se reflete numa maior incidência de tabagismo na população. E o cigarro, como se sabe, é responsável por cerca de 80% casos de tumores de pulmão. E além do tabagismo ser um fator muito relevante, mais um ponto a ser considerado é que estas pessoas possam estar mais expostas a agentes carcinógenos nos locais de trabalho, como o contato com o amianto, metais pesados ou os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, presentes no carvão ou no petróleo.

Outra questão importante é a poluição, principalmente nas grandes cidades, cada vez mais estudada como um fator de risco para alguns tipos de câncer. Na última semana, estudo publicado na revista Lancet informou que a poluição foi responsável pela morte prematura de nove milhões de pessoas em 2019, especialmente pela má qualidade do ar e pela presença de poluentes químicos.

Neste caso, os pesquisadores enfatizaram que "os efeitos sobre a saúde são enormes e os países de renda baixa e média são os mais afetados".

Precisamos, então, estar cada vez mais atentos às ameaças que o tabagismo representa a saúde e ao ambiente. Por outro lado, devemos também promover opções para que não só os tabagistas consigam largar o cigarro, mas para que toda a sociedade tenha ambientes livres de produtos altamente poluentes, que prejudicam a nossa saúde e a nossa qualidade de vida.

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