PUBLICIDADE

Topo

Larissa Cassiano

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Anticoncepção de emergência é eficaz, mas não deve tornar-se rotineira

iStock
Imagem: iStock
Conteúdo exclusivo para assinantes
Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

13/07/2021 04h00

A anticoncepção de emergência se popularizou com o nome de pílula do dia seguinte. Trata-se de uma opção contraceptiva que pode ser utilizada após a relação sexual desprotegida para evitar uma gestação não planejada até 5 dias depois.

As opções são: pílulas contraceptivas orais com estrogênio e progesterona; pílulas só com progesterona; pílulas anticoncepcionais de emergência e dispositivos intrauterinos com cobre. No Brasil, o que mais se utiliza são as medicações hormonais.

Por serem medicações de fácil acesso e darem a segurança de evitar uma gestação não planejada muitas pessoas utilizam a anticoncepção de emergência, porém é recomendado sempre conversar com um ginecologista sobre esse uso e se estiver acontecendo com muita frequência vale considerar a possibilidade de utilizar um método contraceptivo contínuo.

Como funciona?

A medicação age bloqueando ou atrasando a ovulação, dependendo da fase do ciclo em que a pessoa esteja, além de alterar os níveis hormonais que não permitirão que o óvulo se desenvolva.

Quando é indicada?

A contracepção de emergência deve ser reservada para situações de exceção, estando indicada em algumas situações como relação sexual que ocorreu sem uso de método contraceptivo, falha conhecida ou presumida do método (rotura da camisinha, dificuldade para retirar ou permanência da camisinha na vagina, dificuldade para retirar o diafragma), uso inadequado do anticoncepcional (esquecimento do contraceptivo oral por mais de 48 horas, atraso na aplicação do contraceptivo injetável, e na troca do adesivo ou anel vaginal) e abuso sexual.

Como utilizar a anticoncepção de emergência/pílula do dia seguinte?

No Brasil, existem duas opções mais conhecidas que podem ser utilizadas até cinco dias após a relação sexual desprotegida: uma delas com duas doses em um dia e outra com dose única. Já o DIU com cobre pode ser inserido até cinco dias após a relação sexual desprotegida.

O método é seguro?

Quando o uso da medicação é feito em até 24 horas após a relação sexual, cerca de dois terços das gestações são evitadas, porém, quanto maior o tempo de espera para iniciar a medicação, menor a eficácia do método.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) avalia que a forma hormonal de contracepção de emergência possui taxa de falha de 2% entre 0 e 24 horas, de 4,1% entre 25 e 48 horas e de 4,7% entre 49 e 72 horas, mas é importante ressaltar que o uso rotineiro compromete sua eficácia.

Quais podem ser os efeitos colaterais?

Geralmente eles são leves, podendo ocorrer: vômitos, cefaleia, tontura e alteração de sangramento vaginal, dor mamária e vertigens.

O que pode reduzir a eficácia?

O uso em conjunto com algumas medicações pode reduzir o efeito, são elas: barbitúricos, carbamazepina, felbamato, griseofulvina, oxcarbazepina, fenitoína, rifampicina, erva-de-são-joão e topiramato.

Como fica a menstruação após o uso da medicação?

Entre as usuárias, 57% têm a sua menstruação seguinte no período esperado, sem alterações; já 15% poderão sofrer atrasos de até sete dias; e 13% atrasos mais longos, com mais de sete dias. Uma última parcela de 15% poderá ter antecipação da menstruação, menos que sete dias.

Essa é uma opção segura e com alta eficácia para quem não deseja uma gestação, porém para que tudo ocorra da melhor maneira possível é recomendável sempre conversar com seu ginecologista para avaliar sua indicação, forma de utilização, não utilizar a contracepção de emergência como uma forma de contracepção de rotina, sem esquecer que o preservativo é o único método contraceptivo que protege contra ISTs (infecções sexualmente transmissíveis).

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para: dralarissacassiano@uol.com.br.

Referências:

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Anticoncepcional hormonal apenas de progestagênio e anticoncepção de emergência. São Paulo: FEBRASGO; 2021. (Protocolo FEBRASGO-Ginecologia, no 66/ Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção).

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Área Técnica de Saúde da Mulher. Anticoncepção de Emergência: perguntas e respostas para profissionais de saúde/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas - Brasília: Ministério da Saúde, 2005. 20 p.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL