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Lucas Veiga

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Com quais amores você sonha? Excesso de idealizações leva a frustrações

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Lucas Veiga

Lucas Veiga é psicólogo e mestre em psicologia clínica pela Universidade Federal Fluminense.

Colunista do UOL

30/11/2021 04h00

O amor é um dos temas que mais comparecem nos consultórios de psicologia. São inúmeras as questões que atravessam esse afeto tão fundamental e, por vezes, tão complicado de manejar.

Um dos elementos que, sem dúvida, traz dificuldades para a lida com a experiência do amor é o excesso de idealizações e fantasiais que fazemos em torno do que é o amor, ou do que é estar num relacionamento amoroso.

Há pessoas que vivem à procura do amor quase como crianças brincando de procurar unicórnios. As fantasias acerca do amor são tantas que, quando a pessoa se depara com a possibilidade de amar, ela imediatamente se frustra ao perceber que a relação não é ou não será exatamente como ela idealizava ou como nos foi ensinado nos filmes românticos hollywoodianos.

Viver o amor dá trabalho porque o amor é uma construção, um investimento e uma ficção. Ficção no sentido de que não há a verdade sobre o amor. Cada pessoa cria suas verdades, suas maneiras de amar, suas possibilidades diante dessa força que, como diz bell hooks, tem o poder de promover cura para nossas feridas emocionais e de ressignificar a nossa existência. Compreender que o amor tem menos a ver com romance e mais a ver com ficção científica pode nos ajudar a lidar com esse afeto de maneira mais madura.

A potência do amor enquanto afeto revolucionário por vezes é esvaziada quando se idealiza o que deveria ser uma relação de amor ou o que deveria ser o autoamor. Não há respostas definitivas. Não há caminhos 100% seguros a serem trilhados. O amor é um trabalho de criação sobre si, sobre o outro e sobre o mundo. Portanto, amar algo, alguém ou a si mesmo é um trabalho ético, estético e político diante da vida.

Quando Oxum diz que o verdadeiro amor se encontra olhando no espelho, ela nos convida para essa responsabilidade de encarar a realidade e a partir dela extrair amor. Libertar-se das ilusões acerca desse afeto pode abrir caminhos para podermos desfrutá-lo de forma mais honesta e mais plena.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL