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Larissa Cassiano

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Agosto Dourado: conheça os benefícios do aleitamento para mãe e bebê

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Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

03/08/2021 04h00

No ano de 2017, a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), pensando na semana do aleitamento materno que acontece entre 1º e 7 de agosto, criou o "Agosto Dourado", uma campanha nacional de conscientização sobre a importância do leite materno nos primeiros anos de vida dos bebês.

Tudo foi oficializado através da Lei nº 13.435/2017, que determina que no decorrer do mês de agosto as ações devem ser intensificadas para a conscientização e esclarecimento sobre a importância do aleitamento materno, utilizando o dourado para lembrar o "padrão ouro de qualidade" da amamentação.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) aconselha a amamentação de forma exclusiva por 6 meses sem a necessidade de qualquer tipo de complemento, tais como água, chá ou outros alimentos, e a manutenção com complemento por dois anos ou mais.

Embora 96% das mulheres iniciem a amamentação exclusiva, apenas 41% a mantêm até um ano de vida. Os obstáculos são diversos e contar com um mês de incentivo ao aleitamento é mais uma forma de buscar meios para aumentar esse número.

Para alguns, amamentar pode ser simples e instintivo, mas diversas mães passam por desafios, até mesmo porque essa sensação de que é algo simples e natural se transforma em um desafio quando muitas mulheres percebem que isso é complexo e pedir ajuda pode ser mais difícil se comparado com a opção de dar uma fórmula.

Como sociedade devemos acolher essas mulheres com orientação e condições para que no retorno ao trabalho a amamentação possa continuar.

Benefícios

Para o bebê:

  • O leite materno possui bactérias que auxiliam na formação da flora do bebê;
  • Protege contra infecções e diarreia através das células de defesa presentes na sua composição;
  • As crianças amamentadas por 6 meses ou mais, quando comparadas com as que mamam por menos tempo, têm risco 19% menor de apresentar leucemia;
  • Menor número de casos de otite média aguda, asma e dermatite atópica;
  • Redução de 26% no risco de obesidade e sobrepeso.

Para quem amamenta:

  • A amamentação auxilia na contração do útero após o parto fazendo com que ele tenha menos sangramento;
  • Menos risco de câncer de mama, endométrio e ovário;
  • Auxílio para retornar ao peso pré gestacional, pois a amamentação gera uma queima calórica de cerca de 700 kcal por dia.

Para ambos:

  • A amamentação favorece o vínculo entre a mãe e o recém-nascido com benefícios emocionais e psicológicos para ambos;
  • O aleitamento materno é economicamente mais barato, natural, renovável e ambientalmente seguro.

Quando, após tentativas ou por algum tipo de impossibilidade, o aleitamento materno não acontecer, buscar orientação nutricional e pediátrica é extremamente importante, pois cada situação tem suas particularidades e cada bebê tem indicações e necessidades diferentes.

A Carol Costa contou um pouco da sua experiência de amamentação: "Tive 4 filhos e experiências diferentes, tive dificuldade para o leite descer, mas não desisti de amamentar mesmo com a indicação de fórmulas, sempre procurei fazer tudo o que estava ao meu alcance, procurando profissionais como fonoaudiólogos, consultores em amamentação, tirando leite em bombinhas, tomando suplementação, orientações com nutricionista... Sempre existiu o desejo e a vontade de amamentar exclusivamente no peito! Confesso ter ficado frustrada com a amamentação da minha primeira filha, mesmo assim amamentei até 3 anos e meio. Meu filho Leonardo amamentei até um ano e dois meses, idade que ele faleceu. Maria Flor consegui amamentar graças a relactação, tive baby blues e o emocional contribui muito, amamentei até dois anos e meio. Na do Theodoro me senti uma vitoriosa amamentando exclusivamente até os seis meses!"

Com todas as experiências da Carol e sua força de vontade para amamentar, desejo que todas as mulheres possam ser incentivadas e acolhidas durante a amamentação.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para: dralarissacassiano@uol.com.br.

Referências:

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13435.htm.

Brasil. Datasus. Sistema de informações sobre de nascidos vivos- Sinasc 2013.

Rodrigues, Marcielle J et al. Factors associated with breastfeeding in the first year of life in Cruzeiro do Sul, Acre. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil [online]. 2021.

Finalizo este texto comemorando um ano da minha coluna, quero agradecer a toda equipe de VivaBem, por toda a receptividade, e a todos vocês, leitores, que são o motivo do nosso trabalho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL