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Gustavo Cabral

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Reabertura das creches com variante delta circulando: o que fazer?

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Gustavo Cabral

Gustavo Cabral é imunologista PhD pela USP (Universidade de São Paulo), pós-doutorado pela Universidade de Oxford (Inglaterra) e pela Universidade de Berna (Suíça), e pesquisador da USP/Fapesp

Colunista do VivaBem

31/08/2021 04h00

Em uma conversa recente que tive com a Dra. Denise Garrett, no programa semanal que faço sobre ciência e sociedade, discutimos sobre diversos assuntos, inclusive sobre a transmissão do coronavírus entre crianças e adolescentes.

Esse é um assunto que preocupa e merece atenção, principalmente agora que, para a nossa "surpresa", a Prefeitura de São Paulo anunciou que as creches podem retomar o atendimento presencial com 100% da capacidade a partir do dia 8 de setembro.

Dados cada vez mais robustos estão mostrando que crianças e adolescentes têm se tornando potenciais transmissores do coronavírus, em especial com a variante delta. Portanto, se não tomarmos todos os cuidados possíveis para nos protegermos e protegermos os "pequenos", grande parte de nós corre risco de ser infectado —quando falo de cuidados, estou falando da vacinação, do distanciamento social, do uso de máscara e da higienização das mãos.

Segundo a Prefeitura, as creches seguirão todos os protocolos sanitários para garantir segurança para as nossas crianças, embasados nos relatórios que a Secretaria de Saúde tem feito. E as escolas devem garantir o cumprimento dos protocolos sanitários de prevenção, como uso de máscaras, álcool gel e higienização dos ambientes.

Isso é um bom começo para gerar uma certa segurança social, porém, vocês, caros leitores, podem se perguntar se é o suficiente para garantir segurança ao funcionamento das creches com 100% de ocupação.

Precisamos ter cautela na discussão antes de dizer que é uma decisão ruim, pois também não podemos simplesmente deixar nossas crianças fora da escola um ano atrás do outro. O mais importante é que todos os envolvidos (pais, crianças e profissionais da educação) façam sua parte e tomem os devidos cuidados, dentro e fora da escola.

Prioridade é educação ou diversão?

Para que o retorno seguro de qualquer atividade, precisamos controlar a dispersão viral na comunidade. Caso contrário, levar as crianças para creches e escolas é expor a garotada a um ambiente extremamente perigoso, que favorece ainda mais a dispersão do vírus e o descontrole da pandemia (o que vai aumentar as mortes).

Entendo que com a queda no número de mortes e de internações é natural que diversos locais sejam reabertos. Mas precisamos definir prioridades para controlar a dispersão do coronavírus. Se nossa prioridade na flexibilização é a educação (algo muito importante e que deve realmente ser priorizado, que fique claro), por que estamos focando também na liberação de bares, shows e outros eventos que geram aglomeração e favorecem a dispersão viral?

Testes, vacinas e cuidados para todos

Outro cuidado importante para um retorno seguro das creches é garantir que todos os profissionais da educação —desde os professores até os funcionários da portaria, da limpeza e os motoristas que levam as crianças para a escola— estejam completamente vacinados (com duas doses) e sejam testados rotineiramente. Isso não é algo impossível de ser feito, basta um projeto organizado, pois a testagem periódica é uma das principais ferramentas para delinearmos as melhores ações.

Também é preciso chamar a família para participar desse retorno, pois precisamos ter a segurança de que todos estarão juntos na retomada, já que a educação não está restrita à sala de aula. Para isso acontecer, o trabalho de orientação familiar deve ser uma das principais prioridades nesse projeto.

Somente assim, mantendo os cuidados dentro da sala de aula, testando os profissionais da educação e orientando pais e familiares é que teremos os pequenos seguros dentro do ambiente sagrado que chamamos de escola!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL