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Larissa Cassiano

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Será que existe um método anticoncepcional melhor para cada idade?

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Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

04/05/2022 04h00

Recentemente recebi a dúvida de uma leitora e gostaria de dividir com vocês, pois essa pode ser a dúvida de outras pessoas: "Tenho 40 anos, nenhum problema de saúde, menstruação normal. Me separei e parei de tomar o anticoncepcional. Agora, conheci uma pessoa e voltei a me relacionar sexualmente, porém não desejo voltar a tomar anticoncepcional. Você pode me ajudar?"

Antes de tudo, saber que não existe um anticoncepcional perfeito é fundamental, e mesmo com o maior número de informações possíveis, uma troca pode ser necessária.

Além disso, o melhor método é aquele a que você se adapta bem pensando nos seus desejos, suas finanças, taxa de falha, forma de uso e indicações médicas, assim, pesando esses pontos, que não são únicos, mas talvez sejam os principais, a escolha possivelmente ficará mais fácil.

Dentre as opções atuais, vou fazer uma divisão em dois grupos: os métodos hormonais e não hormonais, com destaque aos não hormonais que foram os métodos pedidos pela leitoria.

Laqueadura: a laqueadura, técnica cirúrgica de esterilização definitiva, possui taxa de falha de 1% a 3% por ano. Para a sua realização, é necessário ter mais de 25 anos ou dois filhos.

Dispositivo intrauterino (DIU): é um método contraceptivo que fica no útero. É seguro, eficaz e de longa duração, pode ser inserido no consultório, centro cirúrgico com anestesia local e até com sedação. Pode ser usado por quem nunca engravidou, por quem deseja um método seguro, de longa duração, sem a necessidade de lembrança diária e sem ganho de peso.

Há 2 tipos de DIU: com e sem hormônio. As diferenças estão no fato de que o DIU hormonal pode reduzir o fluxo menstrual e até bloqueá-lo por completo, auxilia pessoas com endometriose e fluxo menstrual intenso, porém, por ter hormônios na sua composição pode levar a escapes, alterações de pele, cabelo e libido. Já o DIU sem hormônio possui boa ação contraceptiva, não afeta a libido, peso, pele ou qualquer outro ponto relacionado aos hormônios, em contrapartida, pode levar ao aumento do fluxo menstrual.

Preservativos internos e externos (feminino e masculino): são as únicas formas de contracepção associada a prevenção de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), com restrição apenas para quem tem alergia ao látex.

Métodos comportamentais: medida da temperatura corporal basal, avaliação do muco cervical ou método de Billings, palpação do colo do útero e tabelinha, que são métodos que requerem de quem os utiliza um bom conhecimento do corpo e do ciclo.

Já entre as opções hormonais temos: pílulas com pausa e de uso contínuo, adesivo, anel vaginal, injeção mensal e trimestral, implante hormonal e DIU hormonal. Eles vão se diferenciar pela via de utilização, dose, taxa de falha e efeitos colaterais.

Após apresentar todos os métodos, gostaria de dividir uma pouco mais sobre as possibilidades desses métodos e considerações. Conversei com Maria Mariana, ginecologista, especialista em ginecologia endócrina, que cuida de métodos contraceptivos e hormonais.

Uma dúvida frequente entre muitas pessoas e a leitora que me escreveu é a relação entre a idade e métodos hormonais, Maria Mariana explica: "Isoladamente, a idade não é uma contraindicação ao uso de métodos hormonais. Pessoas saudáveis, não fumantes, podem usar métodos hormonais até a menopausa. A exceção disso se faz a portadoras de diabetes e hipertensão não controladas, enxaqueca, doença hepática e tabagistas. Nesses casos, a idade acima de 35 anos é um agravante aos riscos do uso de métodos hormonais, principalmente do estrogênio e, geralmente, optamos por não hormonais ou de progesterona isolada."

Sabendo as contraindicações dos hormônios, e com tantos métodos não hormonais, vale colocar os métodos hormonais na balança: hormônios são vilões?

Segundo a Maria Mariana, "atualmente vivemos a era da volta ao natural e, sinceramente, não considero isso ruim. Cada vez mais as mulheres querem vivenciar seus ciclos menstruais e conhecer seus corpos sem o bloqueio hormonal. Acho interessante que todas tenham acesso à informação adequada para escolherem o método baseado nas evidências científicas, mas, em simultâneo, não acho saudável a condenação à pílula e aos métodos hormonais. Quando eles são necessários, melhoram muito a qualidade de vida da pessoa. Assim como todos os métodos, eles não são isentos de riscos, mas, além de serem extremamente raros os eventos graves relacionados ao uso de métodos hormonais, precisamos pensar nos benefícios que eles trazem ao longo do uso."

Independente da escolha feita, não podemos esquecer que apenas os preservativos protegem contra ISTs, ainda que o relacionamento seja monogâmico e estável, a fidelidade e o tempo de relacionamento não devem ser os únicos considerados na hora de suspender o uso do preservativo.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para: dralarissacassiano@uol.com.br.