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Larissa Cassiano

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Sífilis tem tratamento eficaz e barato, mas que encontra muitas barreiras

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Imagem: Getty Images
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Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

12/01/2022 04h00

A sífilis é uma questão de saúde pública mundial e temos observado um aumento significativo no número de casos, embora existam medidas para evitar a infecção e seu tratamento seja eficaz e com baixo custo.

Em outubro de 2021, foi publicado um Boletim Epidemiológico de Sífilis do Ministério da Saúde, e os dados mostram uma redução no número de casos, porém essa redução está ocorrendo após diversos períodos de aumento significativos e destaca-se que o panorama da doença no Brasil é semelhante ao de outros países do mundo, com dados ainda preocupantes, que merecem nossa atenção.

A sífilis é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria Treponema pallidum, a transmissão pode ocorrer por contato sexual, durante a gravidez pela placenta ou contato com o sangue ou lesões. As manifestações podem começar após um período de 10 a 90 dias.

Se não for tratada poderá evoluir de formas diferentes dependendo do tempo entre a infecção e o diagnóstico. A infecção é dividida entre recente e tardia, sendo recente a infecção que acontece até um ano da infecção, nessa fase é comum a presença de lesões que possuem muitos treponemas; a tardia ocorre após um ano, geralmente existe poucas lesões e com poucos treponemas.

Quanto aos sintomas, na fase recente é possível observar o cancro duro, uma lesão pequena que aparece na região anal ou genital geralmente indolor que desaparece espontaneamente, após a evolução da doença é possível observar lesões generalizadas parecendo manchas, bolhas e depois a goma sifilítica e as formas mais graves: sífilis cardiovascular e neurossífilis.

Quando se trata de infecção sexual, muitas vezes o tratamento encontra barreiras e questões pessoais complexas. Quando um parceiro(a) descobre a infecção é recomendado que seu parceiro(a) também seja testado e tratado. A recomendação nesse caso é que utilize preservativo, entretanto, sabemos da dificuldade em manter uma relação duradoura com o uso de preservativos, mas não se pode deixar de lado a informação, assim como a liberdade da decisão do casal.

O diagnóstico pode ser feito através de exames de sangue e nas lesões, que avaliam direta ou indiretamente a infecção. Lembrando que nem sempre as manifestações iniciais da sífilis são observadas, por esse motivo exames de sangue periódicos para pessoas que podem ter se infectado são muito importantes para que o tratamento seja feito precocemente e para evitar a infecção de disseminação.

Crie o hábito de falar com seu médico sobre infecções sexualmente transmissíveis caso você tenha tido relações sexuais desprotegidas.

O tratamento pode ser feito com doses específicas para a fase da infecção com uso de penicilina g benzatina a benzetacil.

Quando a sífilis ocorre na gestação, a infecção pode levar a abortamento, morte do feto, restrição do crescimento fetal e parto prematuro. Na gravidez, o teste para sífilis deve ser feito no primeiro trimestre, geralmente quando ocorre a primeira consulta de pré-natal, no terceiro trimestre, na internação para o parto e no caso de internação por abortamento o teste também deverá ser feito.

Após o diagnóstico na gestação, a recomendação é de que o tratamento seja iniciado imediatamente, pois isso reduz a possibilidade de infecção fetal.

O sexo é coberto de escolhas, cada indivíduo deve conscientemente saber dos riscos de uma relação desprotegida entendendo a dinâmica de sua relação e tudo que está envolvido, sempre com respeito e consentimento.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para dralarissacassiano@uol.com.br.

Referências:

Menezes ML, Passos MR. Sí­filis e gravidez. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); 2018. (Protocolo FEBRASGO - Obstetrícia, no. 68/ Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas).

Arando Lasagabaster M, Otero Guerra L. Sífilis. Enferm Infecc Microbiol Clin. 2019. https://doi.org/10.1016/j.eimc.2018.12.009

Boletim Epidemiológico de Sífilis de 2021.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL