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Parto humanizado tem a ver com respeito à paciente, e não com o local

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Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do VivaBem

04/08/2020 04h00

Hoje inicio meu trabalho aqui em VivaBem, este será um espaço aberto para falarmos de saúde da mulher dentro da ginecologia e obstetrícia. Sejam todos bem-vindos e para dar o pontapé inicial separei um tema que adoro abordar e sempre gera muita dúvida: o parto humanizado.

Por muito tempo os partos eram realizados por parteiras em casa, nesta época a ideia de parto hospitalar era deixada para as mulheres que não conseguiam arcar com os custos de uma parteira domiciliar. Com a evolução da medicina e das técnicas de cesárea, esse tipo de parto se difundiu e alguns países como o Brasil aprimoraram as técnicas, aumentando suas taxas a valores muito altos a ponto de superar o parto vaginal (normal).

Em meados dos anos 2000, alguns movimentos contrários à hospitalização do parto começaram a crescer no Brasil, questionando nossas altas taxas de cesáreas e excessivas intervenções nos partos, solicitando mais autonomia da paciente. Foi neste momento que o movimento do parto humanizado começou a crescer.

O parto humanizado é condição que respeita a gestante e o bebê, permite que sua autonomia seja levada em consideração, seja no parto vaginal, seja na cesárea, seja no fórceps. A maneira de nascimento não é o que determina essa humanização e, sim, o respeito com que a paciente é atendida.

Alguns profissionais da saúde apresentaram alguns questionamentos que trouxeram grandes conquistas para a humanização do parto, por exemplo:

  • O alojamento conjunto (permitir que a mãe e o bebê fiquem juntos logo após o nascimento);
  • Autorizar o acompanhante durante o período de trabalho de parto, o parto e o pós-parto;
  • Incentivar o parto vaginal;
  • Incluir enfermeira obstétrica e doula na assistência;
  • Reduzir intervenções desnecessárias como toques excessivos;
  • Fornecer analgesia, que é uma forma de reduzir a dor durante o trabalho de parto;
  • Limitar o uso de ocitocina (medicamento que estimula a contração uterina);
  • Liberar os movimentos da paciente durante o trabalho de parto;
  • Incluir medidas não medicamentosas, como exercícios com bola, música, hipnose, aromaterapia, massagem;
  • Permitir novos locais e posições para o nascimento (como banqueta e banheira);
  • Incentivar que a paciente fique livre para se movimentar e expressar sua opinião.

Algumas dúvidas para elucidar ainda mais o tema:

Parto domiciliar é humanizado?

O local não determina se o parto é humanizado, o que determina isso é a forma de atendimento, ou seja, um parto domiciliar pode ser humanizado, mas no hospital também pode acontecer o parto humanizado.

Para que serve a banheira no parto?

É um ótimo local para o relaxamento do período do trabalho de parto, e o nascimento vai depender das condições da paciente e da equipe.

Gestante de alto risco pode ter parto humanizado?

Sim, todas as gestantes podem ter o parto humanizado. O parto humanizado não é uma técnica e, sim, uma condição de atendimento com a gestante, isso pode ocorrer na cesárea agendada, no parto vaginal e na cesárea durante o trabalho de parto.

Existem contraindicações ao parto humanizado?

Não, independentemente da situação, o parto humanizado pode ser feito. Mesma na urgência, é sempre possível humanizar o atendimento de alguma forma.

Parto humanizado é feito apenas por equipe particular?

Não. Equipes de plantonistas, de hospitais públicos, do convênio, todos possuem condições de humanizar o atendimento para a paciente.

Como se preparar para o parto humanizado?

Buscando informações, conhecendo profissionais engajados na causa, assistindo documentários e entendendo que todo parto pode ser humanizado.

Para quem você recomenda o parto humanizado?

Para todas as mulheres que desejam eternizar este momento, mesmo nas situações mais difíceis é possível trazer um pouco de carinho e humanização.

Independentemente das alterações que o ser humano tem feito no parto, ele permanece ocorrendo e mostrando que deixar a natureza agir é uma forma linda e saudável de nascimento.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.