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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Existem alimentos que auxiliam na prevenção ou evolução da demência?

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Imagem: Getty Images
Liane Gonçalves Borges

Liane Gonçalves Borges

Liane é médica nutróloga com título de especialista pela Abran (Associação Brasileira de Nutrologia) e professora do curso de especialização em nutrologia da USP (Universidade de São Paulo).

Colaboração para VivaBem

10/09/2021 04h00

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), existem cerca de 50 milhões de pessoas com demência no mundo; sendo 60% a 70% dos casos decorrentes da doença de Alzheimer. E a perspectiva é que ocorra um aumento considerável desse número nos próximos anos.

Apesar de ser comum, a demência não é um quadro normal do envelhecimento. Ela gera prejuízos da memória, redução da capacidade de realizar atividades cotidianas, comprometimento da qualidade de vida não só do doente, mas também dos familiares e amigos e ainda ocasiona impacto social: seja por redução salarial do familiar que sai do emprego para tornar-se cuidador, seja pelos gastos financeiros relacionados aos cuidados da saúde do doente.

Sabendo de tudo isso, não seria incrível se tivéssemos uma dieta específica ou nutrientes que pudessem prevenir ou retardar a progressão da demência?

Sim, seria! Mas infelizmente, até o momento, os estudos não mostraram evidências científicas robustas que comprovem totalmente a eficácia nem de dietas específicas, nem de suplementos ricos em ômega 3, vitaminas do complexo B, vitamina D, cobre e selênio.

O que se sabe, de acordo com a publicação da última Diretriz da Espen (Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo), é que uma dieta balanceada, ricas em frutas, grãos integrais, cereais, vegetais, ou seja, alimentos in natura e minimamente processados, contribuem com a saúde do indivíduo e podem prevenir aparecimento e progressão da demência, como a de etiologia vascular, que pode ser causada por hipertensão e diabetes, doenças com relação direta com estilo de vida do indivíduo.

Mas e a suplementação com ômega 3 e a dieta mediterrânea não são bons aliados na luta contra a demência?

Vamos por partes.

De acordo com um artigo publicado em 2020, em que menciona que os ácidos graxos poli-insaturados ômega 3 de cadeia longa (DHA/EPA), conhecidos por reduzirem inflamação e por isso serem capazes de promover um potencial benéfico com seu uso, os estudos que abordam a prevenção e retardo da progressão da demência ainda são controversos, uma vez que os dados obtidos até o momento possuem alguns fatores de confusão na análise dos resultados, como dose, tempo de uso e ingestão ou não de outros nutrientes associados ao ômega 3.

Sobre a dieta mediterrânea, a Espen publicou uma revisão de 32 artigos cujo objetivo foi examinar a associação entre adesão desse tipo de dieta e a função cognitiva e sintomas de demência. Alguns resultados foram positivos, mostrando relação direta com a prevenção de déficit cognitivo, outros inconclusivos.

O importante é compreender que a dieta mediterrânea defende uma alimentação rica em vegetais, frutas, grãos, cereais, oleaginosas, peixes, ovos, laticínios e azeite —basicamente comida de verdade, buscando itens mais naturais e frescos. Portanto, a dica é focar em um maior consumo desses alimentos e não necessariamente no tipo de dieta.

Quanto aos suplementos vitamínicos, a publicação ressalta que só é indicado o uso na presença de deficiência avaliada em exames laboratoriais, ou em grupos específicos que possuem necessidade de reposição frequente, como indivíduos submetidos a cirurgia bariátrica.

Lembre-se: a melhor fonte de nutrientes é através da alimentação. E além de buscar equilíbrio na nutrição, é fundamental estimular a mente através da leitura, de novos conhecimentos, realizar exercício físico regular, buscar redução do estresse, sono adequado e manter relacionamentos saudáveis —essas são as melhores ferramentas para prevenir a maioria dos quadros demenciais.

É muito mais fácil e prático do que se pensa ter saúde! A grande pergunta que você deve fazer é: você está disposto a modificar seus hábitos a curto e longo prazo?

Afinal, onde você quer estar daqui 5 anos? E como pretende modificar sua rotina para chegar lá? São metas realistas e acessíveis?

Essas perguntas irão te auxiliar no processo de escolha e na descoberta de caminhos que serão responsáveis pela melhora do seu bem estar com promoção de saúde e qualidade de vida.

Referências:

WHO (Organização Mundial da Saúde): acesso dia 19/08/21 às 20:55 www.who.int/health-topics/dementia#tab=tab_1>

ESPEN (European Society for Clinical Nutrition and Metabolism) guidelines on nutrition in dementia

Review Expert Opinion on Benefits of Long-Chain Omega-3 Fatty Acids (DHA and EPA) in Aging and Clinical Nutrition

The effects of Mediterranean Diet on cognitive function and dementia: Systematic review of the evidence.

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