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Larissa Cassiano

Parto humanizado envolve diversos profissionais diferentes; entenda funções

Mustafa Omar/Unsplash
Imagem: Mustafa Omar/Unsplash
Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

15/12/2020 04h00

Toda vez que falo sobre parto humanizado, me perguntam: mas pode ser no hospital? Vai ser na água? Tem anestesia?

O parto humanizado é a assistência ao parto focada na autonomia feminina, baseado em evidências científicas com respeito aos desejos da mulher e sem intervenções desnecessárias.

Isso quer dizer que a mulher pode escolher um parto vaginal ou cesárea com ciência de todas as possibilidades e condições ligadas ao procedimento, sendo domiciliar ou hospitalar, sem ou com anestesia, se for da sua vontade, a gestante pode se movimentar livremente durante esse processo, sem que isso se torne uma imposição ou deixe de ser humanizado.

O movimento da humanização do parto começou na América Latina por volta dos anos 2000, quando pacientes e profissionais começaram e perceber o número de procedimento invasivos e desnecessários que estavam ocorrendo.

A humanização surgiu de um desejo de deixar o nascimento ser protagonizado pela mulher ao entender quais são as reais necessidades neste momento, isso quer dizer que a mulher expressa seus desejos e o profissional responsável pelo parto, com base nos seus conhecimentos técnicos, define em conjunto com a paciente as condutas que serão tomadas.

Um dos maiores benefícios que a humanização trouxe foi a integração entre profissionais de diversas áreas com um mesmo objetivo, porém as dúvidas sobre essas abordagens são grandes, por este motivo estou trazendo alguns profissionais para falar um pouco sobre como eles atuam durante o parto.

Durante a gravidez, o corpo passa por diversas alterações, pensar em prepará-lo é uma das melhoras formas de se conectar e entender as transições da gestação.

Bianca Mesquita, fisioterapeuta pélvica, explica parte do seu trabalho: "a fisioterapia atua no tratamento e na prevenção de disfunções que podem ocorrer durante ou após a gestação, prepara o corpo para o parto, trabalha movimentos que irão auxiliar nesse momento, técnicas de percepção, alongamento e relaxamento dos músculos do assoalho pélvico podendo prevenir lesões no parto vaginal. Durante o parto, a fisioterapia contribui no alívio das dores, na descida do bebê pela pelve materna, sendo capaz de diminuir o tempo do trabalho de parto".

E as doulas? Sem dúvidas elas são uma das profissionais ligadas ao parto que mais tiveram um crescimento nos últimos tempos, para falar sobre essa profissional pedi ajuda da Raquel Correia, doula, que conta um pouco sobre o trabalho dela: "A doula é a profissional que cuida da mulher durante o período gestacional, fornecendo informações baseadas em evidências, auxiliando na busca por profissionais alinhados com seus desejos, e mais do que isso, é quem irá estender a mão, dar colo, caminhar junto e aliviar as dores emocionais e físicas no parto e antes dele. A doula não tem responsabilidade técnica, não afere pressão, não faz toque, não ausculta o bebê".

Outra área em ascensão, principalmente para as mães de primeira viagem, são as consultoras de amamentação e Kely Carvalho, fonoaudióloga, conta um pouco sobre o trabalho dela: "Durante o pré-natal, a consultora de amamentação prepara a lactante sobre o que esperar nos primeiros dias de vida do bebê, explica o que é normal de cada fase e, principalmente, quando procurar ajuda".

Durante o preparo para o parto, o bebê também entra na programação e a pediatra Bruna Briones nos conta como deve ser essa abordagem: "A consulta pré-natal pediátrica é de extrema importância, já que aumenta o índice de bebês amamentados e a duração da amamentação. Ela vai tirar as dúvidas que os papais nem sabem que têm e dará um norte para eles cuidarem do novo bebê".

Dentro de toda abordagem humanizada e multiprofissional de parto no Brasil, a assistência pode ser feita por 3 profissionais diferentes: médico obstetra, enfermeira obstétrica e obstetriz. A enfermeira obstétrica Júlia Falcão também nos trouxe um pouco de conhecimento sobre o seu trabalho: "A abordagem do profissional de enfermagem é focada na saúde integral da gestante e, por isso, os exames físicos são minuciosos e a escuta é atenta às necessidades e queixas relacionadas ao processo gravídico e puerperal. Um dos pontos fortes da assistência é a prevenção de problemas na saúde da mãe e do bebê e o manejo de métodos não farmacológicos para solução dos desconfortos na gestação e principalmente durante o parto. Por isso este acompanhamento deverá começar o mais cedo possível".

Claro que não posso deixar de falar da minha participação com médica obstetra, meu trabalho no parto para que a gestante se sinta segura, livre para participar das decisões e pronta para atuar do momento em que a mulher se descobre grávida, nos momentos necessários durante o parto e no auxílio aos cuidados pós-parto.

Antes que você se desespere pensando que só em hospitais privados com equipes que contenham todos esses profissionais será possível ter um parto humanizado, digo como médica do SUS e da rede privada que humanização não está na estrutura apenas, está nos profissionais alinhados com o anseio da gestante, conhecer a equipe, saber como ela trabalha e conhecer o hospital, são alguns passos para que o parto ocorra da forma mais alinhada com os desejos da gestante.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para: dralarissacassiano@uol.com.br.