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Larissa Cassiano

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Outubro nos convida a falar sobre câncer de mama, mas prevenção não tem mês

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Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

06/10/2021 04h00

O mês de outubro chegou e com ele vem diversas divulgações e trabalhos sobre o Outubro Rosa, um momento para lembrarmos da importância da prevenção ao câncer de mama.

Os protocolos para prevenção do câncer de mama possuem alta relevância, pois estamos falando do tipo mais incidente entre as mulheres no mundo, com uma taxa de 24,2% do total de casos em 2018. Além disso, o diagnóstico precoce pode auxiliar no tratamento e no prognóstico.

Algumas situações e condições aumentam o risco para o câncer de mama, entre elas o histórico familiar de câncer de mama, principalmente quando relacionado a parentes de primeiro grau que tiveram câncer antes da menopausa, alterações genéticas, consumo de bebida alcoólica, exposição a agentes químicos, menstruação precoce e menopausa tardia.

Atenção aos fatores que aumentam o risco e avaliações periódicas desempenham um papel importante, mas conhecer a própria mama também possui relevância, embora não seja considerada uma forma de pesquisa para o câncer, com o conhecimento e autoexame das mamas é possível observar o surgimento de alterações como nódulos, mudança na cor, saída de secreção, dor, entre outras alterações que podem despertar a necessidade de métodos para investigação.

A avaliação das mamas deve ser feita anualmente a partir dos 40 anos até 74 anos em mulheres sem sintomas e risco aumentado, segundo as orientações do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). No caso de mamas com pouco tecido de gordura, a ultrassonografia deve ser associada para melhorar a avaliação, mas ela não é considerada um exame de rotina para pessoas sem indicação específica.

Após suspeita de câncer de mama pelos exames de imagem, a biópsia será a forma de confirmar o tipo, com essa confirmação a escolha da melhor opção de tratamento inicial poderá ser feita. Atualmente, o tratamento do câncer de mama possui 5 formas principais: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo. A definição de qual tratamento será feito considera diversos pontos como: o estágio do câncer, idade, tipo de câncer, aspectos genéticos, presença de doenças crônicas, disponibilidade, entre outros pontos.

Todas essas opções de tratamento sofreram muitas evoluções ao longo dos anos, reduzindo efeitos colaterais, aumentando a expectativa de vida e dando mais qualidade de vida. Por exemplo, é possível que uma paciente do sistema público realize seus exames, quimioterapia, radioterapia, cirurgia para retirada da lesão e reparação estética. Um avanço com benefícios inegáveis a saúde.

A cirurgia na mama realiza o controle da doença, confirma o resultado da biópsia e extensão da lesão; com a análise do material retirada também se define o que será feito em seguida. A quimioterapia pode ser feita antes ou após a cirurgia, através da utilização de medicamentos que auxiliam combatendo o retorno do câncer e reduzindo o tumor.

A radioterapia é feita no local para controlar o avanço da doença para outros locais, diminuir a possibilidade de retorno, aumentando o tempo livre de doença. Já o hormônio é utilizado em todos os tipos de câncer responsivos a hormônio através de medicações orais ou endovenosas por um período de 5 anos.

Outubro nos convida a pensar e falar sobre o câncer de mama, porém a prevenção não possui mês, ela pode ser feita todos os meses do ano, assim como o conhecimento da própria mama. Não ignore os sinais e sintomas, se você acredita que algo está errado procure ajuda médica, a prevenção pode mudar a sua história.

Gostou deste texto? Comentários, críticas e sugestões podem enviar email para dralarissacassiano@uol.com.br.

Referências:

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Rastreamento e propedêutica do câncer de mama. São Paulo: FEBRASGO; 2021 (Protocolo FEBRASGO Ginecologia, n. 89/Comissão Nacional Especializada em Imaginologia Mamária).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL