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Inspiração pra fazer da atividade física um hábito


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Nem melhor, nem pior: eletroestimulação é mais uma opção para o treino

Divulgação/ TecFit
Imagem: Divulgação/ TecFit
Alexandre Evangelista

Alexandre Evangelista é profissional de educação física, doutor em ciência da saúde, coordenador do Laboratório de Estudos e Ciências da TecFit e dos cursos de pós-graduação de educação física da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) e da Universidade Estácio de Sá.

Colaboração para o VivaBem

05/01/2021 04h00

Quando desembarcou no país há cerca de quatro anos, o treinamento pautado na eletroestimulação muscular de corpo inteiro (WB-EMS) foi visto, por muitos, como uma solução quase milagrosa para se ganhar força e massa muscular em tempo recorde. A promessa era de que bastariam 20 minutos de treino, uma a três vezes na semana, para que em pouco mais de um mês fosse obtido os mesmos resultados que outras atividades físicas, como a musculação, proporcionariam em três meses.

E, por se tratar de algo novo, com apelo visual digno de um filme de ficção científica —afinal, o treino com eletroestimulação de corpo inteiro pede o uso de uma roupa especial, cheia de eletrodos—, o método logo chamou a atenção dos chamados "influenciadores" e virou febre entre várias celebridades.

Não há dúvidas de que se trata de algo importante no universo fitness, capaz de ajudar uma legião de pessoas no que diz respeito ao aumento da massa muscular e até no emagrecimento, como mostram vários estudos afins. Mas, que fique muito claro: o treino com eletroestimulação de corpo inteiro não é melhor nem pior que outros exercícios mais conhecidos, como é o caso da própria musculação.

O treinamento WB-EMS nada mais é do que uma nova proposta de atividade física, que inclusive pode ser associada a outras, desde que sejam respeitados o bom senso e as normas de segurança de uso, para não sobrecarregar o corpo. E a adesão do usuário depende muito mais do gosto e da necessidade de momento dele. Ou seja, há quem prefira eletroestimulação muscular de corpo inteiro, como também existem os que apostam mais na musculação ou no treinamento funcional. E está tudo certo, pois todas as formas de treino citadas contribuem para o bem-estar geral e a saúde. Priorizar uma atividade física em detrimento das demais seria a mesma coisa que dizer que existe uma única religião capaz de falar com Deus.

Como funciona e as vantagens

Treino com eletroestimulação  - Divulgação/ TecFit - Divulgação/ TecFit
Imagem: Divulgação/ TecFit

O treino WB-EMS surgiu como a evolução da estimulação elétrica tradicional do músculo (EMS), aplicada na fisioterapia, em determinadas partes do corpo, como forma de reabilitação física. Com a evolução da tecnologia, tornou-se possível ativar vários grupos musculares de maneira sincronizada, durante a execução dos mais diferentes exercícios, com resultados muitas vezes similares a outros métodos de treinamento.

O sistema é bastante seguro, partindo do uso de um estimulador elétrico, com diversos canais de ativação muscular. Eles acionam os músculos das coxas, dos braços, dos glúteos, do abdome, do peitoral e da região dorsal (costas), cobrindo uma área total de eletrodos de até 2.800 cm2. O uso da corrente elétrica em um grande número de grupos musculares possibilita o estímulo de cadeias cinéticas completas. Sem contar que o canal elétrico pode ser configurado para atuar durante todo o movimento, sem a necessidade de se buscar grande amplitude articular na realização dos exercícios físicos. Isso pode ser extremamente vantajoso quando se trabalha com sedentários, idosos ou pessoas com baixo nível de flexibilidade.

Outra vantagem é a ativação simultânea dos músculos agonistas e antagonistas. Esse recurso, como mostrado em estudos, otimiza o ganho de força, sem apresentar danos ao padrão motor, em até 22%, durante 14 semanas de treinamento, em sessões de 20 minutos, duas vezes na semana. Resultado parecido ao obtido com a musculação, mas que para alguns grupos, como idosos ou portadores de lombalgia, pode ser mais vantajoso por não representar a sobrecarga que o peso convencional provoca sobre as articulações

Assim, podemos dizer, de fato, que o treino WB-EMS é usado como uma forma alternativa de exercício físico para melhorar o condicionamento muscular e a saúde em geral. Isso não significa, ainda, que quem faz musculação não pode fazer um treino de eletroestimulação muscular e vice-versa. Não recomendo no mesmo dia ou simultaneamente —ainda que eu tenha comandado um estudo nesse sentido—, caso não haja ciência da dosagem perfeita e segura de esforço que cada atividade pede. Mas os métodos podem formar uma ótima dobradinha de treino se forem intercalados, em dias diferentes, durante a semana.

Quem pode fazer?

Treino com eletroestimulação  - Divulgação/ TecFit - Divulgação/ TecFit
Imagem: Divulgação/ TecFit

No geral, todas as pessoas saudáveis (exceto gestantes) ou que não podem realizar formas convencionais de exercícios físicos voluntários, devido a limitações físicas, se beneficiam do uso regular da tecnologia WB-EMS. Uma revisão dos principais estudos no mundo sobre essa forma de treinamento, realizada pelo Departamento de Estudos e Ciências da TecFit, a maior rede de eletroestimulação muscular de corpo inteiro do país, em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo, reafirmou isso.

Essa revisão mostrou também o benefício desse treinamento até para grupos muito específicos, como pessoas com diabetes do tipo 2. Quem sofre da doença pode ter uma qualidade de vida melhor, treinando duas vezes por semana com a eletroestimulação. O motivo é que os exercícios WB-EMS melhoram a parestesia (sensação de formigamento), a dormência e a dor em algumas partes do corpo.

Aqueles que praticam algum esporte também podem adquirir um melhor condicionamento físico com a eletroestimulação. Por exemplo: jogadores de futebol conseguem aumentar a força em menos de quatro meses, treinando duas vezes por semana. Não é sem motivo que corredores, voleibolistas e até tenistas profissionais fazem uso dessa tecnologia. O espanhol Rafael Nadal é um deles.

Não tenho dúvidas de que os treinos WB-EMS não só vieram para ficar como também podem evoluir nos próximos anos. Já para 2021, os estudiosos do mercado fitness apontam que novas tecnologias, que possibilitam treinos curtos, com alto grau de motivação e com atendimento individualizado serão tendência. Exatamente o que os treinos WB-EMS oferecem, como forma de fisgar pessoas que, até então, não se identificaram com outras formas de exercícios físicos.

*Alexandre Evangelista é profissional de educação física, doutor em ciência da saúde, coordenador do Laboratório de Estudos e Ciências da TecFit e dos cursos de pós-graduação de educação física da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) e da Universidade Estácio de Sá.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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