PUBLICIDADE

Topo

Fernanda Victor

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Obesidade e covid-19: a conexão de duas pandemias e suas consequências

iStock
Imagem: iStock
Fernanda Victor

Fernanda Victor

Fernanda é endocrinologista titulada pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), formou-se em medicina na UFCE (Universidade Federal do Ceará) e fez mestrado em ciências da saúde na UPE (Universidade de Pernambuco). Já atuou em hospitais públicos de Pernambuco e como médica do Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região.

Colunista de VivaBem

28/10/2021 04h00

O novo coronavírus aqui chegou e se deparou com uma pandemia preexistente: a de obesidade. A conexão entre a obesidade e a covid-19 exacerbou sobremaneira as consequências de cada doença em separado, uma espiral em que um problema atua agravando o outro.

Estamos diante de duas pandemias desafiadoras. Assim, especialistas têm alertado para as características sindêmicas da covid-19, sendo adotado o termo sindemia como processo de interação entre duas ou mais doenças, no qual os efeitos se potencializam mutuamente.

Apesar de ter sido ofuscada pela covid-19, a pandemia da obesidade segue e se agrava como um problema de saúde pública, com um caráter crônico e silencioso. É fato preocupante que a obesidade já atinge mais de 600 milhões de adultos ao redor do mundo e já acomete 1 a cada 5 brasileiros, sendo que mais da metade da população brasileira está acima do peso.

Na visão sindêmica, pessoas com excesso de peso apresentaram maior risco de complicações e de formas graves associadas ao coronavírus, assim como as medidas restritivas e o prolongamento da pandemia de covid-19 vem impactando de forma negativa no controle do peso corporal, sobretudo em pessoas com obesidade e com dificuldade de acesso terapêutico.

Estudos têm demonstrado a obesidade como sendo um fator de risco independente para desfechos negativos em pacientes com covid-19, mesmo sem levar em consideração sua associação com outras doenças metabólicas, como diabetes mellitus, alterações no colesterol, esteatose hepática (gordura no fígado) etc.

Assim, a covid-19 nos sinaliza de forma ainda mais contundente a necessidade de tratar a obesidade com a seriedade e o acolhimento que merece. É urgente a implantação de medidas públicas de enfrentamento, incluindo campanhas para reduzir a estigmatização da doença e aumentar o estímulo ao tratamento multidisciplinar adequado.

A covid-19 afetou nossas vidas em vários aspectos, mas ela vai passar (assim alimentamos nossa esperança) e precisaremos lidar com suas sequelas físicas e emocionais. Afinal, dificilmente saímos ilesos do caos, entretanto, o importante é o aprendizado dele obtido.

Finalizo com um convite à reflexão: Que cenários você vislumbra no pós-pandemia? Consegue projetar mudanças que te proporcionem um estilo de vida mais saudável?

Que as mudanças aconteçam agora e o futuro nos encontre melhores!

Referências

1. Ky SK, R Bhat PK, Sorake CJ. Double trouble: a pandemic of obesity and COVID-19. The Lancet Gastroenterology & Hepatology. 2021;6(8):608.
2. Halpern B, Louzada MLC, Aschner P, et al. Obesity and COVID?19 in Latin America: A tragedy of two pandemics--Official document of the Latin American Federation of Obesity Societies. Obesity Reviews. 2020;22(3):1-12.