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Larissa Cassiano

E a sua libido, quem cuida?

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Imagem: iStock
Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

11/08/2020 04h00

Quando faço essa pergunta é justamente para que você pense sobre o quanto essa questão de libido e sexualidade é ampla, seu corpo, sua mente, o ambiente e parceiro(a) precisam estar conectados para que o prazer possa ser alcançado.

Com frequência recebo pacientes com pedidos de medicações que tragam uma resposta rápida e eficaz para suas questões sexuais, mas apenas quando a mulher compreende a grandiosidade que envolve a sexualidade é possível tratá-la.

Muitas vezes essas queixas têm um ponto de origem bem específico: mudança de parceiro, rotina de trabalho, parto, depressão, medicamento ou até mesmo uma experiencia sexual traumática e que só quando se pensa é possível entender que foi ali, naquele momento, que tudo começou.

Dividimos a resposta sexual feminina em três fases: desejo, excitação e orgasmo. Um depende do outro para que o prazer seja completo, e um ponto alterado pode desencadear uma série de problemas sexuais.

Essas alterações podem ter várias causas como:

  • amamentação
  • menopausa
  • uso de antidepressivos
  • má formação do aparelho genital
  • consumo de álcool
  • consumo de drogas
  • câncer
  • anticoncepcionais
  • depressão
  • ansiedade
  • repressão sexual
  • problemas com parceiros
  • infecções genitais
  • infertilidade
  • cirurgia genital
  • alteração endócrina e neurológica

Mas calma, você não precisa se desesperar e desistir da sua vida sexual pensando que isso é muito complexo, acredite no seu potencial e na sua capacidade de entrega. Algumas pessoas criam fantasias sexuais tão elaboradas que nem os roteiristas de filmes pornôs conseguiriam imaginar.

Não é necessário usar a melhor lingerie, ter o quarto decorado ou o corpo perfeito, isso não garante o orgasmo de ninguém, só você pode entender o que aumenta sua libido, o que te permite chegar ao orgasmo e perceber que algo não está agradando.

Saia da rotina, fuja do comum sem sair de casa mesmo. Não deixe o cansaço de ter que acordar cedo te impedir de ter uma boa noite de sexo, ou até mesmo que o medo de sujar os lençóis com sangue do período menstrual te inibam neste período, o sexo durante o período menstrual é totalmente normal e sem contraindicações.

Busque novas posições que possam deixar você excitada, até mesmo uma posição que você consiga controlar a penetração, algumas mulheres descobrem uma vida sexual nova ao mudar de posição.

Conheça seu corpo, se masturbe, entenda qual parte do seu corpo te dá mais prazer, assim você poderá apresentar seu corpo para o seu parceiro de uma forma única e prazerosa.

Nem todas as mulheres precisam de penetração para alcançar o orgasmo, se for seu caso, peça para o parceiro estimular seu clitóris durante a penetração, converse, explique e ouça seu parceiro, tenha coragem de dizer o que você gosta e não gosta.

E sabe aquele filme pornô que na adolescência você talvez tenha sido orientada a não assistir, assista com seu parceiro, faça compras em uma sex shop ou até mesmo na farmácia, crie fantasias sexuais, visualize seus genitais com um espelho, toque-os.

Esses detalhes, que no primeiro momento são conhecidos, mas muitas vezes pela rotina, vergonha e até mesmo esquecimento podem ser deixados de lado, quando incluídos na vida do casal podem trazer descobertas incríveis.

Se essas medidas não funcionarem, saiba que existem outras com muitos benefícios: psicoterapia, exercícios para fortalecer a musculatura genital, acompanhamento médico e medicamentos.

Ter uma vida sexual feliz e saudável não precisa ser algo esporádico nem um tabu, a sexualidade é o ponto inicial para a vida humana, o que nos permite vir ao mundo, além disso, todos temos direito a usufrui-la.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.