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Longevidade

Práticas e atitudes para uma vida longa e saudável


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Que em 2021 possamos entender a importância real dos nossos idosos

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Alexandre da Silva

Alexandre da Silva

Alexandre é fisioterapeuta, especialista em gerontologia e mestre em reabilitação pela Unifesp, doutor em saúde pública pela USP e professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí. É também membro do Centro Internacional de Longevidade e dos grupos de trabalho Racismo e Saúde e Envelhecimento e Saúde Coletiva, ambos da Abrasco.

Colunista de VivaBem

23/12/2020 04h00

"Ele é muito novo para morrer!" Disse a minha filha sobre o meu pai, avô dela. Essa talvez é uma das melhores formas de exemplificar o verdadeiro sentimento que todos nós, enquanto sociedade, deveríamos ter em relação a todas as pessoas idosas nesse atípico mês de dezembro de 2020, o ano que não acabará.

A pandemia não deveria matar mais as pessoas idosas quando comparadas a qualquer outro grupo etário.

Certamente você que ama ou que cuida de uma pessoa mais velha já se deparou com os atuais discursos preconceituosos sobre as pessoas idosas e talvez tenha recebido mensagens que as mostram em situações que as caracterizam como teimosas, chatas, rabugentas e que "não batem bem das ideias".

E também muitas pessoas idosas ouviram horrores sobre quem são e o que ainda estão fazendo nesse mundo. E a resposta é bem simples: sem as pessoas idosas, o mundo deixaria de existir!

O mundo de hoje não teria as construções, as tecnologias, as profissões e muitos conhecimentos que nos dão a sensação de que dá para seguir a construção do mundo sem os mais velhos e as mais velhas. São inumeráveis os motivos para que façamos tudo que seja possível para mantê-los nas nossas vidas!

Do isolamento ao uso de máscaras e álcool gel e, pasmem, até repensar o famoso encontro de família para as festas de final de ano e de celebração de um novo ano.

Será mantendo a distância física nesse Natal é que demonstraremos um amor e um sentimento de "fica comigo em 2021" para as nossas velhas e velhos.

Aquele prato preferido que, muitas vezes, são as idosas ou idosos que preparam, ou aquele ritual que tem a condução da pessoa mais velha, dessa vez poderá não acontecer como de costume. E, se acontecer, será com os cuidados que aprendemos este ano.

O momento de pandemia ainda demanda muita atenção e não podemos adotar o discurso de "o que tiver que ser será", jamais! Muitos idosos e idosas estão sendo quase que coagidos a pensar que para o mundo seguir, eles precisam deixar de existir.

O que precisamos é que a vacina, juntamente com todas as medidas já conhecidas e que mantêm o risco de adoecer lá embaixo, ainda persistam, para que em 2021 as festas voltem a ser como sempre foram!

Um final de ano com muito cuidado e distanciamento social, mas não o distanciamento afetivo. São muitos os motivos para querermos estar próximos das pessoas mais velhas: porque estamos com medo, com angústia, alguns com falta de dinheiro e de sorte, outros querendo colo, abraços e beijos, mas o contato físico com a família e os amigos, ainda não é possível.

Aproveite as festas da melhor forma possível, ainda que fisicamente perto ou distante. Saibamos que tudo isso, toda essa loucura e situação de final dos tempos passará. Aí as celebrações que nosso povo sabe fazer tão bem estarão liberadas!

Esse é o texto inaugural desta coluna que, em 2021, procurará trazer assuntos interessantes para pensarmos a longevidade no nosso país e no mundo. Esse também é outro motivo para festejarmos com os cuidados devidos em 2020 para nos conhecermos mais em 2021.

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