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Jairo Bouer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Um novo jeito de trabalhar está chegando

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Jairo Bouer

Jairo Bouer é médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e pelo Instituto de Psiquiatria do HC-USP. Bacharel em biologia pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e mestre em evolução humana e comportamento pela University College London (UCL). Nos últimos 30 anos, trabalha com comunicação em saúde e sexualidade nos principais veículos de mídia do país.

Colunista do UOL

03/11/2021 04h00

Se você tem entre 30 e 40 anos e já assumiu um cargo de liderança no seu trabalho deve ter percebido que seus novos colaboradores de 20 e poucos anos estão bem diferentes do que você imaginava.

A geração que dava sangue pelo trabalho, encarava jornadas intermináveis e só voltava para casa depois da missão estar 100% cumprida, corre o risco de se frustrar com a forma pela qual os mais jovens enxergam hoje essa missão.

O famoso confronto de gerações está assumindo novas feições, no momento em que a geração Z está saindo do conforto de suas casas e da sua existência digital para ocupar seus primeiros postos no mercado de trabalho, hoje pilotado principalmente pela geração dos millenials.

Os jovens que são nativos digitais, não descolam do celular, têm um jeito de se comunicar menos linear e mais matricial, mantêm uma atenção flutuante (diversos focos ao mesmo tempo) e sofrem para assistir uma aula de cinquenta minutos, saiu das salas de aula e desembarcou nos escritórios.

Matéria recente do jornal The New York Times mostra como essa realidade chegou com força nos Estados Unidos e pode também já estar se manifestando na sua empresa.

Esse novo jeito de encarar o trabalho (e a vida) pode mudar de forma importante a cultura das empresas nas próximas décadas. Você está preparado? Separamos algumas das características dessa nova turma que veio para ficar!

Faça você mesmo!

O que você faria se um colaborador delegasse para você, líder, algumas atividades e funções que seriam dele? "Olha, consegui chegar até aqui. O resto estou deixando para você finalizar" ou "Essa parte é muito complexa, melhor você mesmo fazer". Frases desse tipo devem ganhar espaço. Eles não se importam muito em assumir que não dão conta de todo o recado. Se o calo aperta, porque não dividir esse aperto?

Fui!

O horário mais rígido de trabalho também incomoda. Para que cumprir no escritório a jornada de 8 horas, se as tarefas do dia já foram finalizadas? "Já acabei o que precisava fazer hoje. Posso ir embora? ". Um esquema mais flexível se desenha no horizonte, e isso pode ser bom para todo mundo.

Segura essa, chefia!

A comunicação horizontal veio para ficar. Nada que vem de cima para baixo é digerido com muita facilidade. Eles têm uma maior dificuldade em lidar com a hierarquia dos cargos e preferem um jeito mais informal e menos impositivo de conversar e cumprir tarefas. As "ordens" andam com os dias contados. Assim, respostas ou colocações que poderiam soar como insolentes ou impertinentes para os líderes mais desavisados podem ser absolutamente naturais para eles.

Em casa, sozinho!

O trabalho remoto veio para ficar. "Para que ficar no escritório, gastar tempo me deslocando, se posso trabalhar de casa, no meu tempo, não tendo que dividir meu banheiro com ninguém? ". O que já vinha acontecendo em alguns setores da economia, como tecnologia da informação, ganhou força com a pandemia e passou a ser condição imperativa para muitos jovens na busca de emprego.

O que você diz?

A geração Z também é mais sensível a questões politicas e sociais. Cada vez mais ela espera que as corporações se posicionem de maneira adequada frente a temas como racismo, homofobia, machismo, identidade de gênero e questões ecológicas, entre outros. Uma visão não alinhada com seu jeito de ver o mundo ou uma posição neutra frente a temas importantes pode fazer com que esse jovem não se veja refletido na cultura da empresa.

Tudo bem eu não estar bem!

Se antes a ordem do dia era produzir até cair, para esses jovens a coisa mudou. A necessidade do "tempo" para eles passou a ser central, e tudo que pode colocar em jogo sua saúde mental é ponto de atenção. E eles não hesitam em dizer que não estão bem. "Primeiro eu, depois meu trabalho". As jornadas noite adentro dos millenials vão acabar. "Se eu não estou legal, melhor me dar um tempo até melhorar, ok?".

Com essa maior irreverência e informalidade, as empresas podem mudar. A pergunta que não quer calar é: e você, líder, está pronto para essa mudança? Se não está, é melhor se preparar, porque parece que essa onda veio para ficar!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL