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Vacinas contra a covid-19 geram boa resposta imune em pacientes com câncer

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Fernando Maluf

Diretor associado do Centro Oncológico da BP - Beneficência Portuguesa de São Paulo, membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein e fundador do Instituto Vencer o Câncer (IVOC). É formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde hoje é Livre Docente.

Colaboração para o VivaBem

27/09/2021 04h00

Enquanto a vacinação da população geral contra a covid-19 caminha em ritmo diferente nas diversas regiões do mundo, a indicação da terceira dose para imunodeprimidos, entre eles pessoas em tratamento contra o câncer, já ocorre em vários países, inclusive no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, "o reforço vale para quem tomou qualquer imunizante contra a covid-19 no Brasil e será realizado, preferencialmente, com uma dose da Pfizer/BioNTech".

O Comitê Consultivo de Vacinação da National Comprehensive Cancer Network, nos Estados Unidos, também atualizou as recomendações de imunização para pessoas com câncer. A orientação é para que haja um intervalo de pelo menos quatro semanas entre a segunda e a terceira doses e seja utilizado um imunizante com a tecnologia mRNA (RNA mensageiro, que carrega o código genético do vírus).

A proteção do paciente oncológico contra o SARS-CoV-2 foi tema de alguns trabalhos apresentados no Congresso da ESMO (European Society for Medical Oncology), realizado semana passada, de forma virtual. Um dos estudos apresentados, feito por pesquisadores holandeses, procurou avaliar o papel da vacinação em pacientes com tumores sólidos, recebendo quimioterapia, imunoterapia ou quimioimunoterapia. Apesar de a vacina ser recomendada para este público, os cientistas ainda buscavam esclarecer o impacto do tratamento sobre a resposta imune e a segurança do imunizante.

A pesquisa dividiu os indivíduos em quatro grupos: pessoas sem câncer e pacientes com tumores sólidos que foram tratados com imunoterapia, quimioterapia ou quimioimunoterapia. Os participantes receberam duas doses da vacina, com 28 dias de intervalo. Dos 791 participantes inscritos, 743 foram avaliados e apresentaram uma resposta de anticorpos considerada adequada de 99,6%, 93,1%, 83,8% e 88,8% nos respectivos grupos, após a imunização completa.

Os pesquisadores concluíram que a vacinação com imunizantes mRNA é segura nas populações de pacientes estudadas. Para cada grupo pesquisado, a proporção de pacientes com uma resposta de anticorpos satisfatória após duas vacinações não é inferior em comparação com indivíduos sem câncer. No entanto, uma minoria significativa não desenvolveu uma resposta adequada. O resultado, segundo os cientistas, mostra que um reforço adicional deve ser analisado segundo o perfil do paciente e da eficácia da primeira vacina recebida.

Outra pesquisa divulgada no congresso, a CAPTURE, propôs compreender o impacto da infecção pelo SARS-CoV-2 e a imunidade induzida pela vacinação.

Cientistas do Reino Unido avaliaram 585 pacientes com câncer que receberam duas doses do imunizante da AstraZeneca. Os indivíduos que haviam contraído covid-19 anteriormente (31%) tiveram níveis maiores de anticorpos neutralizantes de vírus, inclusive contra variantes como a delta, para as quais a vacinação perde parte de sua eficácia. O resultado vai ao encontro de outros estudos que mostram que a resposta imune aumenta significativamente, já após a primeira dose, entre pacientes com câncer que se recuperaram de covid-19. Como conclusão, os pesquisadores indicam a priorização de todos os pacientes com câncer para vacinação. Além disso, e não menos importante, sugerem que a terceira dose deva ser feita para todos os pacientes oncológicos.

A presidente da ESMO, Solange Peters, destacou que "a riqueza de dados valiosos sobre o uso de vacinas contra o coronavírus em pacientes oncológicos permitirá fornecer orientações práticas para a comunidade médica, oncologistas e outros profissionais por igual. Além de informar as decisões nos níveis mais altos da formulação de políticas de saúde". O comunicado oficial enfatiza que "as evidências confirmam que as vacinas contra a covid protegem os pacientes com câncer".

Então, quando houver indicação para a vacina, quem tem câncer deve conversar com o médico que o acompanha e seguir as orientações para a imunização.

Fernando Maluf é diretor associado do Centro Oncológico da BP - Beneficência Portuguesa de São Paulo, membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein e fundador do Instituto Vencer o Câncer (IVOC). É formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde hoje é Livre Docente.

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