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Larissa Cassiano

Gestantes podem sofrer com a diástase abdominal; entenda melhor o quadro

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Imagem: gETTY iMAGES
Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

01/12/2020 09h51

A gravidez é um período de muitas alterações para o corpo feminino e muitas pessoas ficam inseguras sobre como o corpo irá se recuperar. Graças ao aumento do conhecimento sobre o parto conseguimos entender mais sobre a diástase abdominal, uma alteração que deixa muitas gestantes inseguranças sobre o corpo. Você já ouviu falar sobre ela?

Durante a gravidez, para que o feto se desenvolva, o corpo feminino passa por alterações hormonais e anatômicas, entre elas está o crescimento do útero para comportar o feto, isso pode consequentemente levar ao afastamento dos músculos do abdome.

Consideramos diástase dos músculos reto abdominais o afastamento dos músculos abdominais mais do que 3 centímetros, esse afastamento pode retornar naturalmente após o parto, mas algumas mulheres podem ter problemas durante a gravidez e após o parto, além de problemas para o retorno da musculatura ao estado antes da gestação.

Na gravidez e no pós-parto, a diástase pode levar a dor abdominal, lombar, perda urinária e distopia dos órgãos da pelve, quando útero ou bexiga ficam mais baixos que o normal. No pós-parto a diástase pode levar a um desconforto estético que pode estar associado a percepção de que a redução de peso não está compatível com a redução das medidas, justamente por essa alteração na musculatura abdominal, gerando uma sensação de que a barriga está mais saliente.

O diagnóstico da diástase pode ser feito através de ultrassom, palpação da região abdominal ou por tomografia no pós-parto. Para a prevenção e tratamento, a fisioterapia e as atividades físicas realizadas por especialistas são excelentes formas de acompanhamento. Para casos em que essas medidas não forem suficientes, a cirurgia plástica também poderá ser uma opção.

Para falar um pouco sobre esses acompanhamentos vou trazer profissionais para contar um pouco sobre a abordagem delas.

As fisioterapeutas Thalita Freitas e Alessandra Sônego, sócias da clínica Athali, explicam como a diástase abdominal pode ser tratada. Segundo elas, a fisioterapia pélvica, através de exercícios específicos direcionados ainda na gestação, tem como objetivo estabilizar a diástase, diminuindo o impacto negativo na funcionalidade corporal, assim favorecendo e facilitando o fechamento total no pós-parto. Lembrando que o melhor tratamento para a diástase é a prevenção: prevenir é sempre melhor do que tratar.

A educadora física Rô Nascimento fala sobre os benefícios de praticar exercícios para diástase após a gravidez. Ela explica que o fortalecimento da barriga melhora a postura, ajuda a diminuir as dores nas costas, melhora a qualidade do sono, fortalece a musculatura pélvica, ameniza os escapes de xixi e a prisão de ventre.

A cirurgiã plástica Abdulay Eziquiel relata que, muitas vezes, além da diástase, as pacientes também se queixam do excesso de pele e gordura na região abdominal, pois pode ocorrer uma limitação da retração da pele após a gravidez.

Nesses casos, há indicação da realização de abdominoplastia, em que será possível restaurar o contorno da região abdominal com a retirada do excesso de pele. Ainda durante essa cirurgia realizamos o tratamento da diástase, com a sutura da musculatura do abdome, reparando a fraqueza da parede abdominal.

É importante salientar que tal cirurgia não deverá ser realizada logo após o parto, devemos respeitar o retorno das condições fisiológicas da paciente, aguardando um tempo médio de 6 meses após o parto e a paciente não deverá estar amamentando por pelo menos 3 meses.

Identificar as alterações do corpo durante a gravidez e no pós-parto são o primeiro passo para entendimento e reconhecimento das alterações que não são normais e principalmente para que a ajuda possa ser encontrada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.