PUBLICIDADE

Topo

Larissa Cassiano

Quando realizar exames para investigar uma possível IST?

iStock
Imagem: iStock
Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

02/02/2021 04h00

Sexo sem preservativo ou acidente com preservativo: quando realizar exames para investigar uma possível infecção?

Para responder a esse questionamento, preciso definir com vocês algumas questões. As ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), que eram conhecidas como doenças sexualmente transmissíveis, sofreram essa alteração no nome para deixar claro que não é necessário estar doente para que a transmissão ocorra.

As ISTs são transmitidas por relação sexual e podem ser causadas por mais de 30 agentes, como vírus, bactérias, fungos e protozoários. As consequências variam de corrimentos vaginais e uretrais, infecções na tuba uterina, que podem alterar a fertilidade, alterações na pele, até casos mais graves quando o tratamento não é feito adequadamente.

As mais frequentes são:

  • Cancroide
  • Herpes genital
  • Donovanose
  • Linfogranuloma venéreo
  • Sífilis
  • Candidíase
  • Infecção por Clamídia
  • Gonorreia
  • Tricomoníase
  • Doença Inflamatória Pélvica (DIP), causada por diversos agentes e com várias consequências possíveis
  • Hepatites
  • HIV
  • HPV

Os preservativos femininos e masculinos possuem um papel extremamente importante para prevenção das ISTs, mas não são os únicos itens. Conhecimento sobre as infecções e formas de contágio são essenciais, lubrificantes, acesso a serviços de saúde, pesquisa durante o pré natal para diagnosticar HIV, sífilis e hepatites virais que podem acometer o bebê, vacina contra hepatite B e HPV, medicação para prevenção de infecção ao HIV antes e após a exposição e medicações após violência sexual.

Como evitar incidentes com o preservativo masculino?

Evite guardar em locais como carteira, com alta exposição ao calor ou frio, utilizar fora do período de validade, abrir o preservativo sem cuidado, ausência de lubrificação anal e vaginal, uso de lubrificante a base de óleo (utilizar a base de água), tamanho do preservativo não adequado para o pênis, retirada do preservativo sem cuidado, uso de mais de um preservativo ao mesmo tempo, uso do mesmo preservativo durante sexo anal e vaginal e uso de preservativo por período prolongado.

Para o preservativo feminino, os cuidados de armazenamento também são extremamente importantes: não utilizar em conjunto com preservativo masculino, não utilizar lubrificantes, pois ele já possui lubrificante, retirar com cuidado de preferência antes de se levantar.

Como saber se você se infectou e qual prazo de cada teste?

  • HIV: depende do tipo de teste utilizado, podendo variar de 10 a 90 dias;
  • Hepatite B: varia de 1 a 3 meses;
  • Herpes: pode levar um período seis dias para as primeiras manifestações;
  • Hepatite C: de 1 a 6 meses;
  • Sífilis: o período de manifestação varia de 10 a 90 dias, com a primeira manifestação mais comum sendo uma lesão única no local em que ocorreu a contaminação da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca), sendo que essa lesão pode perdurar entre duas e seis semanas, desaparecendo espontaneamente, mesmo sem tratamento;
  • Infecção por clamídia: no homem pode causar uretrite (saída de pus pela uretra), para diagnóstico o período de manifestação pode ser de 14 a 21 dias;
  • Gonorreia: também pode causar uretrite e levar de dois a cinco dias para se manifestar;
  • HPV: é uma das infecções mais difíceis de se estimar quando ocorreu, o vírus pode permanecer sem se manifestar por diversos anos até o aparecimento das lesões, sem ser possível dizer o período entre a infecção e as lesões.

Para quem opta por não utilizar preservativo, saber dos riscos de saúde é extremamente importante, mas não é o único conhecimento necessário, com o maior acesso à Justiça, as pessoas têm buscado reparações após infecções sexualmente transmissíveis.

Igor Mascar, advogado e professor de direito médico, explica que o Judiciário já possui decisões relacionadas a responsabilidade civil e criminal nessas situações, tanto para casos em que a pessoa possui conhecimento sobre a infecção quanto nos casos em que o infectado apresente comportamento de risco sem conhecimento.
Quando se deixa de utilizar preservativo a responsabilidade da própria saúde passa a ser dividida com o outro, lembre-se disso e cuide-se.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para: dralarissacass/iano@uol.com.br.

Referências:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. - Brasília: Ministério da Saúde, 2015.