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Sequelas da covid-19 no tratamento e sobrevida de pacientes com câncer

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Imagem: iStock

Fernando Maluf

Colaboração para VivaBem

29/11/2021 04h00

Mesmo depois de quase dois anos de pandemia do novo coronavírus, o impacto da covid-19 sobre a saúde dos pacientes oncológicos ainda não é totalmente conhecido. Mesmo com a indicação de reforço na vacinação, maiores cuidados para os casos graves e a indicação de manutenção dos tratamentos, os médicos ainda tentam entender as sequelas que a doença causada pelo Sars-CoV-2 e as restrições impostas pelo isolamento social geraram para quem está em tratamento contra o câncer.

Dois estudos publicados nas últimas semanas na revista The Lancet Oncology pretendem traçar os caminhos para este entendimento. A primeira pesquisa, desenvolvida a partir de dados de vários centros europeus, descreveu algumas informações sobre a prevalência de sequelas da covid e impacto na sobrevida de cerca de 2,7 mil pacientes com câncer.

Os pesquisadores identificaram, como principais consequências crônicas da infecção pelo coronavírus, fadiga e sintomas respiratórios. Essas implicações ocorreram, sobretudo, em pacientes oncológicos do sexo masculino, com idade superior a 65 anos, com histórico de tabagismo e comorbidades.

Os cientistas também procuraram estabelecer os padrões de retomada e modificações da terapia anticâncer, depois da recuperação da covid-19. Cerca de 15% dos pacientes tiveram tratamento permanentemente descontinuado e 38% tiveram modificações nas terapias utilizadas para controle do câncer, o que pode ter gerado prejuízos na qualidade de vida e sobrevida.

Neste sentido, os procedimentos cirúrgicos, bastante utilizados nos tratamentos para tumores sólidos, não escaparam dos danos da covid-19 ao sistema de saúde. Um segundo, realizado em 466 hospitais de 61 países, procurou identificar áreas sensíveis, para que os serviços pudessem manter as operações durante períodos de bloqueio e aberturas, escolhendo os momentos corretos para a suspensão ou não de cirurgias eletivas.

A pesquisa envolveu 20 mil pacientes adultos, com 15 tipos de câncer, que tiveram uma decisão por cirurgia curativa durante a pandemia de covid-19. Os resultados do levantamento evidenciam a fragilidade dos sistemas de cirurgia a esquemas de bloqueio. Um em cada sete pacientes que estavam em regiões que adotaram esquemas de lockdown e não foram submetidos à cirurgia planejada acabaram enfrentando demoras pré-operatórias mais longas.

Os pesquisadores enfatizam que, em princípio, os desfechos oncológicos de curto prazo não tenham sido comprometidos. Mas ressaltam que atrasos e cancelamentos de procedimentos cirúrgicos podem levar a reduções de sobrevida num período mais longo.

Desta forma, os cientistas indicam que, para futuros novos tempos de isolamento e restrição social, os mecanismos dos sistemas de cirurgia eletiva devem ser reforçados, o que pode incluir vias protegidas e exclusivas para pacientes com doenças graves, crônicas e agudas, com um investimento de para aumentar a capacidade de cuidados durante emergências de saúde pública, atitude que ajudaria a proteger as equipes de profissionais e serviços de saúde e, claro, os pacientes. Sem deixar de falar, no aparelhamento do sistema de saúde para auxiliar na recuperação dos pacientes oncológicos e não-oncológicos que apresentaram sequelas após infecção pela covid-19.

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