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Larissa Cassiano

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Aprenda estratégias para reduzir náusea e vômito na gravidez

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Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

20/10/2021 04h00

Vocês já notaram que algumas vezes em filmes ou novelas as náuseas e o vômito de uma mulher são os sinais que eles utilizam para uma gestação?

As náuseas e os vômitos são muito comuns no início da gestação. Náusea é a sensação desconfortável de que o vômito pode ocorrer, na gestação o vômito recebe o nome de êmese gravídica. Geralmente ela dura até o final do primeiro trimestre da gestação, aproximadamente 14 semanas.

Para os casos em que esse desconforto é mais intenso o nome dado é hiperêmese gravídica, nesses casos os sintomas são mais desconfortáveis, podem durar até o segundo trimestre e nos casos graves a internação pode ser necessária. Menos comum na gestação, sintoma não deve ser ignorado, pois pode estar associado a outras alterações ou necessitar de abordagem mais ativas.

As pessoas com maior risco de evolução para formas mais graves são: mulheres que em outras gestações já apresentaram quadro semelhante ou possuem familiares próximos com histórias semelhantes, obesas e mulheres jovens na primeira gestação.

Mesmo com diversos estudos e alta frequência ainda não está bem estabelecida a causa de náuseas e vômitos na gestação. A elevação inicial dos hormônios, questões genéticas e psicológicas são algumas das hipóteses.

O diagnóstico é feito através das queixas e relatos da gestante, mas nas situações mais complexas, exames de sangue, urina e ultrassom podem ser utilizados para investigar a possibilidade de associação e realizar o melhor aconselhamento.

O tratamento consiste em reduzir o desconforto que náuseas e vômitos podem causar através de medicações ou medidas comportamentais e não farmacológicas que podem ser muito efetivas.

Algumas medidas que podem auxiliar na redução dos sintomas:

  • Refeição mais sólida possível;
  • Reduzir os intervalos entre as refeições: realizar de seis a oito refeições por dia com intervalos máximos de 3 horas;
  • Evitar consumo de comidas gordurosas, muito temperadas e com cheiro forte;
  • Evitar ingestão de líquidos nas primeiras duas horas do dia;
  • Aromaterapia;
  • Acupuntura;
  • Evitar líquidos durante as refeições, dando preferência à ingestão nos intervalos;
  • Ingerir alimentos sólidos antes de levantar-se pela manhã (bolacha água e sal);
  • Ingerir suco de limão, pois pode ajudar a controlar a náusea;
  • Utilizar líquidos ou alimentos gelados para evitar o vômito;
  • Comer devagar.

Pulseira anti-enjoo

Dentre essas dicas, talvez a pulseira anti-enjoo não seja uma conhecida de todos, ela já é muito utilizada em outros países e este ano começou a ser comercializada por uma empresa nacional.

Ela funciona através de acupressura, um método originário da medicina chinesa que pressiona uma área do pulso relacionada a náuseas e vômitos sem uso de medicação.

Aqui são pequenas dicas, mas é sempre muito importante falar com seu médico em caso de dúvida ou se os sintomas persistirem, principalmente nos casos em que o vômito estiver intenso, for acompanhado de perda de peso e mal-estar geral.

Os casos graves que não apresentarem resposta podem e devem ser medicados até mesmo podem necessitar de internação para reestabelecer minerais e hidratar.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para: dralarissacassiano@uol.com.br.

Referências:

Êmese da gravidez / Geraldo Duarte... [et al]. — São Paulo: Federação das Associações Brasileiras de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), 2018. (Série Orientações e Recomendações FEBRASGO, no. 2/Comissão Nacional Especializada em Assistência Pré-natal). 23p.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL